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Archive for Dezembro, 2010

Com apenas quinze dias em São, nós já estávamos conhecidos na cidade através da televisão. Atingíamos toda espécie de público. Íamos tanto a programas populares. Tipo Hebe Camargo e Chacrinha, como também participávamos dos produzidos para uma elite cultural participávamos dos produzidos para uma elite cultural, como o de vanguarda produzido e dirigido por Fernando Faro na TV Tupi. Aparecíamos tanto na televisão que, não conseguíamos nos ver em alguns programas porque no momento em que estavam sendo levados ao ar, nós estávamos gravando outro.

Aconteciam coisas assim: o pessoal da emissora marcava uma externa conosco e na hora da filmagem chovia. Um problema para a produção, que nós resolvemos propondo uma interna, onde colocávamos o Playback de Ferro na Boneca e fazíamos o clipe com o grupo saindo de um lava-carro como se de um túnel de futebol. Você, reparando bem, pode ver a semelhança. Acertamos na mosca, o público adorou de um jeito que nos parava na rua para contar a cena. Um entrou em campo cuspindo no chão, com a câmera pegando o close, o outro, se benzendo e entrando com o pé esquerdo,propositadamente, dando bandeira disso, enquanto outro dava uma cambalhota. A Baby entrou fazendo “pontinhos” com uma bola imaginária e depois a controlando na cabeça, sem deixá-la cair.

Antes mesmo de interar um mês naquela cidade lançamos um compacto simples com as músicas De Vera e Colégio de Aplicação.

 

 

De Vera (Letra: Galvão – Música: Moraes)

Estou falando de Vera/ De Vera/ De Vera e da primavera/ Falando de Vera/ E da primavera/ Só me sinto bem/ quando vem/ Quando vem/ Vem a primavera/ Só me sinto bem quando vem/ Quando vem/ Vem a primavera/ Com os seus passos mansos/ Leves, lentos, mornos/ Para o verão/ Ligue os olhos vocês verão/ Vocês verão/ De Vera/ Estou falando de Vera/ De Vera/ Só me dá cansaço/ O passo o laço/ Dos olhares côncavos/ De palavra gastas mudas/ Tardes mortas/ Para viagem/ De ver as coisas As coisa primas/ Da primavera.

 

 

Colégio de Aplicação (Letra: Galvão – Música: Moraes)

No céu azul/ Azul fumaça/ Uma nova raça/ Saindo dos prédios/ Para as praças/ Uma nova raça/ No céu azul/ Azul fumaça/ Uma nova raça/ Saindo dos prédios/ Para as praças/ Uma novo raça/ No céu azul/ Azul fumaça/ Uma nova raça/ Saindo dos prédios/ Para as praças/ Uma novo raça/ No céu azul/ Azul fumaça/ Uma nova raça/ As palavras correm/ Pelos pensamentos/ No céu azul/ Azul fumaça/ A vida e morte calçam igual/ Na geração em busca/ Nem o bem, nem o mal/ O próximo passo/ É a razão.

E o passeio vida de Novos Baianos pela garoa paulista foi anos mais tarde eternizado pela obra prima da citação musical de Caetano Veloso em Sampa que está gravada até por João Gilberto.

 

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Ao encontrarmos com João Araújo em São Paulo mostramos as duas músicas nascidas recente e contamos a história vivida no ônibus. Ele depois de rir a beça falou: “a primeira das surpresas que falei é que vocês vão colocar uma música no Festival da Record e a segunda vamos encontrar agora com Marcus Lázaro para assinar contrato com ele. Sugerimos Ferro Na Boneca mas, João Araújo falou para botarmos De Vera que além de linda é uma música doce, no momento o Brasil está precisando disso.

Assinamos com Marcos Lázaro que era o maior empresário da MPB, e Monica Lisboa sobrou no lance mas, foi importante pela dica da introdução da cantora ao grupo. Marcos Lázaro nos hospedou no Hotel Paramount que ficava no centro da cidade, e lá moravam vários artistas e entre ele o grande Orlando Silva, que nos anos 50 fora chamado o Cantor das Multidões. Um dia me aproximei e disse ser amigo e conterrâneo de João Gilberto, que me falara ter sido, ele Orlando quem o influenciara, e não os que algumas pessoas da imprensa falam. Essa verdade sobre a Bossa de João, eu constatei alguns anos depois quando visitei o artista plástico e maior colecionador e discos da MPB, meu conterrâneo o juazeirense Miécio Café que me disse que João quando chegou da Bahia ia sempre a sua casa para ouvir música e só ouvia Orlando Silva. Ele deu uma risadinha rápida e discreta, e voltou ao sério e se despediu entrando no elevador. Sofri naquele momento por ver que o cantor de maior sucesso na minha adolescência, se tornara um homem triste.

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