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Posts Tagged ‘Juazeiro’

 

No outro dia, uma quinta-feira, João me telefonou marcando o nosso encontro para 10 horas da noite. Nada podia ser melhor naquele dia, ele estava alegre e ofereceu-me um banquete com postas de badejo que ele sabe ser meu prato preferido. Ele cantou quase que sem parar e o fez até às 5 horas da manhã. Foi nesse dia que eu senti que ele estava falando fatos históricos para que eu os colocasse aqui. Eu saí feliz, feliz e feliz.

Voltando àquele 18 de outubro, tive a felicidade de ser presenteado com mais um show particular do especial artista João Gilberto, que pegou o violão e começou cantando a música de Tom Jobim e Billy Blanco “Sinfonia do Rio de Janeiro”. Quando chegou ao final e fez-se silêncio, eu falei “João essa música é linda e eu só ouvi assim inteira, duas vezes.” A primeira lá em Juazeiro e já se passaram 40 anos para que eu voltasse a ouvi-la hoje. Naquele dia eu me encantei tanto que pedi para que você gravasse e agora refaço o pedido. João respondeu: “É Luizinho, o Tom faz coisas que só ele. Quanta beleza! O Tom é o açúcar no ponto. O Billy também é bom.”

E João voltou a cantar e dessa vez trouxe uma música que eu acordara pensando nela e durante o dia não me saíra da cabeça. Quando ele cantou, não digo como muito se fala “Veio matar meu desejo mas que veio ao encontro, porque sempre estarei desejando ouvir “Segredo” música de Herivelto Martins e Marino Pinto. É claro, na voz de João. Depois da imprevisível interpretação, falei: O Herivelto Martins além da poesia ele se coloca na história, não como vítima ou acusador mas como conselheiro. O que se fala por aí é que ele a fez para Dalva de Oliveira quando eles se separaram e é tão real e bem feita que quando cantada torna-se um túnel no qual entramos, sentimos o drama e saímos felizes pela poesia vivida. Um amigo meu, o Felipe Guimarães, que por sinal talvez seja quem mais ouve João Gilberto no mundo coloca diariamente na vitrola 5 CDs de João e o faz dentro de um ritual que mesmo que toque o telefone ou a campainha da porta, ele só atende após o término de uma interpretação. Em compensação, ele aprendeu dessa forma a tocar tamborim e para isso veio estudando cerca de 4 anos e diz: ”Acompanhar qualquer um não é fácil, mas João Gilberto requer o máximo de concentração, o mínimo de descuido tira o percursionista da Bossa.” De Herivelto Martins, Felipe disse uma coisa que eu achei interessante “Ele era tão grande e amou tanto Dalva de Oliveira que mesmo separado fez essa música que veio ser sucesso na voz dela e ainda trouxe dinheiro para auxiliá-la no caminho da felicidade.”

O que pude observar de longe é que eles eram assim e expunham travando um bate-boca através da música e do rádio. Ele mandava Segredo e ela respondia cantando uma outra geralmente de Marino Pinto.

Depois da minha fala, João cantou “Que Será?” – de Marino Pinto com Mário Rossi: Que será ? / Da minha vida sem o teu amor/ Da minha boca sem os beijos teus/ Da minha alma sem o teu calor/ Que será ?/ Da luz difusa no abajur lilás/ Que nunca mais/ Irá iluminar/ Outras noites iguais/ Procurar/ Uma nova ilusão/ Não sei/ Outro lar/ Não quero ter além daquele que sonhei/ Meu amor/ Ninguém seria mais feliz que eu/ Se tu voltasses a gostar de mim/ Se teu carinho se juntasse ao meu/ Eu errei/ Mas se me ouvires me darás razão/ Foi o ciúme que se debruçou sobre o meu coração.”

Vale a pena também estudarmos “Segredo”“Segredo”

Quando eu ouvi essa música na gravação de João Gilberto é que me liguei nas imagens contidas na letra, mas fiquei com a pulga atrás da orelha com a frase “A felicidade pra nós está morta”. Isso porque me pareceu extremamente negativa. Examinando todo o contexto da história percebi tratar-se de um alerta, ao contrário do que eu estava pensando ser uma consumação. Explico: A letra na sua Segunda parte é toda um alerta. “Quando o infortúnio nos bate à porta/ E o amor nos foge pela janela/ A felicidade para nós está morta…” Existe um “quando” para indicar uma situação possível. E para cobrir toda a negativa possibilidade, vem a frase providencial: E ao aparecer: “Para o nosso mal não há remédio. Os autores resolvam com o carinho e o amor da palavra coração e nas entrelinhas trás a conformação, deixando claro que é maneira correta de terminar uma relação conjugal, onde permanece o amor mesmo com a separação. “Ninguém tem culpa da nossa desunião.”Uma coisa que eu gosto bem em João é que ele dificulte o encontro, principalmente quando estamos há muito tempo sem vê-lo,  


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Em 1990 eu estava dirigindo o Centro Cultural João Gilberto um órgão estadual em Juazeiro da Bahia, uma peça de teatro que escrevi, trabalhei de ator ao lado da atriz Regina Dourado, conhecida nacionalmente e dos atores de Salvador Frieda Gutmman e Carlos Queixo os locais Paulão e Odomaria. São Francisco Help foi dirigida por Paulo Dourado e encenada lá em Juazeiro.

A musica tema do espetáculo, fiz inaugurando uma parceria com Geraldo Azevedo, acaba de chegar ao mercado, através da gravadora Biscoito Fino, o CD intitulado “Salve São Francisco” . Nesse trabalho temático, Geraldo lança luzes sobre o rio que aprendeu a conviver e a respeitar desde criança. Gravado entre 2008 e 2009, somente agora o produto está sendo lançado e esse trabalho vem em muito boa hora quando a outrora tão discutida transposição do Velho Chico parece ter sido de certa forma esquecida pela mídia. Composto por doze canções, o CD vem recheado de participações especiais. Cada uma das faixas traz um artista diferente, com exceção de “São Francisco Help” (de Geraldo em parceria com Galvão) que conta com a presença de cinco dos convidados. E em especial Ivete Sangalo com quem ainda menina em juazeiro, marcou sua presença somando comigo no palco abrindo um Show de Geraldinho, cantando Preta Pretinha , e A Menina Dança. Me encanta também escutar a doce Fernanda Takai e Djavan.

Geraldo Azevedo segue na estrada, desta feita cantando o rio da integração nacional. Sua trajetória musical é marcada pela sinceridade e coerência. Vale a pena conhecer!


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Não se pode falar da passagem do rio S. Francisco em Juazeiro sem incluir Petrolina. As duas cidades formam mais que um par romântico, seja na dança clássica, na gafieira ou na poeira de um terreiro de forró; seja como uma dupla arrasadora de área, no bom sentido de ataque ao gol, ou até como um casal dito perfeito de mãos dadas ao luar. Vejo-as dois pensamentos diversos, dois ângulos opostos de um mesmo vértice. Distintas são, cada uma no seu argumento, no seu talento. Juazeiro ganha em arte, é claro, porque deu João Gilberto; e Petrolina, em progresso, pela organização de seus construtores. Ë o lazer e o trabalho se completando. Memória e pensamento habitando a mesma cabeça. Como hoje é sabido, lazer é trabalho feito para divertir, vira combustível para sensibilizar corações, da mesma forma que trabalho vira lazer quando se faz o que se gosta. E é aí que as duas cidades completam a paisagem que margeia o rio em cujas águas João Gilberto nadou entre os peixes, atirou pedrinhas em sua superfície e colheu inspiração para a música Undiú.

O título original de Undiú é Lamento da Morte de Dalva na Beira do Rio São Francisco, em Juazeiro. Foi composta no final dos anos 50 para integrar a trilha-sonora Seara Vermelha. O filme, baseado no romance de mesmo título de Jorge Amado, foi dirigido por Alberto D’Aversa em 1963. D’Aversa, um italiano que se radicou em São Paulo e trabalhou no Teatro Brasileiro de Comédia, chamou o maestro Moacir Santos para fazer a trilha-sonora. Ele pôs Lamento da Morte de Dalva no filme, João Gilberto a gravou, com o título de Undiú, no seu álbum de 1973. Eu estava la de olho acompanhando o elenco hospedado no predio dos correios.

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JUAZEIRO – BAHIA

Tive o privilégio de nascer em Juazeiro, cidade que revela uma genuína vocação materna para acolher ilustres nomes culturais. Dentre estes, sem dúvida, destaca-se João Gilberto, talento artístico mundialmente reconhecido, quer na música, quer no vivenciar da poesia, no canto, na fala, nos gestos e até no inconfundível jeito de ser.

A alegria presenciada por todos que a visitam e o reconhecimento do carisma que a transformou em Princesa do S. Francisco se refletem no sorriso maroto de João, herança de afinidade: ar, latitude e águas traduzidos pela sensibilidade em acordes dissonantes, silêncio enigmático, mas cativante, e peraltas surpresas da arte. Tudo respiração do coração/violão de João Gilberto. Talvez por isso se diga que quem bebe das águas do S. Francisco sempre volta, não para matar a sede, mas para atender seus apelos. O mesmo acontece com quem ouve o som balbuciado de João, suave mas nítido, cristalino, novo como um ovo sempre a dar vida e sem o qual não se pode viver. Falamos da arte mais focalizada em zoom − a música.

Não se pode falar da passagem do rio S. Francisco em Juazeiro sem incluir Petrolina. As duas cidades formam mais que um par romântico, seja na dança clássica, na gafieira ou na poeira de um terreiro de forró; seja como uma dupla arrasadora de área, no bom sentido de ataque ao gol, ou até como um casal dito perfeito de mãos dadas ao luar. Vejo-as dois pensamentos diversos, dois ângulos opostos de um mesmo vértice. Distintas são, cada uma no seu argumento, no seu talento. Juazeiro ganha em arte, é claro,
deu João Gilberto; e Petrolina, em progresso, pela organização de seus construtores. Ë o lazer e o trabalho se completando. Memória e pensamento habitando a mesma cabeça. Como hoje é sabido, lazer é trabalho feito para divertir, vira combustível para sensibilizar corações, da mesma forma que trabalho vira lazer quando se faz o que se gosta. E é aí que as duas cidades completam a paisagem que margeia o rio em cujas águas João Gilberto nadou entre os peixes, atirou pedrinhas em sua superfície e colheu inspiração para a música



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Aniversario

Hoje, dia em que estou inteirando setenta e quatro anos com disposicao do menino correndo com a bola,  recebendo os amigos , arrodeado dos meninos, da musa , chegando de Juazeiro onde recebi o amor de meu povo e bebemos da agua do mesmo saofraciscano rio por onde sempre navego.de encontro com a Poesia  Lingua de Deus e Minha, feito Show que estrearemos dia 17 de junho no Teatro do Irdeb Salvador-Ba e depois desaguando por esse mundao .

Para facilitar o entendimento daquele tempo vivido pelos Novos Baianos, tenho que falar desse assunto complexo e em choque com a área irreal em que atua a sociedade, ou o infantil, preconceituoso e oficioso pensamento de quem se arvora dono da palavra mas, sem grau para tal. As transformações da individualidade de um ser humano, como no meu caso, que passei anos para chegar a essa compreensão de hoje ainda pequena para onde quero chegar.. O que venho aprendendo nesse delicado assunto é que o bom exemplo é o primeiro passo para que o orientado aceite a orientação de alguém. Não adianta alguém pensar que porque sabe alguma coisa basta soltar o verbo para que todos que o ouvem possam receber o ensino passado. É preciso transmitir confiança para o alvo da mensagem. Os livros têm grande importância mas, do cotidiano nos faz desconfiar de soluções ditadas de cima para baixo. O melhor pra quem quer ensinar é se colocar no lugar de quem errou, para encontrar um grau de compreensão, e falar o que aquela pessoa precisa ouvir, e não o que o orientador quer dizer, e acima de tudo mostrar nas suas palavras por mais duras venham pitadas de amor, porque eu quando orientado olho bem esse detalhe. Com isso estou aprendendo que ouvir o outro e exercitar a paciência é o melhor remédio tanto para quem recebe a orientação como para o beneficiado em passá-la. Chego a imaginar que desejar o bem já é uma e fazê-lo, por mais que venha ser para quem recebe tenho quase certeza que melhor ainda é para quem o faz. Tenho recebido o bem e quero nunca esquecer a bondade de alguém para comigo. Ser solteiro é coisa pra adolescente e eu gostei tanto que fiquei naquela até os 47 anos mas, venho aprendendo que paciência se exercita mesmo é no dia a dia de um casal, porque conviver sob um mesmo teto requer a paciência se aproxima da de Jó mas, em compensação é um aprendizado de primeira linha.


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A produção executiva do evento João Gilberto 80 anos Bossa Nova já foi recebida pelo secretário de Cultura do Estado da Bahia Albino Rubim, pelo secretário de Relações Institucionais do governo Jaques Wagner, Paulo Cezar Lisboa, pelo vice-governador e secretário de Infraestrutura da Bahia Otto Alencar, pela primeira dama Fátima Mendonça, pela Superintendência do Banco do Nordeste, pelos deputados Roberto Carlos PDT e Rosenberg Pinto PT e dia 27 de abril está agendada uma audiência especial com a ministra da cultura Ana de Holanda.

A produção foi assistida diretamente pelo deputado federal Daniel Almeida e pelo chefe de gabinete da Serin Pedro Alcântara, subsecretário da pasta. O projeto que também já foi encaminhado para a Petrobrás, grande patrocinadora de mega eventos no Brasil tem despertado muita atenção onde é apresentado.

O objetivo das incursões da produção do evento, que tem contado com o apoio direto da Prefeitura de juazeiro através do secretário Crisóstomo Lima, é trazer recursos para a sua plena realização.

Em será divulgada a “grade” que deverá contar com nomes históricos e expressivos da MPB, marcando o início de um tempo novo para a cultura, colocando o nome de Juazeiro e da região no topo da grande mídia nacional e internacional.

“João Gilberto que completará 80 anos no dia 10 de junho, conversou com a produção e como sempre com muita ética e simplicidade, ficou imensamente agradecido. João gosta de tudo muito quieto e trás dentro de si uma Juazeiro mágica, demasiadamente humana, musical e inesquecível. Ele saiu de juazeiro quando tinha 18 anos para conquistar o respeito e admiração do mundo inteiro’, informou Carlos Maurício Dias Cordeiro (Mauriçola) que integra a produção do evento.

 

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Várias histórias se contam como sendo a real inspiração que me fez escrever essa canção. E sempre, cada uma delas, com uma musa. A certeza e o sonho dessas pessoas são tão fortes que eu passei a acreditar em todas elas. O pessoal de Irará diz ter sido feita “Preta Pretinha” para uma moça de lá mas, pra mim a cidade é que se apoderou daquele nosso momento de amor. Em , outra cidade onde trabalhei, tive outro grande amor, dando oportunidade para as pessoas repetirem a história da inspiração da música “Preta Pretinha” mas, foi em Juazeiro-Ba, onde nasci, que aconteceu a versão mais emocionante sobre a musa de “Preta Pretinha”.

Havia uma garota que era a mais bonita e cobiçada da cidade. Eu, o poeta e um dos artilheiros do Spartacus, time de futebol de salão que, além de pentacampeão da cidade, possuía a maior torcida. Já viram que a dupla chamava a atenção da platéia. Um dia eu viajei para o exterior, e no meu retorno a garota me disse: “Eu não o mereço mais. Eu dancei com outro cara” A cidade estava ouriçada vivendo o acontecimento. Fiquei solidário com Juazeiro conservador, e acabei o namoro. A garota casou com o rapaz, que não tinha só dançado mas, provado da fruta. A bela jovem já se divorciou e deve ter casado mais uma duas ou três vezes mas, para a nossa cidade nós ficamos eternos namorados um do outro.

A minha versão sobre a inspiração de “Preta Pretinha” tem que acoplar todas essas histórias e admitir todas as musas, além da que serviu de pivô, apertando o botão que deve ter provocado a explosão da música. Foi mais ou menos assim: uma jovem combinou comigo para que eu fosse a Niterói conhecer seu pai e, na volta, ela viria morar comigo no apartamento dos Novos Baianos, em Botafogo. Pegamos a barca, conheci o pai dela mas, na volta, ela se arrependeu e voltou para o seu namorado. À noite, escrevi a letra sob o impacto desse insucesso e, na certa, o subconsciente deu uma panorâmica em todas as minhas histórias de amor.

Quando escrevi a frase “Por minha cabeça não passava somente…”, me lembrei de Socorrinho, a minha namorada de Juazeiro no período 61-65, e coloquei: “só somente só…”, em homenagem ao bonito que fora aquele amor juvenil, que ficou registrado nos anais de fofoca da cidade. E pensei: Juazeiro vai dizer que eu fiz essa música para Socorrinho, quando na verdade foi uma longa história recheada de musas. A cidade foi além e, quando vou a Juazeiro, várias pessoas que participaram daquele passado, ou os seus filhos, que ouviram das suas bocas, e com os corações transbordando saudosismo, me perguntam: “E Preta Pretinha?” Eu inocentemente respondo: “Está tocando no rádio”.

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