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Posts Tagged ‘IMPROVISO’

Daquela casa, uma das lembranças mais significativas foi a desse balanço acrobático mostrado acima. Vocês podem comprovar pela fotografia a vida de criança que tínhamos quando parávamos as atividades de rua e os ensaios em casa para brincarmos de balanço. Pode alguém argumentar que tal brincadeira não é tão fascinante assim mas, a foto não mente. Nossos balanços estavam armados no alto de dois ciprestes italianos. Era só passar o cinto de segurança improvisado e voar, com a ajuda de alguém que empurrava o passageiro para o balanço ganhar velocidade. Estes funcionavam no ar como se fossem naves espaciais de parque de diversões. Não mostrei ainda o perigo e a emoção que tais brinquedos proporcionavam tanto para os balançados como para os que assistiam a cena. Eu só experimentei uma vez.
Imagine uma casa que ia de uma rua a outra, tendo sua parte principal, onde ficava instalado um balanço, em frente ao cemitério, enquanto o portão dos fundos ia dar numa rua embaixo, em função do declive acentuado do terreno. Em determinado momento passava um ônibus pela rua de baixo e o balanço que vinha da rua de cima sobrevoava o ônibus para espanto e gozo dos passageiros. O tripulante do balanço chegava quase a se esporrar de felicidade. Imagine se uma corda daquelas, por mais nova e testada que fosse, viesse a quebrar? Valeu pelo real e pelo temporal que foram aqueles dias, de outra infância que o tempo não conseguiu apagar.

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Gattto Felix, Ator dancarino dos Novos Baianoa

Final de 95: estou lendo no jornal uma reportagem sobre os presos de uma penitenciaria em Goiás, seqüestrando as autoridades para negociar a sua liberdade; procuro sentir o sofrimento dos reféns mas, não posso deixar de reconhecer no jovem marginal Leonardo Pareja o desperdicio daquela inteligencia , liderança e capacidade de decisão. Fico examinando o pronunciamento do jornalista Boris Casoy, que do pedestal do seu microfone diz: “Acho um absurdo que um bandido perigoso como Pareja possa estar sendo transformado, pela população, em herói, dando entrevistas, quando ele não passa de um criminoso com pouca ou nenhuma possibilidade de recuperação”. Consigo ve o violao que ele toca no telhado e acho um espaço para rir das peripécias do Pareja, enganando, na fuga, toda a polícia acionada e aparelhada até com helicópteros. Troco de canal e encontro um filme do Chaplin, no qual Carlitos corre, sobe e desce escadas, e ludibria o guarda barbudo, pegando um abajur para disfarçar, e coloca sobre sua cabeça, fingindo ser um lustre. Por meio dessas associações, lembro-me de um fato passado com os Novos Baianos, na fase do grupo que fez parte deste capítulo. Em 77, fazíamos uma temporada na boate Bebop a Lula, que ficava na Avenida Santo Amaro. Atraída pela multidão de jovens cabeludos que lotava as imediações da boate, ou pelo cheiro forte de maconha queimada, baixou a polícia, dando uma revista de mesa em mesa, em procura de cocaína e maconha. Gato Félix, aquele crioulo escolado, sabendo que a discriminação racial se reflete, principalmente, na ação da polícia, botou um avental que estava dando sopa, pegou uma bandeja que também estava com os copos cheios de bebidas, fingiu ser um dos garçons da casa, e serviu os clientes, deixando os homens da polícia sem perceber a farsa.

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