Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Agosto, 2010

Várias histórias se contam como sendo a real inspiração que me fez escrever essa canção. E sempre, cada uma delas, com uma musa. A certeza e o sonho dessas pessoas são tão fortes que eu passei a acreditar em todas elas. O pessoal de Irará diz ter sido feita “Preta Pretinha” para uma moça de lá mas, pra mim a cidade é que se apoderou daquele nosso momento de amor. Em , outra cidade onde trabalhei, tive outro grande amor, dando oportunidade para as pessoas repetirem a história da inspiração da música “Preta Pretinha” mas, foi em Juazeiro-Ba, onde nasci, que aconteceu a versão mais emocionante sobre a musa de “Preta Pretinha”.

Havia uma garota que era a mais bonita e cobiçada da cidade. Eu, o poeta e um dos artilheiros do Spartacus, time de futebol de salão que, além de pentacampeão da cidade, possuía a maior torcida. Já viram que a dupla chamava a atenção da platéia. Um dia eu viajei para o exterior, e no meu retorno a garota me disse: “Eu não o mereço mais. Eu dancei com outro cara” A cidade estava ouriçada vivendo o acontecimento. Fiquei solidário com Juazeiro conservador, e acabei o namoro. A garota casou com o rapaz, que não tinha só dançado mas, provado da fruta. A bela jovem já se divorciou e deve ter casado mais uma duas ou três vezes mas, para a nossa cidade nós ficamos eternos namorados um do outro.

A minha versão sobre a inspiração de “Preta Pretinha” tem que acoplar todas essas histórias e admitir todas as musas, além da que serviu de pivô, apertando o botão que deve ter provocado a explosão da música. Foi mais ou menos assim: uma jovem combinou comigo para que eu fosse a Niterói conhecer seu pai e, na volta, ela viria morar comigo no apartamento dos Novos Baianos, em Botafogo. Pegamos a barca, conheci o pai dela mas, na volta, ela se arrependeu e voltou para o seu namorado. À noite, escrevi a letra sob o impacto desse insucesso e, na certa, o subconsciente deu uma panorâmica em todas as minhas histórias de amor.

Quando escrevi a frase “Por minha cabeça não passava somente…”, me lembrei de Socorrinho, a minha namorada de Juazeiro no período 61-65, e coloquei: “só somente só…”, em homenagem ao bonito que fora aquele amor juvenil, que ficou registrado nos anais de fofoca da cidade. E pensei: Juazeiro vai dizer que eu fiz essa música para Socorrinho, quando na verdade foi uma longa história recheada de musas. A cidade foi além e, quando vou a Juazeiro, várias pessoas que participaram daquele passado, ou os seus filhos, que ouviram das suas bocas, e com os corações transbordando saudosismo, me perguntam: “E Preta Pretinha?” Eu inocentemente respondo: “Está tocando no rádio”.

Read Full Post »

O momento, no entanto, era revolucionário na arte brasileira, em paralelo com o comportamento da juventude, discordavam de qualquer toque vindo de algum conhecimento oficializado, como era o caso de c, um diretor vindo de escola. Era a vez dos autodidatas. O grupo não aceitou a proposta de Mônica e foi unânime a decisão de só aceitar a minha direção, que, embora tivesse cursado a universidade, falava a mesma língua, vivia o mesmo sonho. Talvez tivesse sido bom para o grupo a direção do Fauzi que, na certa, nos daria uma postura teatral, que poderia se desenvolver ao longo da existência do grupo. Eu, da minha parte, não me incomodaria, uma vez que ainda na Bahia permitira que Valtinho Lima, um diretor de cinema baiano e nosso amigo, dirigisse o primeiro espetáculo, O Desembarque dos Bichos Depois do Dilúvio Universal. Não deu certo e eu vim dirigir. Perdemos a experiência de Valter Lima, mas ganhamos em criatividade. A realidade quis assim. Com Marcos Lázaro era diferente. Nós até insistíamos e fizemos uma proposta para apresentarmos um espetáculo num teatro grande, que hoje tem o nome de Zácaro, e que, na época, estava nas mãos dele. Dom Marcos nos disse que não tínhamos público ainda e que ele já acertara para a inauguração o espetáculo com Rita Pavone. Avisamo-lo de que Rita era carta fora do baralho, mas ele foi irredutível e o fracasso foi inevitável. O show não passou do primeiro dia, porque foram apenas cinco pessoas e Rita suspendeu a temporada no Brasil. Àquela altura, ela já era uma senhora, não tinha mais molejo para aquela onda vivida no auge da sua carreira. Marcos acreditava e muito nos Novos Baianos, desde o primeiro encontro, e passava por cima daquilo que se chamou travessura e irreverência do grupo e imagem fora dos padrões, porém, tudo dentro daquilo que imaginara, ou seja, usar o grupo no mesmo espaço em que colocava os artistas do seu Cast.

O pessoal que trabalhava com ele fazia apenas shows em clubes, até Roberto, o rei, e principal estrela da companhia, não fazia ainda shows em teatro. Poucos tinham sido os espetáculos desse gênero realizados no país. Na Bahia, havia Roberto Santana, um primo de Tom Zé e sobrinho do deputado federal Fernando Santana, que agitava o Teatro Vila Velha com shows musicais. Fizera o Nós, Por Exemplo, com Caetano, Gil, Gal e Tom Zé, fora um sucesso, com o lançamento dessa constelação de estrelas baianas, que depois decolaram e se transformaram nos astros que todos conhecem. No Rio, o Teatro Opinião era o único palco para os cantores, e lá iniciaram suas bem sucedidas carreiras, Nara Leão, Bethânia e João do Vale, que apareceu com a música Carcará.

Read Full Post »

Reencontro 97

Read Full Post »

Letra: Galvão – Música: Moraes

Este tango nos dedicamos ao nosso grande amigo Gastão, padrasto do ator Ricardo Petraglia que na epoca namorava a Baby e nos hospedou uma temporada , num baba que jogamos na sala  da casa,  apos encontrar  a parede de vidro espatifada  o dono da casa abriu na risada  compreendendo aquele momento tipico Novo Baiano e com isso cativou mais os coracoes, e o ao maestro Ector Lanfieta  regente de nosso primeiro disco.

Este copo/Já não é pra ela/Dela a tatuagem/ No meu peito/O meu peito/É uma varanda/Onde o tempo já não anda/Garçom faça o favor/Traga outro trago/E os bêbados calem a boca/Não quero rimas de amor/Esta mesa, este bar/Já me ensinaram/A dormir e acordar/


Read Full Post »

Novos Baianos? Uma turma? Uma família? Essa não. Igual a religião. Não tem swing e swing, brincadeira, chinfra, malandragem é sinal de Novos Baianos no lance. Senão, não tava vivo. Repito: talvez um time. O importante é todos juntos se perdoando pelas marcações diárias mas, se criticando a cada vacilo. Cada um atento para não atentar o outro.

Sem nenhuma segurança material ou mental, sempre zero, adiantando-se. Virando mesmo um “viver disso”. Não sei se todo mundo é assim mas, qualquer novo baiano abandonou a sua pessoa velha, a egoísta, superficial, voltada para fora, que numa linguagem por dentro só pode ficar por fora. Lembrando uma jovem linguagem passada, a minha velha pessoa dispensada não passa de minha própria pessoa alienada. O sujeito velho chegou quase a se perder de vista. E foi outro dia. Eu nem sei quantas vezes reencarne a personalidade esse ano.

Não é de hoje a afinidade com o louco de rua. Quando mos pra cidade e temos a felicidade de avistarmos um solitário louco de rua que faz ponto da Barra ao Pier, aí pinta a maior limpeza. Do nosso ângulo ele é apenas um iogue de ouvido em estágio tal de desligamento com o material na sua concentro vivência, no seu mundo. Tai, esse pode dizer meu Mundo. E não diz. Ele deve segurar a barra daquele lugar e dos milhões de materialistas que zanzam e transam naquelas bandas.

Todo mundo é doido mas, eu só acredito quando o cidadão estiver rasgando dinheiro. O louco mesmo não sabe o que está faz, por isso não tem apego as coisas materiais. Nos Novos Baianos a necessidade convocava o desapeago para solucionar o problema como o fez Marilhinha trocando todas as suas jóias por um mamão. E lá se foi o ouro da nossa cuca. Que bom saber disso na carne. Que bom saber que temos 24 horas por dia e que usando algo mais que a mágica eu posso multiplicar, segundos, minutos e bote hora nisso. Garrincha sim em um ângulo era sábio ao ponto de conceber o drible e passar por tudo e tudo não passar, pra ele, de João. No muito, João e Maria, toda a sorte jogada num encontro todo dia.

Discussões que hoje acontecem dentro do próprio governo já eram travadas lá no sítio dos Novos Baianos no início dos anos 70.

O Bola que condição de míope e por jogar usando óculos de grau elevado, até podia se preocupar com a possibilidade de alguém se machucar batendo a cabeça numa das frondosas mangueiras que ficavam dentro do campinho onde jogávamos futebol, deu assim o pontapé inicial na polêmica sobre permanência ecológica das árvores e segurança física dos jogadores:

Read Full Post »