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Posts Tagged ‘Luís Melodia’

Em 75, houve a saída de Moraes, que foi uma perda irreparável, mas o grupo resistiu bravamente produzindo ainda quatro discos fantásticos. Talvez pela falta de Moraes, tivemos que desenvolver a música instrumental e foi aí que surgiu o chorinho dentro do trabalho dos Novos Baianos. Da mesma forma, Moraes também fez chorinhos na sua carreira individual. Foi muito importante o trabalho de Pepeu Gomes, desenvolvendo o músico que é, trilhando as influências de Jacób do Bandolim, Waldir Azevedo e Luperce Miranda, misturadas à sua garra de roqueiro; o que culminou com o histórico arranjo de “Brasileirinho”, juntando o acústico e o eletrônico. Para isso Pepeu contou com o apoio do técnico de som Salomão. Ele morava conosco para que os músicos pudessem contar com ele a qualquer momento, como também para realizar estudos e experiências até em transformações de instrumentos. Essa mistura do acústico com os instrumentos elétricos já tínhamos alcançado no tempo de Moraes, em “Samba da Minha Terra” e “Dagmar, gravações realizadas na Continental.

Outro grande trabalho foi realizado por Baby Consuelo, revivendo Ademilde Fonsêca, aceitando o desafio de cantar chorinhos de Waldir Azevedo. Foi importante termos passado para a juventude a existência desse ritmo que corresponde ao jazz brasileiro. Foi assim que Art Blakey, músico da história do jazz americano, classificou, quando ouviu o pessoal tocar e cantar lá na casa onde morávamos na Rua Casa do Ator, em São Paulo . Ademilde falou outro dia na televisão que estão matando o chorinho e que só existem três cantoras de chorinho no Brasil. Ela, Baby e Gal Costa. É um absurdo Ademilde não conseguir gravar um disco. Como é que pode? Só no Brasil existe uma indústria de destruição de astros. Foi assim com Orlando Silva, Ângela Maria, Marlene, Emilinha, Cauby Peixoto. Na safra mais recente o sacrificado é Luis Melodia. Não é possível que um disco de chorinho com Ademilde, Gal Costa e Baby Consuelo não seja sucesso aqui e no exterior. As gravadoras e os condutores da mídia preferem investir no descartável e faturar em cima da morte da arte.

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São Paulo – Mais de quarenta anos depois dos Novos Baianos surgirem no cenário da música brasileira, o conceito por trás do coletivo que desafiou a repressão do regime militar vivendo em comunidade e produzindo músicas que mesclavam a sonoridade regional e o samba com o rock psicodélico segue forte, com diversos novos artistas citando o grupo baiano como influência.

A banda paulistana Quebra-Cabeça pode dizer que, além de influência, os Novos Baianos estão no seu DNA, pois três dos seus integrantes são filhos de membros dos Novos Baianos, e um é afilhado do letrista Galvão. Os percursionistas Luam e Tom Morais são filhos de Bola Morais, que fez percussão no lendário grupo baiano, e o baterista Rafael Dolinski também seguiu os passos do pai Baixinho, dono das baquetas nos Novos Baianos. O guitarrista Peu Sousa tocou com o padrasto Galvão e com outro novo baiano, Moraes Moreira, além de tocar no disco Admirável Chip Novo, da cantora Pitty.

O primeiro disco do Quebra-Cabeça, Tudo Pode, que faz parte do projeto “Aos Nossos Pais”, é autoral, com faixas inéditas, mas traz embutida a ideologia por trás dos Novos Baianos, que muito antes da palavra “coletivo” virar moda, levava o conceito ao pé da letra, vivendo, compondo e tocando juntos em um sítio de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A capa do disco é de ç artista plástico identificado com o tropicalismo, e a referência direta ao Novos Baianos é a inclusão da música Colégio de Aplicação em uma das faixas de Tudo Pode.

Para promover o lançamento do disco, o Quebra-Cabeça fez um show em Santos e seguem em turnê com três apresentações marcadas no Teatro do Sesc Casa do Comércio, em Salvador, berço dos Novos Baianos, nos dias 26, 27 e 28 de novembro. Os shows tem participação especial de Baby do Brasil (ex-Baby Consuelo, vocalista dos Novos Baianos e madrinha do Quebra-Cabeça) e do compositor Galvão, representando a banda inspiradora, além do cantor e compositor Luís Melodia, e serão gravados para um futuro DVD ao vivo.

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