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Posts Tagged ‘MUSICA’

Várias histórias se contam como sendo a real inspiração que me fez escrever essa canção. E sempre, cada uma delas, com uma musa. A certeza e o sonho dessas pessoas são tão fortes que eu passei a acreditar em todas elas. O pessoal de Irará diz ter sido feita “Preta Pretinha” para uma moça de lá mas, pra mim a cidade é que se apoderou daquele nosso momento de amor. Em , outra cidade onde trabalhei, tive outro grande amor, dando oportunidade para as pessoas repetirem a história da inspiração da música “Preta Pretinha” mas, foi em Juazeiro-Ba, onde nasci, que aconteceu a versão mais emocionante sobre a musa de “Preta Pretinha”.

Havia uma garota que era a mais bonita e cobiçada da cidade. Eu, o poeta e um dos artilheiros do Spartacus, time de futebol de salão que, além de pentacampeão da cidade, possuía a maior torcida. Já viram que a dupla chamava a atenção da platéia. Um dia eu viajei para o exterior, e no meu retorno a garota me disse: “Eu não o mereço mais. Eu dancei com outro cara” A cidade estava ouriçada vivendo o acontecimento. Fiquei solidário com Juazeiro conservador, e acabei o namoro. A garota casou com o rapaz, que não tinha só dançado mas, provado da fruta. A bela jovem já se divorciou e deve ter casado mais uma duas ou três vezes mas, para a nossa cidade nós ficamos eternos namorados um do outro.

A minha versão sobre a inspiração de “Preta Pretinha” tem que acoplar todas essas histórias e admitir todas as musas, além da que serviu de pivô, apertando o botão que deve ter provocado a explosão da música. Foi mais ou menos assim: uma jovem combinou comigo para que eu fosse a Niterói conhecer seu pai e, na volta, ela viria morar comigo no apartamento dos Novos Baianos, em Botafogo. Pegamos a barca, conheci o pai dela mas, na volta, ela se arrependeu e voltou para o seu namorado. À noite, escrevi a letra sob o impacto desse insucesso e, na certa, o subconsciente deu uma panorâmica em todas as minhas histórias de amor.

Quando escrevi a frase “Por minha cabeça não passava somente…”, me lembrei de Socorrinho, a minha namorada de Juazeiro no período 61-65, e coloquei: “só somente só…”, em homenagem ao bonito que fora aquele amor juvenil, que ficou registrado nos anais de fofoca da cidade. E pensei: Juazeiro vai dizer que eu fiz essa música para Socorrinho, quando na verdade foi uma longa história recheada de musas. A cidade foi além e, quando vou a Juazeiro, várias pessoas que participaram daquele passado, ou os seus filhos, que ouviram das suas bocas, e com os corações transbordando saudosismo, me perguntam: “E Preta Pretinha?” Eu inocentemente respondo: “Está tocando no rádio”.

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Mini Planeta Iris

 

Ainda tínhamos tempo para viver um grande amor nos olhos da namorada e Baby do namorado. E a Iris do olho foi vista num segundo como um planeta por me arrebatando-me e isolando desse outro mundo, revelado de forma poética em letra de música.

Mini Planeta Iris (Moraes / Galvão)

Só nos seus olhos

Me vejo marrom

Que bom

Que bom

E eu me sinto

Me sinto tão bem

No mini planeta Íris

No mini planeta Iris

No mini planeta Iris

 Em você

 Ah! Amor

Eu tomo um colorido

Que não está em mim

E como um raio

Um raio de sol

Eu vou entro e saio

No mini planeta Íris

No mini planeta Iris

No mini planeta íris

Em você

Ah! Amor

Tudo isso devia

Ter ficado no armário

Ninguém tem nada

Que seus olhos sejam espelho necessário

Do mini planeta íris

Do mini planeta Iris

Do mini planeta Iris

Em você

Ah! Amor

Do mini planeta íris

Do mini planeta Iris

Do mini planeta Iris

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Ser poeta olhar com o coração o maior tempo possível para falar na língua de Deus que é a poesia sobre jogo de futebol constante entre o bem e o mal, a má e a boa ao sorte, o sorriso e a dor, o sapato e a meia, o chulé e o pé, o sangue e a veia, o sozinho e o amor…. E ainda tem o Ari Barroso

   Risque (Moraes/Galvão)

 Não só do seu caderno

De suas meias

 Ou de seus sapatos

Olhe entre

Entre no fim do final do juízo

Entre no fim do final do juízo

Entre no fim do final do juízo

Inteira,

inteira vida

ou

Mas pelo menos

Risque ,

não só dos seu caderno

e de suas meias

e de seus sapatos

Inteira vida

Do seu caderno céu

Do seu caderno inferno

Entre no fim do final do juízo

Entre no fim do final do juízo

Entre no fim do final do juízo

Do seu caderno céu

Do seu caderno inferno

Entre no fim do final do juízo

Entre no fim do final do juízo

Entre no fim do final do juízo

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Rio Sao Francisco, Foto de Euvaldo Macedo

Foi dentro daquele momento de inspiração que nasceu também Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora, quando por minha cabeça passaram reminiscências da minha infância lá em Juazeiro da Bahia minha terra natal mas, o sentimento que comandou o enredo da letra veio fruto da minha rebeldia, que começara em Juazeiro nas minhas rusgas com os moradores que ficavam P da vida ao ver suas ruas transformadas em campos de peladas e pelas boladas nas janelas de suas casas, algumas acidentais e outras propositais. Calma os leitores não baianos! Pelada de rua, além de rimar pode significar mulher nua, mas no caso trata-se de futebol na praça. Essa língua portuguesa é que tem dessas: manga deliciosa fruta, manga da camisa, a pessoa que manga dos outros quando debocha. Existem algumas outras palavras que têm vários significados. Os cariocas, talvez por isso, chamem de baba o futebol praticado no meio da rua e nós baianos, soteropolitanos ou nativos do interior dizemos pelada, mas deixemos de divagações e voltemos a nossa guerrinha com a vizinhança da minha infância que não era fria nem quente, classifico-a como morna, porque os moradores embora insatisfeitos, não se manifestavam por estar sempre sujeito a existência de um menino parente participando daquelas peladas, porém o inimigo era um soldado enorme, conhecido como Carrasco, o qual cismava com nosso jogo no meio da rua, e tentava acabá-los mas, a meninada o colocava no “bobinho”, só que não podíamos dar o mínimo vacilo, porque ele na nossa frente furava com seu sabre a inocente bola, e vocês não imaginam a fúria do Carrasco estraçalhando-a. Doía tanto em nossos corações meninos e calouros, ao ponto de sentíamos até o sangue sair da bola, junto com o ar.
Nas festas juninas de São João e São Pedro, meus pais, nos fins de semanas e nas férias me levavam para Carnaíba, distrito de Juazeiro da Bahia, onde morava meu avô materno Pedro Dias, e num daqueles São João quando eu já estava com quinze anos, fui premiado com a resposta da vida.
Alguém jogou um busca-pé que veio na minha direção e, quando quase me alcançava, escondi-me atrás do Carrasco, segurando-o, enquanto o busca-pé queimava a sua farda, descontando a dor da bola e da meninada. O Carrasco só não me jantou porque em Carnaíba só tinha dois soldados, e da minha família estavam ali mais de trinta. O homem ficou vermelho mais que a chama da fogueira, e quis me pegar mas, foi impedido por meu pai que além de vereador tinha fama de valente, embora não me lembro de tê-lo visto brigar nem de boca quanto mais na mão. O Carrasco teve que engolir calado o sermão de meu velho com voz alterada e o dedo indicador em riste. Meu pai apesar de durão, nas horas precisas, procurava ser justo, e mandou seu motorista levar furador de bolas para o hospital a fim de fazer os curativos. O ponto central do enredo dessa letra foi a historia do jovem Tadeu, que eu não o conheci, mas era irmão do meu amigo Oseinhas. Tadeu morreu atropelado quando corria atrás de uma bola mo meio da rua. Aquele acidente ficou bem registrado na minha memória por ter ocorrido na Rua 15 de novembro, próxima a casa da minha mãe, naquele campo clandestino onde também joguei muita bola, tanto quando aquela Rua ainda era de areia e sem calçamento de paralelepípedo ou asfalto, e também quando teve uma quadra de esportes onde joguei vôlei, basquete e futsal.
Em Juazeiro também estudei agronomia e depois de concluir o curso universitário trabalhei três anos mas, abandonei a carreira pra tornar-me um novo baiano.

Eis a letra de Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora.
Desde lá, quando me furaram a primeira bola/ No meio da rua/Na minha terra/ Quer dizer/ Em Juazeiro onde se dá o mesmo tem Ituaçu/ Desde lá, quando me furaram a primeira bola/ No meio da rua/Na minha terra/ Quer dizer/ Em Juazeiro onde se dá o mesmo tem Ituaçu/ Ô,ô,ô a vizinha tem vidraças/ Tem sim sinhô/ Ô,ô,ô a vizinha tem Vidraças/ Tem sim sinhô/Aos meus olhos bola, rua, campo/ E sigo Jogando/ Porque sei o que sofro/ E me rebolo para continuar menino/ Como a rua que continua uma pelada/ E a vida que há do menino atrás da bola/ Pára carro, pára tudo/ Quando já não há tempo/Para apito, para grito/ E o menino deixa a vida pela bola/ Só se não for/ Brasileiro nessa hora!/ Só se não for brasileiro nessa hora!

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Nós sentíamos um misto de admiração pela arte dos tropicalistas e pontos de afinidades com a vontade de fazer bonito, ousado e, principalmente, o revolucionário. Fomos despertados por isso. Antes também, quando a Bossa Nova dera esse clima, eu escolhi essa barca e, da linha evolutiva, nunca me afastei. Os anos 70, somados aos dois últimos da década anterior, traduzem esse tempo que é respeitado pela qualidade artística desenvolvida.
Ficamos felizes quando o empresário artístico, Guilherme Araújo, ao retornar do exílio em Londres, junto com Caetano e Gil, nos disse: “A luta e a vitória de vocês foram fundamentais para que não pudessem dificultar nossa volta e até tentassem apagar nosso trabalho com a borracha da linha contraia a evolução”.
Feliz mais ainda fiquei quando Caetano fez a música “Farol da Barra”, com letra minha. Feliz porque a música ficou linda e eu sabia disso antes mas, nunca como quando se ouve. Posso dizer que sou parceiro de Caetano Veloso, que pra mim é o melhor poeta do meu tempo, dentro da MPB. Vejam como foi muito bonita a parceria Tropicalismo-Novos Baianos em “Farol da Barra”:

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Fico feliz em saber que a Organização Mundial de Medicina, está afirmando que a pessoa com constantes problemas de afta, está sujeito a contrair um câncer, e o melhor tratamento da afta com bicarbonato de sódio, que cura a essa e pode também curar o câncer. Na letra que escrevi para parceria com Moraes em Vagabundo não é fácil diz “Se eu não tivesse com afta até faria uma serenata pra ela” E mais na frente diz: “Um remédio da minha cabeça/ Misturando mel de abelha com bicarbonato de sódio/ Só pra deixar a garganta em dia/ E porque já somos pessoas sem ódio.” È que desde os oito anos de idade sei disso porque minha mãe que não concluiu o curso primário, receitava esse remédio para minhas aftas

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Dê um role Morais/ Galvão
Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
Enquanto eles se batem
Dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia
Eu não tenho nada
Antes de você ser eu sou
Eu sou eu sou
Eu sou amor
Da cabeça aos pés
E só tou beijando o rosto
De quem dá valor
Pra quem vale mais um gosto
Do que cem mil réis

Fui contando a vida que é boa, apesar dos mementos contrários a felicidade, e para isso deixávamos o confronto para quem tinha tempo para estacionar, e íamos como Glauber sabendo do hoje no amanhã, e naquele hoje nós cantávamos, jogávamos bola e alegrávamos muitos. Dávamos um rolê, gíria da época e éramos amor da cabeça aos pés, porque dávamos mais valor a um gosto do que cem mil réis.E Gal Costa fez esse gol de placa.

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