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Ao Poeta

  Foi preciso a presença da Bossa Nova, do Tropicalismo e dos Novos Baianos, invasões culturais que explodiram em São Paulo, apagando aquelas piadas de baiano, reconhecendo o valor cultural do nordeste, bem como deixando a Bahia representar apenas o seu território, que é produtor de uma arte alegre, criativa e com características próprias. Veja as palavras textuais do poeta Castro Alves

Nós, os filhos do norte, sonhamos São Paulo o oásis da liberdade e da poesia plantado em plenas campinas do Ipiranga… Pois o nosso sonho é realidade e não é realidade… Se a poesia está no envergar ponche escuro e largar-se campo afora a divagar perdido nestes gerais limpos e infinitos como um oceano de juncos; Se a poesia está no enfumaçar do quarto com o cigarro clássico, enquanto lá fora o vento enfumaça o espaço com uma garoa ainda mais clássica; Se a poesia está no espreitar de uns olhos negros através da rótula dos balcões ou através das rendas da mantilha que, em amplas dobras, escondem as formas de moças*, então Paulicéia é a terra da poesia. (Registro da palavra Paulicéia antes do movimento de 22).

Sim! Porque aqui não há senão frio mas, frio da Sibéria; cinismo, mas cinismo da Alemanha; casas, mas casas de Tebas; ruas, mas ruas de Cartago… Por outra, casas que parecem feitas antes do mundo tanto são pretas; ruas que parecem feitas depois do mundo – tantas são desertas…

Isto quanto à poesia. Quanto à liberdade, ela está mais desenvolvida em certos pontos, em outros se acha mais restrita. Entretanto, inclino-me a preferir São Paulo a Recife.

Essa letra chegou quando recebí a notícia da morte do poeta Torquato Neto,”só quero saber ,do que pode dar certo, não tenho tempo a perder”.

Os Pingo da Chuva

Quando o céu estiver preto
e das nuvens até as sombras assombram. (bis)
É só o reflexo do que está acontecendo.
Só está faltando fósforo. Me dê aí!
Não esqueça que nesse momento
o vento sacode as árvores
e o clima que fica e o ar agitado.
Dizendo tudo o que pode acontecer.
Não escureça nem esquente a cabeça.
Eu sei que você tem argumentos de querer.
O sol pra pegar sua praia, pra bater sua bola.
E a lua pra ver sua mina, ou só pra ir ali na esquina.
Sem rima, sem rima!
Faça como eu que vou como estou,
porque só o que pode acontecer…
É os pingo da chuva me molhar
É os pingo da chuva me molhar

LEI ORGANICA

Lei Orgânica

Quero ver de novo/Ovo- ovo- ovo/Elo- elo – elo/

Verde e amarelo/Na Escola Pública/Reinando o ensino/Igual quando eu era menino/

Quem sabe um dia/Todo mundo venha ter/A mesma alegria/Que tem o povo do Rio de Janeiro/E da Bahia/R a gente aprenda com São Paulo/A rolar o dinheiro/

Também no Brasil inteiro/Se fosse por nós/A vida aqui seria uma beleza/

Com pão e amor à mesa/Mas o momento é deveras delicado/Puxa! Há tanto praticado/Que não trás chuva ao roçado/O consumismo, a violência/O uso inadequado da ciência/Muita gente avançando o sinal/O desmatamento/

E o aquecimento global/Mas vamos tocando o barco/Dando a remada inicial /

E deixando o resto com o vento e a vela/Que apesar de tudo/A vida é boa/

E ainda é bela.



Quando o QG dos Novos Baianos era o cobertura de Botafogo na Conde de Irajá, teve início a comunidade, e aconteceu o caso que vale a pena contar. Embora no Brasil todo mundo é crioulo ou pelo menos misturado estou falando dos legítimos. Baianinha era meiga e dançava com muita categoria. Um dia ela surgiu na vida dos Novos Baianos. Sabe aquela pessoa que chega e parece que você já a conhecia de muito tempo? Pois é, todos nós ficamos encantados. A Baby e eu éramos os seus preferidos, mas aconteceu que Baianinha de uma hora para outra pirou. A comunidade ficou em polvorosa, menos um fotografo que morava lá, muito doido e com umas teorias sobre terapia e psicanálise avançadas e modernas demais para o meu gosto e dos Novos Baianos, que nesse plano empregado proposto por ele, éramos bastante conservadores e nos opusemos no ato. O alternativo analista de cabeça, disse: “Se eu transar com ela, Baianinha fica boa com uma só.”

Baianinha estava doida mas ainda tinha juízo suficiente para entender o nosso alerta sobre o tarado analista. Ela não aceitou mais a sua aproximação

O violão

Para nós, brasileiros, o violão é o principal instrumento, por ser o companheiro dos compositores que criaram a grande obra musicalmente exportável, mas que vem perdendo espaço por força de um comando subordinado a interesses internacionais no nosso mercado fonográfico, voltado, em primeiro plano, para o mundo jovem, tornando o pop nacional uma Xerox, tirando-lhe o fator de exportação que é a originalidade. Paralelamente, eles dão força para a música brega ou outro ritmo que possa ser manobrado facilmente. Creio que os que administram esse processo desastroso não tenham consciência do mal que estão causando a nossa cultura. Certamente, agem dessa forma porque foram induzidos nas suas formações, levados pelos impulsos da juventude na tentativa de inovação. Discordamos desse sucesso comercial desenvolvido pelo sistema que investe apenas no descartável. Acrescente-se à história da música popular brasileira e seus artistas o fato de a polícia, nos anos 50, prender quem tocava violão na rua. Pois que a guitarra existe para fazer esse som para as multidões em estado de êxtase ou desconcentração, muito embora os americanos tenham usado este som, no volume máximo, para amedrontar os iraquianos nas proximidades do ataque terrestre. Vamos dar força a qualquer expressão artística, mas que o violão continue nas mãos jovens até, quem sabe, que surja alguém superando João Gilberto, dando seqüência a evolução da música acústica. E que o violão não venha a ser conhecido por gerações futuras como apenas um corpo bem feito de mulher.


O ex-titã e agora apresentador do programa “O Som do Vinil”, do Canal Brasil, exibiu recentemente uma entrevista com os ex-integrantes dos Novos Baianos. Durante a entrevista eles comentam um pouco sobre a trajetória  da bandae a ligação de João Gilberto. Quem quiser dar uma olhada, segue o link da entrevista , mas uma historia precisa ser exclarecida, Na Virada Cultura de São Paulo 2009 encontrei Dadi, nosso primeiro baixista, e perguntei pra ele: “Que conversa é essa que você disse que foi olhar na fechadura do apartamento dos Novos Baianos em Botafogo e tinha um cara de paletó e gravata tocando a campainha, e você gritou: É polícia! É polícia! Dispensa todo o bagulho no vaso sanitário alguém abriu a porta era João Gilberto que viera nos visitar. Dadi respondeu: Eu nunca disse isso mas, de tanto ouvir essa história e já me perguntei “Porques Será que eu falei. Galvão diga a João Gilberto que eu não tenho nada com isso repeti o que li, isso está no livro de Nelson Motta.

http://canalbrasil.globo.com/index.php?idvideo=5671

Desde de 97 que eu já vinha curtindo com a mídia. E a camisinha que é defendida até por “gente grande,” a meu ver o buraco é mais em cima. Pra que tanto dinheiro acumulado nas mãos de poucos e tantas mãos vazias? O negócio é distribuir melhor esses trocados. Na monarquia a gente enrricava uma família e ela sustentava todo mundo. Agora a gente enche o bolso de poucos e poucos são os que sustentam alguém, e o resultado é gente fora da escola, deitadas nas calçadas, atrás das grades, nos botecos, e nos cemitérios antes do tempo. Foi por pensar assim que fiz: “A mídia é igualzinha, a língua da vizinha.”

A mídia Pepeu Gomes/ Galvão/ Peu Souza

Infinito Circular

Universal

1997l

Ô, ô, ô, ô

Ô, ô, ô, ô

A mídia é igualzinha

A língua da vizinha

A mídia, a média, a moda

A mídia muda, a mídia manda

Manda transar adoidado

E ter só o cuidado

De usar a camisinha

La mídia, la media, la moda

A mídia lidera

Libera na maior

Sexo, droga e rock n’ roll

E eu não sou pau mandado

Sei o que quero e aonde vou

Sexo seguro é sexo com amor

Seu Olvaro, que não é otário

Deitava e rolava nas dunas de Abaeté

Até ser pego em flagra

A meninada de binóculo

Na hora H narrou

Tirando uma onda de locutor

Lá vai seu Olvaro pela direita

Passou por um, passou por dois

Penetrou, vai marcar

Vai meter, meteu

Goool-ô-zou

Gozou mas a camisinha furou

Seu Olvaro marcou gol contra


certas coisas que eu não entendo ainda. Um paulista chegado meu, e que conviveu comigo nos momentos de São Paulo, teve a sorte de chegar na mesma hora que João Gilberto ia entrando para o local do show e também a providencial lembrança que tocou a sensibilidade de João, quando gritou “João Gilberto! E o artista, que alguns desinformados e pré-julgadores inconvenientes imaginam esnobe, respondeu cordialmente: “Oi !” E o meu amigo paulista continuou sua fala: “Eu sou amigo de Galvão.” Com isso João perguntou se ele estava indo para o show. Ele respondeu que não encontrara mais ingresso. João o convidou para entrar com ele e ainda lhe deu carona no carro que a produção mandou para levá-lo ao teatro. Que raríssimo presente!

Tempos depois, soube que o presenteado contou ter gostado do show mas não ficou satisfeito com a atitude de João quando ele, lá naquele momento da entrada do teatro, quis despedir-se estendendo a mão mas foi surpreendido com João negando-se a participar do toque de mão e dizendo “Não é nada de mais não… É que sua mão deve ter algum suor, e eu já vou entrar para tocar e as cordas exigem minhas mãos enxuta.

Estivesse eu no lugar do presenteado, não só com o show mas com a história toda,

sentir-me-ia privilegiado e, quando a contasse, mencionaria o episódio da falta de toque de mãos como fator positivo, produto do extremo do cuidado de um instrumentista consciente com a qualidade do som que pretende oferecer a seu público, joia como essa de Herivelton Martins.

Que Rei Sou Eu?

Que rei sou eu
Sem reinado e sem coroa
Sem castelo e sem rainha
Afinal que rei sou eu?
(bis)

O meu reinado
É pequeno e é restrito
Só mando no meu distrito
Por que o rei de lá morreu

Não tenho criado de libré
Carruagem sem mordomo
E ninguém beija meus pés!

Meu sangue azul
Nada tem de realeza
O samba é minha nobreza
Afinal que rei sou eu?

Que rei sou eu
Um falso rei?



Eu de Adjetivos

Naquele tempo, quando dormíamos, costumávamos sonhar com as mesmas coisas que o grupo vivia. Daí o interesse pela filosofia grega. O resto faz parte da afinidade de nossas mentes com o surrealismo em procura do tesouro do Rei,

Eu de Adjetivos (Letra: Galvão – Música: Moraes )

Entre o passo e conseqüência/ As cores tão bonitas/E os olhos no Vermelho/ As cores tranquilas/ As cores tranquilas/ No Mundo do meu rosto/ A poeira do mundo no meu sapato/ Eu de ar de a e g/ Por todos os ladrilhos pisados, passados/ Por todos os ladrilhos pisados, passados/ Passando de risco a traço Pra ser caminho/ Mil maços de caminhos/ Não vejo o longo circuito das luzes da minha terra/ As luzes são de fogo aroma e tocha/ As dúvidas e valas tranqüilas na palma da minha mão/ Eu vou por cima/ Por cima das minas/ Das minas do rei Salomão/ Não vejo o longo circuito das luzes da minha terra/ As luzes são de fogo aroma e tocha As dúvidas e valas tranqüilas na palma da minha mão/ Eu vou por cima / Por cima das minas/ Das minas do rei Salomão

Nas festas juninas de São João e São Pedro, meus pais, nos fins de semanas e nas férias me levavam para Carnaíba, distrito de Juazeiro da Bahia, onde morava meu avô materno Pedro Dias, e num daqueles São João quando eu já estava com quinze anos, fui premiado com a resposta da vida.

Alguém jogou um busca-pé que veio na minha direção e, quando quase me alcançava, escondi-me atrás do Carrasco, segurando-o, enquanto o busca-pé queimava a sua farda, descontando a dor da bola e da meninada. O Carrasco só não me jantou porque em Carnaíba só tinha dois soldados, e da minha família estavam ali mais de trinta. O homem ficou vermelho mais que a chama da fogueira, e quis me pegar mas, foi impedido por meu pai que além de vereador tinha fama de valente, embora não me lembro de tê-lo visto brigar nem de boca quanto mais na mão. O Carrasco teve que engolir calado o sermão de meu velho com voz alterada e o dedo indicador em riste. Meu pai apesar de durão, nas horas precisas, procurava ser justo, e mandou seu motorista levar furador de bolas para o hospital a fim de fazer os curativos. O ponto central do enredo dessa letra foi a historia do jovem Tadeu, que eu não o conheci, mas era irmão do meu amigo Oseinhas. Tadeu morreu atropelado quando corria atrás de uma bola mo meio da rua. Aquele acidente ficou bem registrado na minha memória por ter ocorrido na Rua 15 de novembro, próxima a casa da minha mãe, naquele campo clandestino onde também joguei muita bola, tanto quando aquela Rua ainda era de areia e sem calçamento de paralelepípedo ou asfalto, e também quando teve uma quadra de esportes onde joguei vôlei, basquete e futsal.


Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora”, é para muitos juazeirenses o hino reserva da cidade.

Eis a letra de Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora.

Desde lá, quando me furaram a primeira bola/ No meio da rua/Na minha terra/ Quer dizer/ Em Juazeiro onde se dá o mesmo tem Ituaçu/ Desde lá, quando me furaram a primeira bola/ No meio da rua/Na minha terra/ Quer dizer/ Em Juazeiro onde se dá o mesmo tem Ituaçu/ Ô,ô,ô a vizinha tem vidraças/ Tem sim sinhô/ Ô,ô,ô a vizinha tem Vidraças/ Tem sim sinhô/Aos meus olhos bola, rua, campo/ E sigo Jogando/ Porque sei o que sofro/ E me rebolo para continuar menino/ Como a rua que continua uma pelada/ E a vida que há do menino atrás da bola/ Pára carro, pára tudo/ Quando já não há tempo/Para apito, para grito/ E o menino deixa a vida pela bola/ Só se não for/ Brasileiro nessa hora!/ Só se não for brasileiro nessa hora!


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