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13/08/11 – 16:48h. Última atualização: 13/08/11 – 16:48h

Pelourinho se rende ao saudosismo dos Novos Baianos

Plateia do último show no Pelô em homenagem aos Novos Baianos – Genilson Coutinho

Luiz Galvão pôs toda sua energia, sabedoria e irreverência no palco do Largo Tereza Batista, na noite desta quinta-feira (11/08). Declamando poesias e cantando sucessos que marcaram a década de 1970, como Preta Pretinha, o ex-integrante dos Novos Baianos apresentou o espetáculoPoesia é a Língua de Deus e Minha, Porque o Mundo não é uma Bola dentro da agenda do Pelourinho Cultural, programa vinculado à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-Ba), que pretende tornar o Centro Histórico um local cada vez mais rico em diversidade.

O Largo Tereza Batista reuniu gente de todas as idades, reforçando a proposta do Pelourinho Cultural de resgatar e manter viva a identidade cultural baiana, através das artes, músicas, danças e demais representações. Os convidados da noite foram Pietro Leal, vocalista da banda Pirigulino Babilake, Pedro Pondé, ex-vocalista da banda Scambo, o forrozeiro Zé Costa, as cantoras Sol Pequena e Lane Quinto e um convidado de última hora que apareceu para abrilhantar mais a festa, Pablo Moraes, sobrinho do cantor e compositor Moraes Moreira. Lane comentou a alegria em participar deste show. “Estou me sentindo na década de 1970, esse resgate da boa música é sensacional e para mim está sendo uma delícia participar”, afirmou a cantora, que se apresentou ao lado do violonista Daniel Santana e com a participação de Pietro na música Vagabundo não é fácil. Zé Costa citou a parceria que tem com Galvão. “Sempre que nos sobra um tempo compomos juntos e me considero feliz em estar ao mesmo tempo no passado, no presente o no futuro, sempre em busca de fazer o melhor para a música brasileira. Sou um freguês do Pelô e gosto quando vejo eventos como esse darem certo. Somos carentes de poesia e Galvão é um grande disseminador dessa arte”, define o artista, que cantou, dentre outros sucessos, Nóis é Jeca Mais é Jóia.

A variedade de músicas e ritmos marcou a apresentação, citando a Bossa Nova, Galvão fez uma reverência ao baiano João Gilberto, que completou 80 anos em 2011 e que é personagem do documentário Filhos de João, O Adorável Mundo Novo Baiano, que fala obviamente da trajetória do grupo Os Novos Baianos. O artista plástico Ruy Carvalho, fã do trabalho do Galvão, diz que não perde uma apresentação e fala da importância dos Novos Baianos para o cenário artístico baiano e brasileiro. “Acompanho sempre que posso o trabalho do meu amigo Galvão e acho muito bacana essa proposta do Pelourinho em valorizar nossa cultura, dando espaço a bandas que jamais serão esquecidas, como os Novos Baianos, que são atemporais. Basta ver a quantidade de jovens e adolescentes aqui presentes hoje”, conclui.

O encerramento da noite ficou por conta da música Mistério do Planeta, composta por Galvão e Moraes Moreira, que foi cantado por Pietro Leal, Pedro Pondé, Sol Pequena e o próprio Galvão, fechando com muita descontração mais uma noite de atrações do Pelourinho Cultural, para delírio do público que permaneceu até as despedidas finais dos artistas

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Dias antepassados, revirando memórias juazeirenses, terra que compartilho com o amigo João Gilberto e em confabulação com Ruy Carvalho lembrando da musica Undiu ,cânticos da lavadeiras do rio São Francisco trazidas pelo mestre Joãozinho, lembramos que ela possui também uma letra de uma brilhante parceria,”Lamento de Marta”  que podemos ouvir  na trilha do “Seara Vermelha”
com o maior dos nossos escritores o Jorge Amado, pai de Paloma e João Jorge, avo da irma e amiga Maria João, e ficamos matutando a historia postada e sacramentada nos finitos internet alcance nosso; mas como tudo esta no ar eis que não mais que de repente, não e poetinha Vinícius de Moraes? Paloma captou e nos conta a historia completa mistérios da inspiração.

Feliz aniversario, Joaozinho

por Paloma Jorge Amado, sexta, 3 de junho de 2011 às 23:37

Conheci Joao Gilberto quando era bem menina, foi meu amigo de infância. Nunca mais o vi, tenho saudades todos os dias. Queria homenagea-lo nos seus 80 anos, e para isso fui buscar as palavras de papai e a foto que mamãe tirou no seu casamento com Astrud, do qual foram padrinhos. Com a palavra, o amigo Jorginho:

 

Fomos padrinhos, Zélia e eu, do casamento de João Gilberto com Astrud, o casal se separou nos Estados Unidos para onde Joãozinho viajara a fim de participar de um show, obteve tamanho sucesso que ficou por lá anos a fio.

No dia de seu embarque, indo para o aeroporto passou por nosso apartamento para o abraço de despedida, vestia roupa leve, própria para o verão carioca, em New York a crueza do inverno era manchete nos jornais. Ao vê-lo tão desagasalhado retirei do guarda-roupa um sobretudo usado: vista-o ao desembarcar do avião senão vai morrer de frio, pegar pneumonia. Essa a minha contribuição para o êxito do cantor nos States, o sobretudo que o salvou da pneumonia dupla.

Contribuí também para seu casamento com Miúcha: do primeiro matrimônio fui testemunha, no segundo funcio­nei de casamenteiro. Um dia recebi na Bahia telefonema de Joãozinho, ligava de New York, aflito como sempre, não mudara, continuava o mesmo:

Jorginho, você é muito amigo de Sérgio Buarque de Holanda, não é?

Sou, sim, Joãozinho, por quê?

Figura das mais fascinantes da comparsaria intelectual, Sérgio concedeu-me o privilégio de sua intimidade, coloquei-o de personagem em O Capitão de Longo Curso, assim homenageio aqueles que mais estimo e prezo, pondo-os nas páginas de meus romances. Na época do telefonema o mestre historiador se vanglóriava de ser o pai de Chico Buarque, compositor que estourara nas paradas de sucesso.

Jorginho, estou apaixonado pela filha dele, a Miúcha, irmã do Chico. Miúcha anda por aqui, ela também gosta de mim, queremos nos casar mas temos medo que Sérgio se oponha, você sabe como é, deve ter ouvido horrores a meu respeito. Queria que você falasse com ele, pedisse a mão de Miúcha em casamento, para mim. Diga a ele que não sou tão ruim como dizem por aí.

Habituado a me envolver com a vida de Joãozinho, prometo interferir —depressa, daqui a uma hora telefono de novo para saber o resultado. Desligara agoniado, eu ainda procuro o número de Sérgio no caderno de telefones, Joãozinho volta a ligar: eu ‘tava tão vexado que não mandei um beijo para Zelinha. Vexado, Joãozinho.

Disco o número paulista, Amélia atende, trocamos gentilezas, desejo falar com vosso ilustre consorte, Sérgio vem ao telefone, sabendo que sou eu começa a imitar sotaque holandês, é de morrer de rir mas eu me ponho sério para lhe informar:

Te telefono para pedir a mão de tua filha Miúcha em casamento.

Hem? Que história é essa? — abandona o acento batavo, coloca-se em posição de defesa, que peça estou querendo lhe pregar?

Não é para mim, é para João Gilberto, estão apaixonados, querem se casar, ele pediu que te dissesse que não é tão ruim assim, tão má pessoa como consta por aí, não deves acreditar nas más línguas…

Que me contas? É brincadeira ou falas a sério?

Falo a sério, relato a conversa de Joãozinho, telefonema em dólares de New York, repetida, esquecera o beijo para Zélia. Empolga-me a paixão dos dois  cantores, coisa linda, faço o elogio do candidato a genro e o faço com amor. De Joãozinho sei o direito e o avesso, do menino de Juazeiro nas barrancas do São Francisco ao músico ainda desconhecido, lutando no Rio em dias de aperto, sou seu parceiro, fiz a letra do Lamento de Marta. Quando solteiro, Joãozinho aparecia à noite no apartamento da Rodolfo Dantas, trazia o violão, ficava até a madrugada, cantando. Acontecia que Zélia e eu, cansados, íamos dormir, Joãozinho prosseguia em companhia de João Jorge, menino ainda, privilegiado. João Gilberto tocava, cantava, tendo como ouvintes apenas o moleque e o pássaro sofrê: vivia solto na sala e assobiava as músicas que Joãozinho dedilhava ao violão.

Sérgio escuta em silêncio minha lengalenga, a proclamação das virtudes de Joãozinho, gênio musical, amigo terno, pessoa amorável. No dia seguinte toma o avião para New York, vai estudar o assunto in locum, apaixona-se pelo candidato, só podia acontecer. Para terminar, um post-scriptum: já levava João Gilberto vários anos residindo nos Estados Unidos quando um dia apareceu-me em casa um portador trazendo encomenda enviada pelo músico: um sobretudo novo em folha, soberbo, eu o usei longo tempo, ainda o tenho. Ou será que o dei a João Jorge, o ouvinte solitário, o privilegiado? (Navegação de Cabotagem, Jorge Amado

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