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NOVOS BAIANOS -CAMINHO DE PEDRO

Música: Moraes/ Letra: Galvão

Eclipse luz/Tocam-se/Se tocam-se/Em dois no firmamento/Porque dois é um/É um é um é número…/Oiê/Dois é uns olhos/Ouvidos braços e pernas/Do mundo/Do mundo de Pedro/  “Pedro” Do mundo de pedra/No caminho de Pedro/ XE “Pedro” Onde pedras no caminho/Ô no caminho de Pedro/  “Pedro” Por onde andando nado e ando…/Eu ando sobre pedras/Eu ando sobre as águas/No caminho de Pedro/  “Pedro” Onde pedras no caminho/Ô no caminho de Pedro/  “Pedro” Por onde andando nado e ando…/Eu ando sobre pedras/eu ando sobre as águas/No caminho de Pedro/  “Pedro” Por onde andando nado e ando…/Eu ando sobre pedras/Eu ando sobre as águas/No caminho de Pedro/ “Pedro” o caminho onde pedras no caminho/no caminho/É no caminho de Pedro/ XE “Pedro” No caminho/ É no caminho de pedra/No caminho/É no caminho de Pedro XE “Pedro” no caminho onde pedras no caminho/No caminho/É no mundo de pedra/Eu ando sobre pedras…/No caminho…

A HISTORINHA
Ali eu já pensava no um reunido o dois e etc. A luz usando eclipse e a sombra.
Pedro é o poeta Pedro Raimundo que amava a beira do rio São Francisco em Juazeiro, e que como qualquer um encontra pedras no caminho, mas poeta usa as coisas a seu favor, inclusive as pedras. Pedro sobre as pedras e eu sobre as águaA,.. Pedro não tomava banho no rio, mas eu nadava indo até a Ilha do Fogo que fica no meio entre Juazeiro e Petrolina. Ali nós mandávamos tudo as favas… e pedras no caminho, nós atropelávamos o que cruzasse…

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JUAZEIRO – BAHIA

Tive o privilégio de nascer em Juazeiro, cidade que revela uma genuína vocação materna para acolher ilustres nomes culturais. Dentre estes, sem dúvida, destaca-se João Gilberto, talento artístico mundialmente reconhecido, quer na música, quer no vivenciar da poesia, no canto, na fala, nos gestos e até no inconfundível jeito de ser.

A alegria presenciada por todos que a visitam e o reconhecimento do carisma que a transformou em Princesa do S. Francisco se refletem no sorriso maroto de João, herança de afinidade: ar, latitude e águas traduzidos pela sensibilidade em acordes dissonantes, silêncio enigmático, mas cativante, e peraltas surpresas da arte. Tudo respiração do coração/violão de João Gilberto. Talvez por isso se diga que quem bebe das águas do S. Francisco sempre volta, não para matar a sede, mas para atender seus apelos. O mesmo acontece com quem ouve o som balbuciado de João, suave mas nítido, cristalino, novo como um ovo sempre a dar vida e sem o qual não se pode viver. Falamos da arte mais focalizada em zoom − a música.

Não se pode falar da passagem do rio S. Francisco em Juazeiro sem incluir Petrolina. As duas cidades formam mais que um par romântico, seja na dança clássica, na gafieira ou na poeira de um terreiro de forró; seja como uma dupla arrasadora de área, no bom sentido de ataque ao gol, ou até como um casal dito perfeito de mãos dadas ao luar. Vejo-as dois pensamentos diversos, dois ângulos opostos de um mesmo vértice. Distintas são, cada uma no seu argumento, no seu talento. Juazeiro ganha em arte, é claro,
deu João Gilberto; e Petrolina, em progresso, pela organização de seus construtores. Ë o lazer e o trabalho se completando. Memória e pensamento habitando a mesma cabeça. Como hoje é sabido, lazer é trabalho feito para divertir, vira combustível para sensibilizar corações, da mesma forma que trabalho vira lazer quando se faz o que se gosta. E é aí que as duas cidades completam a paisagem que margeia o rio em cujas águas João Gilberto nadou entre os peixes, atirou pedrinhas em sua superfície e colheu inspiração para a música



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