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Archive for Setembro, 2010

 

Galvão: Rogério, como o Tropicalismo está perto da Bossa de João e, ao mesmo tempo, no auditório da Jovem Guarda de Roberto?

Rogério: Ontem Caetano me disse uma coisa de uma atriz internacional, que casou com um importante ator ou diretor de cinema. Ele disse: “A minha diferença com ele é que eu não venero Bob Dylan”. E a gente comentou que talvez esse desejo de negar fosse sintoma de uma importância, e lembramos o que surge de novo: João Gilberto não enterrou o passado, pelo contrário, Ary Barroso, Herivelto Martins, Pedro Caetano, estiveram sempre vivos na sua voz. Daí o tropicalismo tentar ser uma espécie de religião de tudo. Em suma, éramos adoradores de João Gilberto e de outros como João Gilberto também, que nunca quis ser mais que apenas a música popular. A pura Canção. O eterno menestrel. A jovem guarda era absolutamente irresistível. Roberto Carlos era irresistível, e uma vez dei um pontapé na televisão porque a minha namorada ficava olhando para ele. Eu pensava que ela viajava escondido pra São Paulo para namorar com ele. Ele tinha uma franjinha caída do lado da testa. Enfant Terrible. Eu tive logo que ceder aos seus encantos mas, no princípio cheguei a ter raiva do seu charme porém, jamais poderia negar o surgimento do rei. Neste princípio, Roberto Carlos foi a nossa vanguarda. Porra, como esse cara é moderno, sentíamos. Jovem Guarda, edição tupiniquim dos Beatles, em nada inferior à matriz de Liverpool, já João Gilberto vinha desde o princípio e teria que ir até após o fim.

 A Tropicália teve o comando de Gilberto Gil, Caetano e empresarial de Guilherme Araújo, a minha participação crítica e agitação.

Galvão: Como você sentiu os Novos Baianos na prática de filhos do Tropicalismo?

 Rogério: Ontem mesmo conversamos segunda, terceira. E por isso puderam se dar ao luxo de serem tão maravilhosos”.eu, Caetano e Gilberto Gil, sobre os Novos Baianos e Caetano disse: “Aquilo era o máximo. Inacreditável. Ninguém podia imaginar”. Aí eu disse: “Eles eram uma terceira geração de alguma coisa. Não primeira ou segunda, terceira. E por isso puderam se dar ao luxo de serem tão maravilhosos”.

 

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Paquito
De Salvador (BA)

Capa do disco “Acabou Chorare”, dos Novos Baianos (Foto: Reprodução)

Após lotar três salas em uma única sessão, em Salvador, no mês de maio, no Panorama Coisa de Cinema, Filhos de João: o admirável mundo novo baiano, filme sobre os Novos Baianos, será exibido no dia 3 de outubro, no Festival Internacional de Cinema do Rio. O documentário, dirigido pelo também baiano Henrique Dantas, demorou 11 anos para ser feito, e valeu a espera. O filme é simples e grande, feito a obra do grupo, uma história e tanto, com muito a ser dito e mostrado sobre as relações entre a baianidade e a música popular, no seu melhor.

A partir do título, a presença de João Gilberto percorre toda a narrativa, sem que se toque uma nota de sua música. Mas nem precisa: João se fez presente na história e na arte dos Novos Baianos, como tudo que vem dele, através de sons e silêncios significativos. O que ele canta e diz é grande, o que ele não diz parece maior ainda, forte e doce. João lança o seu raio ordenador sobre a Revolucionária Família Baiana e inspira, com sua estética, a utopia hippie no Brasil da década de 70, sob o peso da ditadura militar.

Primeiro, Henrique se encarrega de fazer os integrantes dos Novos Baianos contarem o seu início, com a ajuda de outro baiano, Tom Zé, que, fica-se sabendo, apresentou Moraes Moreira a Galvão, formando a dupla responsável pelas canções, neste começo, aparentadas do jeito tropicalista, mas de maneira original, graças à poética solta, acrescida de peculiar sensibilidade pop. Ainda sob os conselhos de Tom Zé, eles se juntam a Paulinho Boca de Cantor pra tentar a sorte no Sudeste, já com Bernadete Dinorah, a Baby Consuelo.

Mas o melhor estava por vir: após lançarem o primeiro disco, eles passam a receber as visitas de João Gilberto, juazeirense como Galvão, que os faz olhar para o passado profundo da canção popular brasileira, pré-bossa nova, e injeta a tradição do samba e do choro, com cavaquinho, violões e percussão, na bagagem roqueira dos meninos.

A partir daí, com a formação de uma comunidade no sítio Cantinho do Vovô, no Rio de Janeiro, onde eles dividiam tudo e praticavam, além da música, futebol, ficou pronta a receita que os fez dar o salto. Como diz Moraes, a vida era o ensaio, fazia parte do dia a dia deles tocar, tocar e jogar futebol. Assim como os Beatles, no começo, azeitaram sua música tendo de se apresentar de seis a oito horas por noite em Hamburgo, os Novos Baianos desabrocharam pra valer no sítio, vivendo pela e para a música, que iria desaguar no hoje celebrado discoAcabou chorare, título de uma canção inspirada, mais uma vez, em uma história contada por João sobre a filha Bebel.

A menina dança, Brasil Pandeiro – esta de Assis Valente, outro baiano ancestral de João – Besta é tuMistério do planeta : as histórias das canções e dos sons são contadas com graça e enlevo também por Joildo Góes – um incentivador das loucuras do grupo e integrante da comunidade -, Mário Luís Thompson, fotógrafo, e Rogério Duarte, além dos integrantes Moraes, Paulinho, Galvão, Pepeu, Gato Félix, Bola, Dadi, Jorginho e Charles Negrita.

Só Baby Consuelo fez falta, não permitindo que seus depoimentos integrassem o documentário, incluindo a fala final, conclusiva, que seria dela. Henrique, no entanto, não se fez de rogado e deixou Baby brilhar na melhor cena do filme: uma imagem de arquivo de um filme de Solano Ribeiro, na qual ela canta A menina dança com o grupo.

Ao longo da narrativa, as janelas vão se abrindo e se desdobrando, traçando um painel da presença e arrojos baianos na canção popular: não foi à toa que os tropicalistas, por exemplo, incorporaram guitarras ao seu som. Em Salvador, Dodô e Osmar já tinham eletrificado o frevo há mais tempo. Isso é o que faz da Bahia um lugar especial, onde convivem, sem grilos, tradição e novidade. Besta é tu, por sua vez, embala a dança do Superoutro, personagem e filme de Edgar Navarro, fazendo o link com a Bahia que veio depois, viva e ainda aqui/ lá.

Com a transformação da utopia em dogma, acontecem a saída de Moraes e o início do fim da vida em comunidade. O sonho acaba, mas permanece no som dos discos Acabou chorare, Novos baianos F. C. e no Lp do Alunte. O fenômeno “Novos Baianos”, para se realizar plenamente, esteve intrinsecamente ligado aos ideais do seu tempo, mas se desapegou destes e continua inspirando e respirando na era das revivescências digitais. Com graça, sem drama.

Com exibições em festivais na África e Europa, Os filhos de João será distribuído comercialmente em março de 2011. Agora é assistir e reviver.

paquito

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Com direcao de Marcelo Sirangelo, com quem quero encontrar para lancar esse maravilhoso trabalho no cinema.

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Anos setenta , parte 3

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Anos setenta parte 2

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Fazendo historia em busca da Luz , Paz e Amor… no que acredito

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O Jorginho Gomes tocando cavaquinho foi outra recuperação desse instrumento-criança. Com uma capacidade de composição originalíssima, ele criou um tipo de chorinho no estilo Waldir Azevedo que é diferente do estilo de Jacó. . No Brasil, temos o xote, baião, coco, xaxado, produtos de uma região e compostos para sanfona.o nosso Jorginho Gomes compôs uma música instrumental chamada “Um Bilhete Pra Didi” que entrará na história da música instrumental brasileira. No shows dos Novos Baianos Charles Negrita criou uma dança que ele chamava “Dividido por Três”. Era de um visual de levar a platéia ao êxtase. Jorginho, entre outras, criou, de parceria com Pepeu, “Alimente”, no estilo de um “Bilhete Pra Didi”. Eu dera esse título quando ele, Didi, ainda estava na Bahia sendo apenas uma criança musical. Jorginho foi o grande compositor de chorinhos da década de 70.

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