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Posts Tagged ‘FUTEBOL’

Houve dias de fartura, no período com Marcos Lázaro, no tempo com a gravadora Som Livre e principal*, quando fomos contratados pela Continental quando essa representava a Warner no Brasil, com Alberto Brighton à frente.

Tenho visto alguém falar: “Já passei fome e hoje estou nessa condição boa…” A fome citada como valorização mas, nos Novos Baianos tivemos três dias de fome, e embora não tenha esquecido, não tenho saudades e não desejo pra ninguém semelhantes três dias.

O primeiro aconteceu justo no dia de grande alegria quando o Brasil

ganhou a copa do mundo de 70, com aquele timaço histórico: Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, e Everaldo. Clodoaldo, Gerson, Pelé e Rivelino, Jairzinho e Tostão.

Naquele dia o meu professor de matemática lá do Ginásio Juazeiro, em minha terra, onde estudei, descobriu que eu morava perto dele, e veio pela primeira vez visitar-me. Assistimos à copa regrada a cerveja, e quando o árbitro deu o apito final, na nossa imaginação e ansiedade, chegamos a ouvi-lo. Após os abraços e a saideira*, os visitantes se foram e em casa ficou só o grupo. Aí o bicho pegou, porque veio a fome e não tínhamos nada pra comer. O açougue de seu Adágio, e o armazém do português Seu Patrício, que nos forneciam fiado, estavam fechados, aliás, não havia nada aberto a não ser os corações brasileiros. O remédio foi dormir na tentativa de sonhar comendo. Não lembro se alguém do grupo teve esse privilegio mas, em todo caso é sabido que o sono alimenta.

De outra feita, Novos Baianos foi do Rio de Janeiro para Itabuna, na Bahia, para fazer um show e um jogo de futebol contra o Itabuna F.C, time profissional que disputava o campeonato baiano de primeira divisão. Os jogadores da Seleção Brasileira, Afonsinho e Nei Conceição, nossos grandes amigos, vieram reforçar o nosso time. Também Biribinha que jogara no Vasco e depois fora mostrar seu futebol nos Estados Unidos da América, também veio ocupar a ponta esquerda com seus dribles desconcertantes e alegrar a turma com seu jeito engraçado de ser. Não tínhamos almoçado mas, resolvemos manter o jogo e entramos em campo, jogamos empatamos e depois voltamos pra casa que alugamos na Boca do Rio com as mãos abanado e os estômagos famintos e mais uma vez se repetiu o dormir sonhado acordado com frango peixe e omelete. Só no dia seguinte é que o dinheiro chegou no banco. E assim a Sonhos dançou, e o sonho acabou.

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O sitio estava lotado de gente naquele dia com pessoas da redondeza, porque correu a notícia que Afonsinho, Ney Conceição, Paulinho da Viola e Jairzinho estariam presentes na pelada. Os compositores João Nogueira e Abel Silva eram esperados mas, não vieram. Evandro Mesquita, que é bom de bola, também veio, mas, não era famoso ainda. A nossa Baby de calção, meião e tênis, estava no meio dos homens, e embora não fosse craque, compensava a falta de habilidade, com empenho e raça. Fazia uma marcação tão forte, que eu não gostava de ser marcado por ela, e a escolhia sempre para o meu time, quando eu tirava o baba no enxuto ou molhado ou no cara ou cora. Baby sabia cabecear e sempre fazia o seu golzinho de cabeça.

Rolava muita laúza*, e por isso tínhamos o quadro de árbitros e mesmo assim, só não acontecia briga mas, discussão era o que não faltava

Chegou à hora de escolher o e alguém notou que faltava goleiro para os dois times e abriu o bico. Eu tive uma idéia e falei: “Cangica e Beldade podem pegar no gol. A sugestão foi, por unanimidade, aprovada no ato.

Cangica falou pra Beldade: “Menina! Bote o short e vai pro teu gol.

Você vai agarrar as bolas. “

E Beldade perguntou: “Só!”

E a risada outra vez foi geral.

 

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Rio Sao Francisco, Foto de Euvaldo Macedo

Foi dentro daquele momento de inspiração que nasceu também Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora, quando por minha cabeça passaram reminiscências da minha infância lá em Juazeiro da Bahia minha terra natal mas, o sentimento que comandou o enredo da letra veio fruto da minha rebeldia, que começara em Juazeiro nas minhas rusgas com os moradores que ficavam P da vida ao ver suas ruas transformadas em campos de peladas e pelas boladas nas janelas de suas casas, algumas acidentais e outras propositais. Calma os leitores não baianos! Pelada de rua, além de rimar pode significar mulher nua, mas no caso trata-se de futebol na praça. Essa língua portuguesa é que tem dessas: manga deliciosa fruta, manga da camisa, a pessoa que manga dos outros quando debocha. Existem algumas outras palavras que têm vários significados. Os cariocas, talvez por isso, chamem de baba o futebol praticado no meio da rua e nós baianos, soteropolitanos ou nativos do interior dizemos pelada, mas deixemos de divagações e voltemos a nossa guerrinha com a vizinhança da minha infância que não era fria nem quente, classifico-a como morna, porque os moradores embora insatisfeitos, não se manifestavam por estar sempre sujeito a existência de um menino parente participando daquelas peladas, porém o inimigo era um soldado enorme, conhecido como Carrasco, o qual cismava com nosso jogo no meio da rua, e tentava acabá-los mas, a meninada o colocava no “bobinho”, só que não podíamos dar o mínimo vacilo, porque ele na nossa frente furava com seu sabre a inocente bola, e vocês não imaginam a fúria do Carrasco estraçalhando-a. Doía tanto em nossos corações meninos e calouros, ao ponto de sentíamos até o sangue sair da bola, junto com o ar.
Nas festas juninas de São João e São Pedro, meus pais, nos fins de semanas e nas férias me levavam para Carnaíba, distrito de Juazeiro da Bahia, onde morava meu avô materno Pedro Dias, e num daqueles São João quando eu já estava com quinze anos, fui premiado com a resposta da vida.
Alguém jogou um busca-pé que veio na minha direção e, quando quase me alcançava, escondi-me atrás do Carrasco, segurando-o, enquanto o busca-pé queimava a sua farda, descontando a dor da bola e da meninada. O Carrasco só não me jantou porque em Carnaíba só tinha dois soldados, e da minha família estavam ali mais de trinta. O homem ficou vermelho mais que a chama da fogueira, e quis me pegar mas, foi impedido por meu pai que além de vereador tinha fama de valente, embora não me lembro de tê-lo visto brigar nem de boca quanto mais na mão. O Carrasco teve que engolir calado o sermão de meu velho com voz alterada e o dedo indicador em riste. Meu pai apesar de durão, nas horas precisas, procurava ser justo, e mandou seu motorista levar furador de bolas para o hospital a fim de fazer os curativos. O ponto central do enredo dessa letra foi a historia do jovem Tadeu, que eu não o conheci, mas era irmão do meu amigo Oseinhas. Tadeu morreu atropelado quando corria atrás de uma bola mo meio da rua. Aquele acidente ficou bem registrado na minha memória por ter ocorrido na Rua 15 de novembro, próxima a casa da minha mãe, naquele campo clandestino onde também joguei muita bola, tanto quando aquela Rua ainda era de areia e sem calçamento de paralelepípedo ou asfalto, e também quando teve uma quadra de esportes onde joguei vôlei, basquete e futsal.
Em Juazeiro também estudei agronomia e depois de concluir o curso universitário trabalhei três anos mas, abandonei a carreira pra tornar-me um novo baiano.

Eis a letra de Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora.
Desde lá, quando me furaram a primeira bola/ No meio da rua/Na minha terra/ Quer dizer/ Em Juazeiro onde se dá o mesmo tem Ituaçu/ Desde lá, quando me furaram a primeira bola/ No meio da rua/Na minha terra/ Quer dizer/ Em Juazeiro onde se dá o mesmo tem Ituaçu/ Ô,ô,ô a vizinha tem vidraças/ Tem sim sinhô/ Ô,ô,ô a vizinha tem Vidraças/ Tem sim sinhô/Aos meus olhos bola, rua, campo/ E sigo Jogando/ Porque sei o que sofro/ E me rebolo para continuar menino/ Como a rua que continua uma pelada/ E a vida que há do menino atrás da bola/ Pára carro, pára tudo/ Quando já não há tempo/Para apito, para grito/ E o menino deixa a vida pela bola/ Só se não for/ Brasileiro nessa hora!/ Só se não for brasileiro nessa hora!

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A última vez que vi Zé Baxinho foi em 1999 eu fora a São Paulo,precisei ir ao Centro da cidade comprar não lembro o que. De repente um jovem reconheceu-me e convidou-me para ir até sua casa que onde havia umas fotos que ele batera no show que fizemos em 99, no Pálace, uma casa de show em Sampa Saí feliz da vida com as fotografias e fui pegar o metrô, e o trem foi parando devagarzinho e os vagões todos quase vazios, foram passando a minha frente o primeiro, o segundo, terceiro e eu, sem conseguisse mover-me para buscar o ponto na hora em que as portas fossem abertas para minha entrada, e fui dizendo para mim mesmo não quero esse, nem esse , nem esse outro até que chegou o derradeiro onde entrei e logo vi o músico da banda dos Novos Baianos, o meu amigo Baixinho que me apresentou o seu filho também baterista como ele o pai. Fiquei encabulado, porque, olhando para Baixinho senti pela cor da sua pele, que ele não viveria muito tempo, como realmente veio a ocorrer cerca de uns seis meses depois daquele misterioso encontro. Baixinho e o filho saltaram uns três pontos depois, e o nosso papo foi curto, mas o suficiente para ficar guardado na memória, e eu sentisse que aquilo foi coisa de Deus. A alegria nossa por nos revermos e nos despedirmos, lance não me deixa dúvidas da importância espiritual daquele nosso último encontro, ali estava a minha poesia, a percussão de Baixinho, os dribles do grande ponta direita discípulo primeiro de Garrincha, a minha visão de jogo que sempre se entendeu e somou com a beleza e objetividade do futebol de Baixinho. E acima de tudo a boa amizade que vivemos no apartamento de Botafogo, no sitio da Boca Do Mato, Na casa do Pacaembu e na rua Casa do Ator.

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Galvão do Novos Baianos F. C. disputando a bola
com Cristiano do time de Ipanema

Tínhamos dois campos, ou melhor, dois gramados. O pequeno, do tamanho de uma quadra de futebol de salão, ficava na entrada do sítio. O outro, com dimensões oficiais da FIFA, que pertencia ao Guanabara Esporte Clube de Jacarepaguá, nós alugávamos constantemente. Gozávamos das graças da diretoria, éramos amigos do presidente Arnaldo. Esse campo tem uma origem interessante: Arnaldo era enfermeiro de um hospital de doentes mentais, portanto, de família classe média mas, que nascera ali no pedaço, por isso ficara proprietário de uma grande área da pouca valorização quando adquirida. Ele, como líder da família, convenceu os membros proprietários a doarem ao Esporte Clube Guanabara, que fora fundado por eles a área de 30 mil metros quadrados.
No primeiro dia de Luis Melodia jogando no baba do sitio, os flamenguista, Moraes,Pepeu e Baby jogaram vestidos de Flamengo, mas depois do baba rolou música, e a rivalidade entre os torcedores dos dois times rivais ficou minimizada no computador da amizade que perdura entre todos nós e Melodia.

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