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Archive for Fevereiro, 2010

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Felipão foi o segundo Road Manager, do grupo. Ele era um engenheiro mecânico que fora demitido da Petrobrás, em 68, num ato arbitrário da ditadura militar. Só com o retorno da democracia, Felipão e outros demitidos do Brasil inteiro receberam indenização. Soube que Felipão comprou um sítio em Araruama e hoje vive a paz em São Conrado e me hospeda quando vou ao rio de Janeiro . Foi ele que conseguiu o show da grande arrancada dos Novos Baianos para o sucesso na boate Number One. Felipão deixara quase todo o seu passado e casara-se com os Novos Baianos, mudando-se para o sítio da Boca do Mato, passando a viver a filosofia do grupo. Até Cristina, sua mulher, uma loura carioca das mais bonitas do seu tempo, separou-se dele mas, não resistiu ao amor e foi ser uma nova baiana, e com ela, foram Natália e Cristina, filhas do casal. Novos Baianos era uma família, em que os componentes eram parentes ou não. Lembro-me nitidamente de um acidente que Natália sofreu. Ela avistou Cristina

comigo no outro lado da Rua Jardim Botânico e, na tentativa de atravessar a rua, foi atropelada por um ônibus que a lançou a uns quatro metros. Imaginei coisa pior mas, quando a apanhei nos braços, senti vida, embora ela estivesse desacordada. Todos sentimos como se fosse uma filha nossa.

Estávamos em 75 e procurávamos um teatro para fazermos uma pequena temporada, constatamos que todos os existentes no Rio de Janeiro estavam ocupados. Felipão encontrou uma solução assinando um contrato de três dias de show no cine Bruni 70. Dois filhos do Lívio Bruni, que era o proprietário, montaram uma firma para realização de shows musicais, transformando o cinema em casa de espetáculos. Isso fora acertado através do jornalista Tarso de Castro, que estava namorando a irmã deles. O engraçado dessa história foi não ter sanitário no camarim. Para ser realista, não havia nem camarim; apenas um espaço na lateral do pequeno palco fora improvisado para tal. Quando se aproximava o início do espetáculo, alguém do grupo sentiu uma dor de barriga, pediu um jornal e falou: “Olhe todo mundo pra lá, que eu vou fazer as necessidades fisiológicas aqui mesmo”. As palavras foram mais populares. Todos obedientes e de costas para a cena, quando fomos surpreendidos por uma comitiva que trazia nada mesmo que o Rolling Stone Keith Richards, para nos apresentar. As pessoas se aproximavam e nós riamos, deixando-os perplexos. Gato Félix disse-me que na comitiva estava Florinda Bolkan, e parece que também Bianca Jagger. Como baiano costuma cantar o milagre mas, não dizer o santo, bem que o autor da anti-façanha pode ter sido eu, mas deixo a dúvida para o leitor. O astro internacional não entendeu nada, mas assistiu tudo. Como não tínhamos mais tempo, pedimos licença e entramos no palco, e Keith Richards foi levado para sentar na primeira fila. Livinho, que era doidão, pegou o dinheiro da bilheteria e deu no pé. O irmão dele e Tarso de Castro, depois, acertaram tudo.

Nosso amigo Felipe é uma pessoa da qual podemos dizer que tem um coração de mãe, nunca vi ninguém tão prestativo, e somado ao seu grande relacionamento na área, o grupo e a comunidade dos Novos Baianos ganhou bastante com ele. Felipe chegara seu JK. Eu tinha outro que o meu sócio, em uma mina de mármore lá em Juazeiro me mandara. Cristina trouxera um fusca. O meu carro teve um final Seu Gene ris. Numa excursão do grupo iniciada no verão baiano, em razão da perseguição da polícia, transformamos os dois em um, usando peças fundamentais para o funcionamento do motor, e tivemos que deixar um JK quase inteirinho abandonado em Salvador. Quando voltamos ao local, seis meses depois, nem o chassis restava para contar a história.

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Baby e Chacrinha

AS FÉRIAS MINÚSCULAS DA BABY

Em 1970, Baby ainda Consuelo dera uma saída relâmpago do grupo, mas, não no processo de arquivamento temporário de Novos Baianos na lixeira dos computadores da atividade e da mídia. Engraçado é que o motivo não estava relacionado com dinheiro ou outras vantagens mas, apenas nós tínhamos gravado o Ferro na Boneca, nosso primeiro LP, e a música que recebia o mesmo título do disco entrara nas paradas de sucesso, e Baby tinha uma pequena participação naquela gravação. O grupo foi feito na improvisação, a partir do casual encontro dos talentos e, a música escolhida para divulgação do CD foi sugerida por João Araújo o nosso produtor e ele tinha experiência no assunto que Ferro na Boneca é um dos sucessos dos Novos Baianos. Eu fizera a letra e Moraes a “Curto de Véu e Grinalda”, para que Baby a cantasse, porque representava muito bem o irreverente da sua personalidade, associada ao estágio juvenil que ela atravessava.

Baby falava para mim: “Você precisa dar um jeito, para que divulguem “Curto de Véu e Grinalda , porque eu não agüento mais ficar fazendo quase nada em “Ferro na Boneca” . Eu falava a verdade, para que ela tivesse paciência e esperasse mais um pouco, porque inevitavelmente isso ocorreria num futuro próximo. Naquele momento, as rádios não permitiam que duas músicas de um mesmo autor alcançasse as paradas. Baby não agüentou aquela situação e deixou o grupo, passando a divulgar “Curto de Véu e Grinalda”. Sentimos muito sua falta no palco e na real.

Ela começou a fazer sucesso, com a música subindo degraus e “Ferro na Boneca” caindo um pouco mas, mantendo um espaço entre as dez primeiras. Tudo somando para o grupo, mesmo sem no momento sabermos disso. Baby chegou, em pouco tempo, a aparecer mais que o grupo, agora reduzido a Moraes, Paulinho Boca cantando, enquanto eu começava a fazer performance na televisão ou em shows. A Baby era a única mulher entre nós, e isso nos causava maior problema que se ela fosse um homem. Sua saída naquele momento inicial seria uma catástrofe, porém, não passou por nossa cabeça uma vez sequer, que o grupo não continuaria em função da perda de um componente.

Moraes, Paulinho e eu tocamos o barco sendo acompanhados por um conjunto de músicos. Um deles foi o grupo Brasões que acompanhara Ton em “São São Paulo”. Nós, sabedores do potencial artístico de Pepeu como guitarrista, lutávamos para que os produtores o colocassem em nossas apresentações, embora os conjuntos acompanhantes tivessem um guitarrista. Também somava a favor de Pepeu a musicalidade baiana e outras afinidades. Ele criou um conjunto em Ribeirão Pires, que tocava em baile de Clube. O nome era Enigmas e dele, além de Pepeu, participavam Odair Cabeça de Poeta, Pedrão, que depois foi do Som Nosso de Cada Dia, e mais um francês chamado Jean. Passamos um tempo bem acompanhados por esses rapazes. Pepeu antes já acompanhara o grupo no primeiro show, Desembarque dos Bichos, com um conjunto de nome Leif’s, formado quase todo pelos irmãos Gomes. Sem falar nos arranjos das músicas que foram feitas por ele, com o dedo de Moraes.

Um dia, Baby falou para o Chacrinha,

a quem ela chamava padrinho: “Quero que você me arranje um dinheiro, para eu ir me juntar novamente ao grupo em Salvador”. Foi um rebuliço na equipe de produção, que tentava dissuadi-la da ideia que, para todos, era uma irresponsabilidade. Só o Velho Guerreiro pensou diferente e foram estas as suas palavras: “Dêem o que ela pediu que eu gosto muito dessa menina e o destino dela é junto deles. Esses Novos Baianos são muito unidos, doidões e misteriosos”.

Estávamos no Porto da Barra quando surgiu Baby numa alegria, parecendo que viera de um disco voador, (se é que eles existem) e disse de chofre: “Voltei! Não agüentei a saudade”. Nós nos abraçamos e fomos comemorar com um mergulho nas águas da Bahia. E o grupo, embora estivesse vivo, renasceu com mais consistência. Curto de Véu e Grinalda também faz parte do cordão de sucessos que a dupla Moraes/Galvão tem no currículo e isso graças a atitude da Baby.

Com a volta da Baby gravamos um compacto duplo e a capa mostra a nossa ligação com Jesus, do modo como o estávamos interpretando.

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O tempo senhor de tudo e sempre presente.

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De onde eu vim

com essa coisa de poeta

Juazeiro da Bahia, terra de João Gilberto e Ivete Sangallo, berço da Bossa, aonde eu levava uma vida bem diferente da registrada pelos anos 70 de contracultura, mas eu prefiro chamá-la de contra sistema, por que como posso ser contra cultura se a faço? Luiz Dias Galvão era um bom moço, como os pais gostam e os outros sonham tê-los como genros, mas quando cheguei no Rio de Janeiro caí na gandaia e troquei o garoto certinho pelo irreverente e anos 70. Hoje muita gente não entende porque o eu atual está careta parecido com o bom, menino da infância em Juazeiro da Bahia.

Desde dois anos cavalgo nessa poesia de madeira

Na minha cidade natal eu fazia poesia, mas era famoso como jogador de, vôlei, basquete e futsal esporte que fui campeão baiano dos jogos abertos do interior em 1964, penta campeão da cidade. Não me arrependo de ter me formado em Agronomia, mas, tinha que abandonar a carreira pra ser um dos Novos Baianos, e me encontrar com o poeta e etc.

A pensão de DONA MARITÓ

No início de 1967, na pensão de Dona Maritó, Rua Democrata 17, Salvador, nascia Novos Baianos, um grupo musical que escreveu, compôs, cantou e desenvolveu o palco de show business. Além de ter vivido na prática suas canções e textos assumiu uma posição dificílima com postura, discurso, mística, experiências zens e alquimias, tudo num espírito anárquico positivo. Enfrentou o tempo Médici como numa partida de futebol, dando sangue, suor, inteligência, calma, juventude, alma e todas as virtudes para vencer e na pior das hipóteses, empatar, porque derrotas as tive, mas, as transformamos em vitórias; não podíamos perder, representávamos a vitória, o sol, a alegria, a irreverência, a criatividade, o sonho e a paz. Éramos meninos com casa, Deixamos o ninho paterno e nos estabelecemos em vôo. Acreditávamos ter uma missão.

Eram mais ou menos nove e trinta da manhã quando cheguei à pensão de Dona Maritó e fui direto ao quarto de Moraes. Zé Walter, seu irmão, recebeu-me. Moraes dormia ao lado. Fui logo falando: “Tom Zé mandou-me aqui. Estávamos fazendo música mas, o tropicalismo o chamou para São Paulo e ele profetizou que seríamos parceiros”. Mostrei as minhas letras: “Rua Chile”, “Chame o Guarda” (inéditas até hoje), “Ferro na Boneca” e “De Vera”. Zé Walter acordou Moraes e disse: “Tonhe, esse cara é um poeta e fez umas letras que, pra mim” é seu “parceiro”. Moreira leu assim meio com sono e disse que ia fazer a música de todas. Perguntei se havia vaga na pensão e Zé Walter cedeu a cama dele, foi para outro quarto e em quinze dias nós já tínhamos umas oito ou dez músicas prontas

Outro dia de sol apareceu Paulinho Boca de Cantor; ele já havia participado antes do conjunto Carlito e sua Orquestra, junto com Tuzé de Abreu, Perinho e Moacir Albuquerque, Tuti Moreno e Nilton. Eu e Moraes tínhamos ido à casa de Tuzé e lá Paulinho, aquela figura elegante, super desinibida começou a bater numa caixa de fósforos um samba de Riachão, com uma voz bonita e uma malandragem nos chamando a atenção. Dali nós três saímos para comer no bar Braseiro da Rua Carlos Gomes. O trio passou a encontrar-se diariamente.

Na pensão de Dona Maritó durante o dia todos trabalhavam ou estudavam a exceção do Seu. Arlindo que era ex-comerciante que estava aposentado e viera de Jequié como cidadão desquitado. Os outros eram: Guimarães (não sei se bancário ou comerciário, lembro apenas do ótimo vocalista do grupo baiano Canto Quatro do qual Moraes era líder), João Brito, o gay do pedaço e amigo de todos. No seu currículo constava ter sido coroinha da igreja de sua terra e, naquele momento, ele trabalhava na empresa onde eu exercia a profissão de Engenheiro Agrônomo (agora fiquei preocupado por ter entregado João Brito na sua intimidade, embora ele mesmo nunca tenha feito segredo disso para ninguém. Pelo contrário, João levava numa boa mas, eu não o vi mais e, como tudo se transforma, segundo Lavoisier, hoje ele pode até ter casado com mulher e eu posso com esse papo, estar criando problemas para o nosso João Brito ou João do Padre como seus conterrâneos o chamavam). Vamos torcer para que o nosso João Brito continue o mesmo e essa alusão se justifique pela comunicação do meu escrever buscando o interessante e vivendo as graças da criação. Aí eu vou fundo e deixo rolar o que vai passando nessa cabeça sem vergonha. Aconteça o que acontecer João é superior a tudo isso e tem personalidade para assumir qualquer momento seu sem perder a sua autoridade. Bira, que era estudante, formou-se em Direito e desde a década de 80 vem advogando em Vitória da Conquista – Ba. Na época em que eu e Moraes morávamos na pensão de Dona Maritó, ele integrava o Canto Quatro, do qual também fazia parte Guimarães e Buião. De Fabrício só lembro o nome e que era baixinho e tinha uma carequinha. Às vezes ocorre isso com a gente, aparece uma pessoa e convive um tempo, numa relação dia a dia, e depois desaparece de um jeito que você não sabe mais nem notícia. A figura mais querida na pensão era o Parrudo. Isso porque ele ria o tempo todo, tinha um coração maior do que ele e fazia questão de almoçar e jantar com o Seu Arlindo quando podia. Wesley Rangel estudante, hoje é empresário que vem desempenhando um papel importantíssimo com a criação da gravadora baiana WR, responsável pelo sucesso dos novos artistas numa valorização da prata da casa e pela criação do mercado baiano de discos. Quem sabe se não foi ali na Dona Maritó, no convívio com os primeiros passos dos Novos Baianos, ainda anônimos, Galvão, Moraes e Paulinho, aquelas noites de músicas inéditas para o grande público que Wesley ainda estudante criou raízes com a música popular brasileira formando o sonho, hoje realidade presente?

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