Foi preciso a presença da Bossa Nova, do Tropicalismo e dos Novos Baianos, invasões culturais que explodiram em São Paulo, apagando aquelas piadas de baiano, reconhecendo o valor cultural do nordeste, bem como deixando a Bahia representar apenas o seu território, que é produtor de uma arte alegre, criativa e com características próprias. Veja as palavras textuais do poeta Castro Alves
Nós, os filhos do norte, sonhamos São Paulo o oásis da liberdade e da poesia plantado em plenas campinas do Ipiranga… Pois o nosso sonho é realidade e não é realidade… Se a poesia está no envergar ponche escuro e largar-se campo afora a divagar perdido nestes gerais limpos e infinitos como um oceano de juncos; Se a poesia está no enfumaçar do quarto com o cigarro clássico, enquanto lá fora o vento enfumaça o espaço com uma garoa ainda mais clássica; Se a poesia está no espreitar de uns olhos negros através da rótula dos balcões ou através das rendas da mantilha que, em amplas dobras, escondem as formas de moças*, então Paulicéia é a terra da poesia. (Registro da palavra Paulicéia antes do movimento de 22).
Sim! Porque aqui não há senão frio mas, frio da Sibéria; cinismo, mas cinismo da Alemanha; casas, mas casas de Tebas; ruas, mas ruas de Cartago… Por outra, casas que parecem feitas antes do mundo tanto são pretas; ruas que parecem feitas depois do mundo – tantas são desertas…
Isto quanto à poesia. Quanto à liberdade, ela está mais desenvolvida em certos pontos, em outros se acha mais restrita. Entretanto, inclino-me a preferir São Paulo a Recife.










