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Archive for Abril, 2010

 

Quando já tínhamos mudado para São Paulo e estávamos morando na Rua Casa do Ator coincidiu que João Gilberto também se mudara para Sampa residindo em um hotel, onde eu ia visitá-lo quase todos os dias. Além de aprender com coisas a beça com o conterrâneo genial, recebi também um auxílio enorme na divulgação do grupo na hora em que o negócio pesou nessa área em razão da nossa ousadia extrapolada ao ponto de brigarmos com a imprensa. Para se ter idéia do fascínio que João exerce sobre as pessoas, cito o caso do jornalista Serginho. Ao fazermos uma temporada no teatro TUCA, em São Paulo, o jornal Última Hora mandara a editora do caderno de cultura fazer uma reportagem com o grupo, mas sua primeira pergunta nos desagradou profundamente. Eis textualmente o desrespeito da repórter para com nossos mestres: “Por que Caetano e Gilberto Gil se venderam?” Não deixei a mesma concluir o seu pensamento nefasto e respondi pelo grupo, sabendo ser a resposta de todos: “Não haverá mais entrevista porque você é muito burra e mal-educada”. Deixamo-la falando sozinha. Do quarto, liguei para João Gilberto, inteirando-o da encrenca criada. Ele disse: “Ligue para um amigo meu, Serginho, o número é esse… Ele fará a reportagem e será publicada. Eu garanto”.

A reportagem foi feita e no dia seguinte, ao lermos o jornal paulista Última Hora, vimos que não faltara uma vírgula do que havíamos declarado

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Os “Novos Baianos”, apareceram em São Paulo por volta de 1969 quando então, o grupo era formado por Galvão, Moraes, Paulinho Boca de Cantor e Baby Consuelo. Com o tempo, gravando e fazendo shows por todo o Brasil o grupo firmou-se como uma nova força musical, dedicando-se a uma música aberta, sem pretensões, utilizando-se de instrumentos simples como o cavaquinho, bandolins e [triângulos], pesquisando as mais profundas raízes da MPB.

Sobre seu novo álbum, Galvão é quem fala: “É uma virada, uma explosão… parece mais com a gente quando saímos da Bahia antes de gravar “Acabou Chorare”. As músicas são quase todas de autoria de Moraes, Pepeu e Galvão, os principais compositores do grupo. Apenas Isabel (Bebel) e de João Gilberto. Do lado A, eles gravaram “Fala tamborim”, “Ladeira da praça”, “Eu sou o caso deles”, “miragem”, “Izabel”. Do lado B, “Linguagem do Alunte”, “ao poeta”, “Reis da bola” e “Bolado”.

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Vou mostrando como Sou…

 

Ao invés de enfrentar o regime militar na base do dente por dente, olho por olho, preferimos ser pacifico, porém com acentuada dose de anarquismo. E assim nos expressamos na imprensa falada e escrita, nas apresentações artísticas e aparições em público de modo geral. Não estávamos sozinhos, tínhamos como parceiros a juventude que estava na rua com sua imagem exótica de homens cabeludos e mulheres às vezes de cabeças raspadas e o faziam apenas pra chocar os que consideravam caretas. A meninada fechava a cena com suas vestes coloridas, criativas, chocantes e aliadas ao brinde do comportamento hippie levantando sem grilo os sovacos cabeludos imitando a nossa Baby, na época Consuelo e atual do Brasil. Agumas coisas aconteceram de forma tão misteriosa, às vezes chegando a parecer um tempo imaginário. Mas agora eu vejo   que tudo ta presente , o jovem de hoje escuta nossas canções comprendendo a mensagem que por ser verdade é atual.

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Neste 22 de abril

aniversário do Brasil e meu

estou saboreando cada minuto

do presente Divino a “VIDA”

que dentro do corpo estojo

mostra lados opostos

o sofrer, dor, sofredor

que graças a Deus tenho o dom

de transformá-lo em versos

e passo a trocar figurinhas com

e flertar com o lado bom

que teima em passar

disfarçado vestido de faísca, relampago “e já fui “

mas o seu nome expressa a real ALEGRIA

Nesse dia que de todos, mas

mais um pouco meu , permitam-me

por o estar vivendo

como se estivesse chegando

ao planeta nesse agora

e conhecendo, água, árvores, flores

sorvetes, Lep Top, música, poesia e pessoas

Presente melhor não podia

me dar esse dia

e como a manhã que passou,

a tarde que estou e a noite que promete

só as estrelas com suave brilho a todos clare

(palavra que o dicionário teima em dizer que não existe)

e com a luz do silêncio

cantem pra mim Acabou Chorare

Ficou tudo lindo

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Globo da Morte

    

Globo da morte (Moraes /Galvão)

 O que me faz bem está

 O que me faz bem está

Nos cantos pra onde pende meu corpo

E eu Do sol Os raio me chamam pro sol

Na terra Cobre o globo do meu raio

Enquanto eu sou o meu corpo

Enquanto cisco os pés no fogo

Ou enquanto risco e arrisco olho ao corte

Em qualquer parte em qualquer parte em do globo da morte

Do globo da morte

O que me faz bem está

O que me faz bem está

Nos cantos pra onde pende meu corpo  eu

O que me faz bem está  que me faz bem está

Nos cantos pra onde pende meu corpo

E eu

O sol

Os raio me chamam pro sol

 Da terra Corre o fogo no meu raio

Enquanto eu sou o meu corpo

 Enquanto cisco os pés no fogo

Ou enquanto risco arrisco olho ao corte

 Em qualquer parte , em qualquer parte

Do globo da morte Do globo da morte

O que me faz bem está

O que me faz bem está

Nos cantos pra onde pende meu corpo  

E eu   O que me faz bem está

O que me faz bem está

O que me faz bem está

O que me faz bem está  

   Cada música nossa é uma página da nossa história vivida e que nos momentos de inspiração registrávamos. Globo da morte é m misto daquele espaço acrobático que circo nos encantou na individual infância e momento que vivíamos contestando a ditadura de 64 que dominava o país e sofríamos as conseqüências, embora nos esquivássemos dos carrinhos desleais, violentos e perigosos dando um pulinho ou aplicando um drible de Garrincha e as vezes de Pelé. O globo era da morte, mas nós éramos os motoqueiros acrobáticos do circo ao vivo. E assim nasceu a letra acima.

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Estávamos em julho de 69 e procurávamos uma banda de rock. Ao participar do programa Poder Jovem da TV Itapoan, Moraes cantando e eu sendo entrevistado sobre o nosso trabalho, descobrimos Os Leif’s, grupo de Pepeu e Jorginho Gomes, Pronto! Dissemos um para o outro. Tai o pessoal que buscávamos para fazer o show. No mesmo dia, fizemos amizade com Pepeu, e acertamos a participação dele com sua banda.

Naquele mesmo dia, quando saímos da TV, encontramos Ediane, uma amiga nossa com outra gata de dezesseis anos, trajada com uma originalidade impar, usando calca jeans, rasgada no joelho e um espelho na testa. Aí ficamos conhecendo a Baby, que ali ainda era Bernadete, vinda de Niterói. Baby chamou logo a atenção, a ponto de ser entrevistada para explicar seu estilo super pessoal. Ela respondia afirmando estar na Bahia para reaprender tudo, até escovar os dentes. Só força de expressão para explicar sua identificação com a revolução artística que se processava na Bahia e expressada nas ruas. Baby trazia o sotaque baiano, que aprimorou na seqüência, no convívio com os baianos, embora em sua infância, aos oito anos, tenha feito um “estágio” com seus avôs no interior da Bahia, no município de Poções. Inicialmente, Baby não se ligou a nós porque, ainda anônima, fazia o papel principal feminino de um faroeste italiano contracenando com Giuliano Gemma, que estava sendo rodado na Bahia. Baby, embora com destaque citado, teve poucas aparições porque o filme é do gênero faroeste e toda a brasa foi puxada para a sardinha do astro Giuliano Gemma.

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Existia um programa de baixo nível porém, de grande audiência o Quem tem Medo da Verdade. O primarismo e a indiscrição imperavam. Nós demos um banho, respondendo a todas as loucuras dos interlocutores, com músicas que tratavam nos seus textos dos assuntos perguntados. Um, que era terrível e engraçado, que depois foi juiz de futebol e agora comentarista esportivo e famoso pelas gaiatices (como “Pelo amor dos meus filhinhos”), o Sílvio Luis, naquela ocasião teve a cara de pau de perguntar: “Nós somos daqui, todo mundo sabe, e vocês chegaram como bichos sem pai e nem mãe. Eu sou Sílvio, ele Tércio, ali está o Carlos Manga, e você, quem são? E a que vieram?” Nossa resposta foi chocante: cantamos uma música inédita, parceria minha com Moraes, feita para nossas mães Dona Nita, a de Moraes, e Dona Helena, a minha.


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