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Archive for the ‘MUSICA’ Category

Quem passa hoje na Lapa nem desconfia que ali os grandes compositores Wilson Baptista, Geraldo Pereira e tantos outros fizeram sambas e tornaram aquele lugar histórico na vida da música popular brasileira.Alguns desses sambas João não gravou ainda, mas já cantou para mim e outros amigos na intimidade do seu apartamento. Boas Festas e Brasil Pandeiro do seu amigo o baiano Assis Valente, são exemplos disso e Novos Baianos gravou ambas nos anos 70, motivado pelo cantar, sucessivas vezes, lá na cobertura  em Botafogo onde o Maestro freqüentava. E como não captamos sua mensagem, fomos alertados pelo mestre da   a música e da Bossa, para a beleza, o balanço  do samba de Assis Valente e principal para  o previsto sucesso no rádio e que realmente ocorreu. Eu discípulo, fico pensando em algumas músicas que ele as toca já há algum mas aparecem ainda no seu repertório gravado. Tem uma que ele já vem cantando nos shows e qualquer dia desses, ele grava, porque eu já estou sentindo como naquela brincadeira de criança onde um esconde uma coisa e quando um dos brincantes se aproxima do objeto escondido, o escondedor diz: “está quente”. Trata-se da belíssima Que Rei Sou Eu de Claudionor Cruz. O meu pedido tem o forte argumento de que vejo João dentro da letra e porque a música também é sua cara.

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A gravadora RGE. Fermata reservou o estúdio para gravarmos o nosso próximo disco, que seria um compacto duplo, lançado em 1970. Chamamos o Lula Martins, que estava afinado com o nosso trabalho, para fazer a capa. Ele transmitiu o nosso momento e da geração através do colorido, da expressão rebelde que ele colocou no meu rosto e no de Moraes e Paulinho Boca. Baby Consuelo havia nos deixado para tentar pela primeira vez a sua carreira individual, e por isso esteve ausente nesse trabalho. Nós tínhamos prontas as músicas Globo da Morte que tínhamos feito inspirados em Jimmy Hendrix, Psiu que foi baseada na personalidade de Dona Vitória a vizinha que tivemos lá no Rio de Janeiro, na Rua Maria Angélica, no Jardim Botânico. Dona Vitória era uma velhinha nordestina de 70 anos e que dizia: “Eu só mando na minha pessoa”. E apontando para nós, arrematava: “E nas pessoas que eu mais gosto, ninguém manda não”. Colocamos as suas palavras integralmente na letra de Psiu. Tínhamos ainda “Mini-Planeta Íris”, que retratava o movimento da juventude nos anos 70. Observamos que faltava ainda uma música para completarmos o disco. E o pensamento me levou de volta a Juazeiro, minha terra, onde tive um caso de amor com uma garota chamada Socorro. Esse amor deu pano pras mangas. Ela tinha me trocado por outro, quando eu fui numa excursão para a Argentina, e contarei com detalhes mais pra frente, quando contar como fiz a letra da música “Preta Pretinha”. Naquela viagem eu sentira saudade dela e no dia 29 de outubro eu passei um telegrama para ela cujo texto foi: “Socorro! 29 beijos, Luiz Galvão”. A música que completou o disco levou o nome de “29 Beijos” e a letra a seguinte: Eu não quero mais/Preocupation comigo/E nem de leve/Águas assadas/Canto e recanto de lágrimas/No meu coração/Eu não quero não/Espero lhe ver/Lhe encontrar/Tenho 29 beijos/Pra lhe dar. Para nós aquele acontecimento musical teve a importância de dar o pontapé inicial no sucesso da nossa carreira.

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Felipão foi o segundo Road Manager, do grupo. Ele era um engenheiro mecânico que fora demitido da Petrobrás, em 68, num ato arbitrário da ditadura militar. Só com o retorno da democracia, Felipão e outros demitidos do Brasil inteiro receberam indenização. Soube que Felipão comprou um sítio em Araruama e hoje vive a paz em São Conrado e me hospeda quando vou ao rio de Janeiro . Foi ele que conseguiu o show da grande arrancada dos Novos Baianos para o sucesso na boate Number One. Felipão deixara quase todo o seu passado e casara-se com os Novos Baianos, mudando-se para o sítio da Boca do Mato, passando a viver a filosofia do grupo. Até Cristina, sua mulher, uma loura carioca das mais bonitas do seu tempo, separou-se dele mas, não resistiu ao amor e foi ser uma nova baiana, e com ela, foram Natália e Cristina, filhas do casal. Novos Baianos era uma família, em que os componentes eram parentes ou não. Lembro-me nitidamente de um acidente que Natália sofreu. Ela avistou Cristina

comigo no outro lado da Rua Jardim Botânico e, na tentativa de atravessar a rua, foi atropelada por um ônibus que a lançou a uns quatro metros. Imaginei coisa pior mas, quando a apanhei nos braços, senti vida, embora ela estivesse desacordada. Todos sentimos como se fosse uma filha nossa.

Estávamos em 75 e procurávamos um teatro para fazermos uma pequena temporada, constatamos que todos os existentes no Rio de Janeiro estavam ocupados. Felipão encontrou uma solução assinando um contrato de três dias de show no cine Bruni 70. Dois filhos do Lívio Bruni, que era o proprietário, montaram uma firma para realização de shows musicais, transformando o cinema em casa de espetáculos. Isso fora acertado através do jornalista Tarso de Castro, que estava namorando a irmã deles. O engraçado dessa história foi não ter sanitário no camarim. Para ser realista, não havia nem camarim; apenas um espaço na lateral do pequeno palco fora improvisado para tal. Quando se aproximava o início do espetáculo, alguém do grupo sentiu uma dor de barriga, pediu um jornal e falou: “Olhe todo mundo pra lá, que eu vou fazer as necessidades fisiológicas aqui mesmo”. As palavras foram mais populares. Todos obedientes e de costas para a cena, quando fomos surpreendidos por uma comitiva que trazia nada mesmo que o Rolling Stone Keith Richards, para nos apresentar. As pessoas se aproximavam e nós riamos, deixando-os perplexos. Gato Félix disse-me que na comitiva estava Florinda Bolkan, e parece que também Bianca Jagger. Como baiano costuma cantar o milagre mas, não dizer o santo, bem que o autor da anti-façanha pode ter sido eu, mas deixo a dúvida para o leitor. O astro internacional não entendeu nada, mas assistiu tudo. Como não tínhamos mais tempo, pedimos licença e entramos no palco, e Keith Richards foi levado para sentar na primeira fila. Livinho, que era doidão, pegou o dinheiro da bilheteria e deu no pé. O irmão dele e Tarso de Castro, depois, acertaram tudo.

Nosso amigo Felipe é uma pessoa da qual podemos dizer que tem um coração de mãe, nunca vi ninguém tão prestativo, e somado ao seu grande relacionamento na área, o grupo e a comunidade dos Novos Baianos ganhou bastante com ele. Felipe chegara seu JK. Eu tinha outro que o meu sócio, em uma mina de mármore lá em Juazeiro me mandara. Cristina trouxera um fusca. O meu carro teve um final Seu Gene ris. Numa excursão do grupo iniciada no verão baiano, em razão da perseguição da polícia, transformamos os dois em um, usando peças fundamentais para o funcionamento do motor, e tivemos que deixar um JK quase inteirinho abandonado em Salvador. Quando voltamos ao local, seis meses depois, nem o chassis restava para contar a história.

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