http://www.rollingstone.com.br/edicoes/46/textos/tinindo-trincando-novos-baianos-e-o-melhor-da-musica-brasileira/
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Caetano Veloso tinha chegado de Londres. Estávamos rodando um filme curta metragem com produção de longa, que era dirigido por mim. Convidei-o para fazer um papel de destaque, embora fosse pequena sua participação, em razão de sua permanência de apenas três dias naquela oportunidade. Caetano com sua espelhada elegância aceitou, mas se não fosse o Barbudo, teríamos perdido a participação do diretor de Cinema Falado, porque precisávamos conseguir encontrar algumas locações difíceis como, por exemplo, encontrar um rico que deixasse filmar Caetano Veloso com os Novos Baianos em sua mansão. Barbudo nos falou que tinha grande amizade com Dr. Noronha, o sócio de Andreazza na construção da ponte Rio/Niterói. Fomos com ele lá e encontramos nada menos que seis generais que visitavam Dr. Noronha mas,nós roubamos a cena e fizemos a festa tocando, cantando e levando um papo maneiro com os militares.
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Houve dias de fartura, no período com Marcos Lázaro, no tempo com a gravadora Som Livre e principal*, quando fomos contratados pela Continental quando essa representava a Warner no Brasil, com Alberto Brighton à frente.
Tenho visto alguém falar: “Já passei fome e hoje estou nessa condição boa…” A fome citada como valorização mas, nos Novos Baianos tivemos três dias de fome, e embora não tenha esquecido, não tenho saudades e não desejo pra ninguém semelhantes três dias.
O primeiro aconteceu justo no dia de grande alegria quando o Brasil
ganhou a copa do mundo de 70, com aquele timaço histórico: Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, e Everaldo. Clodoaldo, Gerson, Pelé e Rivelino, Jairzinho e Tostão.
Naquele dia o meu professor de matemática lá do Ginásio Juazeiro, em minha terra, onde estudei, descobriu que eu morava perto dele, e veio pela primeira vez visitar-me. Assistimos à copa regrada a cerveja, e quando o árbitro deu o apito final, na nossa imaginação e ansiedade, chegamos a ouvi-lo. Após os abraços e a saideira*, os visitantes se foram e em casa ficou só o grupo. Aí o bicho pegou, porque veio a fome e não tínhamos nada pra comer. O açougue de seu Adágio, e o armazém do português Seu Patrício, que nos forneciam fiado, estavam fechados, aliás, não havia nada aberto a não ser os corações brasileiros. O remédio foi dormir na tentativa de sonhar comendo. Não lembro se alguém do grupo teve esse privilegio mas, em todo caso é sabido que o sono alimenta.
De outra feita, Novos Baianos foi do Rio de Janeiro para Itabuna, na Bahia, para fazer um show e um jogo de futebol contra o Itabuna F.C, time profissional que disputava o campeonato baiano de primeira divisão. Os jogadores da Seleção Brasileira, Afonsinho e Nei Conceição, nossos grandes amigos, vieram reforçar o nosso time. Também Biribinha que jogara no Vasco e depois fora mostrar seu futebol nos Estados Unidos da América, também veio ocupar a ponta esquerda com seus dribles desconcertantes e alegrar a turma com seu jeito engraçado de ser. Não tínhamos almoçado mas, resolvemos manter o jogo e entramos em campo, jogamos empatamos e depois voltamos pra casa que alugamos na Boca do Rio com as mãos abanado e os estômagos famintos e mais uma vez se repetiu o dormir sonhado acordado com frango peixe e omelete. Só no dia seguinte é que o dinheiro chegou no banco. E assim a Sonhos dançou, e o sonho acabou.
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outra não tem nada a ver com mística e nem com cura. Estávamos no ano de 1972, auge de Novos Baianos com Preta Pretinha em primeiro lugar nas paradas de sucesso, e estávamos botando dez, vinte mil pessoas nos grandes espaços de shows. A nossa produtora na época era Gilda Horta, irmã do conhecido músico mineiro Toninho Horta. Estávamos batendo uma pelada no nosso mini-campo quando ela chegou lá no sítio de Novos Baianos, em Vargem pequena próximo a Jacarepaguá, acompanhada do empresário do grupo infantil Jackson Five, do qual a estrela maior era a estrela maior Michael Jackson. Tivemos que parar o baba para atendê-los. Gilda traduziu as palavras do empresário americano: “Eu pago x (um quantia considerada) para Novos Baianos abrir o show de Jackson Five”.
Acreditem se quiser, mas, aconteceu! Nós rejeitamos a proposta, agradecemos o convite. o empresário deve ter voltado perplexo, e nós retornamos ao nosso futebol
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Novos Baianos Futebol Club
Dos anos 70, vem talvez o grupo musical mais futebolístico da história, com o esporte aparecendo até no nome. Galvão e Moraes Moreira compuseram a música: “Só se Não For Brasileiro Nessa Hora”, que começa assim: “Desde lá, quando me furaram a primeira bola no meio da rua”…
Ouça as músicas:
. Praga de baiano
. Reis da Bola
. Ziriguidum
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Esse disco marcou a saída de Moraes que aconteceu quando ainda estávamos gravando-o e algumas músicas foram gravadas nele e também no primeiro disco da carreira solo de Moraes Moreira. Em razão de termos que terminá-lo, pois tínhamos lançamento programado, e por isso, ele ficou o mais roqueiro dos nossos discos.
Outra marca é a música Um bilhete Pra Didi uma obra prima de tanto na composição quanto na gravação, e ao vivo. Choveu músicas instrumentais, influenciadas por Waldir Azevedo e Jacó do Bandolim, porque tínhamos conhecido o primeiro quando fomos a Brasília fazer um show e Jacó a rapaziada também se encantou com sua obra.
Vamos Pro Mundo – Pepeu Gomes/ Galvão
Guiriguidim, gororogondon/Guiriguidmi, gororogodon/Guiriguidim, goguiriguidum/Guiuiriguidmi,guiguiriguidum/Guiiguiriguidim, goguiriguidum/Guiuiriguidmi,guiguiriguidum/Pr’onde que vão/Vamos pro mundo/Vamos com fé/Com fé ri/Con-con-feri/Feri Paulin/
Santu de casa/Qui até de olho fechado/Faz milagri/Que tem sambá/Quandu de fome não mo… ri/Quem tem sambá/Indu vai sempre sem medu/Quem tem sambá/Vem sambá, vem pra cá/Vem pra cá, vem sambá/Guiriguidim, gororogondon/Guiriguidmi, gororogodon/
Guiiguiriguidim, goguiriguidum/Guiuiriguidmi,guiguiriguidum/
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Nesses anos todos, desde Juazeiro, eu venho tendo acesso a João, ouvindo-o falar e cantar. No entanto, ouço o ecoar de vozes e sentimentos de pessoas formando uma imagem de João Gilberto que não é real. Tais pessoas não sabem o mínimo de João, para o
emitir uma opinião respeitável. É tudo informação via mídia. Quem o conhece pessoalmente, pode ver o grau da harmonia e a coerência existente entre o artista e o ser João. É claro que a obra, aos nossos olhos, é perfeita parabens por tantos frutos e historia de um Brasil com bossa.
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O sitio estava lotado de gente naquele dia com pessoas da redondeza, porque correu a notícia que Afonsinho, Ney Conceição, Paulinho da Viola e Jairzinho estariam presentes na pelada. Os compositores João Nogueira e Abel Silva eram esperados mas, não vieram. Evandro Mesquita, que é bom de bola, também veio, mas, não era famoso ainda. A nossa Baby de calção, meião e tênis, estava no meio dos homens, e embora não fosse craque, compensava a falta de habilidade, com empenho e raça. Fazia uma marcação tão forte, que eu não gostava de ser marcado por ela, e a escolhia sempre para o meu time, quando eu tirava o baba no enxuto ou molhado ou no cara ou cora. Baby sabia cabecear e sempre fazia o seu golzinho de cabeça.
Rolava muita laúza*, e por isso tínhamos o quadro de árbitros e mesmo assim, só não acontecia briga mas, discussão era o que não faltava
Chegou à hora de escolher o e alguém notou que faltava goleiro para os dois times e abriu o bico. Eu tive uma idéia e falei: “Cangica e Beldade podem pegar no gol. A sugestão foi, por unanimidade, aprovada no ato.
Cangica falou pra Beldade: “Menina! Bote o short e vai pro teu gol.
Você vai agarrar as bolas. “
E Beldade perguntou: “Só!”
E a risada outra vez foi geral.
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Para facilitar o entendimento daquele tempo vivido pelos Novos Baianos, tenho que falar desse assunto complexo e em choque com a área irreal em que atua a sociedade, ou o infantil, preconceituoso e oficioso pensamento de quem se arvora dono da palavra mas, sem grau para tal. As transformações da individualidade de um ser humano, como no meu caso, que passei anos para chegar a essa compreensão de hoje ainda pequena para onde quero chegar. Embora não acho fácil orientar alguém, principal adolescente. O que mais vejo é todo mundo querendo orientar quando uma situação se apresenta com um jovem atrapalhando-se. O que venho aprendendo nesse delicado assunto é que o bom exemplo é o primeiro passo para que o orientado aceite a orientação de alguém. Não adianta alguém pensar que porque sabe alguma coisa basta soltar o verbo para que todos que o ouvem possam receber o ensino passado. É preciso transmitir confiança para o alvo da mensagem. Os livros têm grande importância mas, do cotidiano nos faz desconfiar de soluções ditadas de cima para baixo. O melhor pra quem quer ensinar é se colocar no lugar de quem errou, para encontrar um grau de compreensão, e falar o que aquela pessoa precisa ouvir, e não o que o orientador quer dizer, e acima de tudo mostrar nas suas palavras por mais duras venham pitadas de amor, porque eu quando orientado olho bem esse detalhe. Com isso estou aprendendo que ouvir o outro e exercitar a paciência é o melhor remédio tanto para quem recebe a orientação como para o beneficiado em passá-la. Chego a imaginar que desejar o bem já é uma e fazê-lo, por mais que venha ser para quem recebe tenho quase certeza que melhor ainda é para quem o faz. Tenho recebido o bem e quero nunca esquecer a bondade de alguém para comigo.
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João entrou como sempre de paletó e dessa vez, em razão do frio, com cachecol. Deu boa noite para a jovem platéia composta da rapaziada de mochila e “slip” que lotava o chão daquele espaço rural. Depois disso, ele falou que ia cantar uma música para o pessoal presente, que tinha resistido bravamente.
Quando assistiu o tape dessa fita, Tuzé disse que tivera a felicidade de ouvir pela primeira vez a música com que João abriu aquele show. Eu já a tinha visto antes em um “take” dessa mesma fita passado na televisão logo após a realização daquele show e depois ao vivo no quarto de João, em 1978, quando preparávamos o repertório do Lp Farol da Barra. Ele me mostrou, quando estava morando no hotel Eldorado, em São Paulo. Eu pedi para nós incluirmos no roteiro do disco, ainda em vinil. João consentiu, mas não deixou que eu gravasse em fita cassete, para que os Novos Baianos não viessem a copiá-lo. Segundo ele, nós estaríamos sujeitos a imitar seus acordes e isso não é bom. O melhor seria que a ouvíssemos na casa de Miécio Café e depois fizéssemos um arranjo Anosso que ele acreditava seria o ideal para o momento da música brasileira. Procuramos Miécio, – um artista gráfico nascido em Juazeiro que mora em São Paulo há mais de 50 anos, autor dos primeiros cartazes de cinema e das capas de discos de Orlando Silva, Carmem miranda, Chico Alves e outros grandes nomes da antiga Música Popular Brasileira e, além disso, é um dos maiores colecionadores de discos – mas ele não tinha essa música de Ari Barroso e aconselhou-nos a procurar Chico Alves e João Dias que dirigiam a UBC (arrecadadora de direitos autorais ). Foi assim que aprendemos Isto Aqui O Que É.
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