Feeds:
Artigos
Comentários

 

Ser poeta olhar com o coração o maior tempo possível para falar na língua de Deus que é a poesia sobre jogo de futebol constante entre o bem e o mal, a má e a boa ao sorte, o sorriso e a dor, o sapato e a meia, o chulé e o pé, o sangue e a veia, o sozinho e o amor…. E ainda tem o Ari Barroso

   Risque (Moraes/Galvão)

 Não só do seu caderno

De suas meias

 Ou de seus sapatos

Olhe entre

Entre no fim do final do juízo

Entre no fim do final do juízo

Entre no fim do final do juízo

Inteira,

inteira vida

ou

Mas pelo menos

Risque ,

não só dos seu caderno

e de suas meias

e de seus sapatos

Inteira vida

Do seu caderno céu

Do seu caderno inferno

Entre no fim do final do juízo

Entre no fim do final do juízo

Entre no fim do final do juízo

Do seu caderno céu

Do seu caderno inferno

Entre no fim do final do juízo

Entre no fim do final do juízo

Entre no fim do final do juízo

 

Num dia qualquer do ano de 1969 à noite pegamos um ônibus leito pra São Paulo e na primeira parada para o lanchepintou a inspiração . Meia hora depois, quando já no ônibus, e a maioria dos passageiros já dormia e  outros quase dormindo, Senti que a as letras  chegaram e ali nasceram duas músicas, que depois foram gravadas no LP remasterizado em CD Ferro Na Boneca. A primeira foi A Casca De Banana Que Eu Pisei cujo tema foi a própria viagem´. Enquanto Moraes fazia a música, a sensibilidade continuava em alta e junto vieram a minha cabeça algumas lembranças da minha infância lá em Juazeiro da Bahia minha terra natal e ao mesmo tempo percebi que a inspiração não fora embora. Ali descobri algo inusitado que se tornou uma teoria minha: Inspiração não é uma música, um quadro de pintura, uma escultura ou qualquer produção artística, e sim um momento, por isso faço quatro, cinco poemas até que ela me deixe. Como fora a primeira vez que notara aquela dádiva divina, fiz só mais uma.

Essa tem feito sucesso nos atuais forrós, principal com meu parceiro Zé costa .

  A Casca de Banana Que Pisei ( Moraes/ Galvão)

 O ônibus que me leva / Vai de roda e direção / De destino na lapela’/ Roda ônibus, roda asfalto / Se afastando do infinito / E eu acho mais bonito / Mais bacana, cana, /ana  A casca de banana que eu pisei / Roda ônibus, roda asfalto…

 

Começa hoje e segue até o dia 18, no Cine Le Nouveau Latina, o 12.º Festival de Cinema Brasileiro de Paris, com participação de 29 filmes, entre eles, Filhos de João – O Admirável Mundo dos Novos Baianos”, de Henrique Dantas; O festival que, presta homenagem a Chico Buarque. Para o encerramento, foram convocados “O contador de histórias”, de Luiz Villaça, e “Filhos de João – O admirável mundo dos Novos Baianos”, de Henrique Dantas.

A Bahia acontece

Ta chegando,,,coisa boa resultado de grande ideia na cabeca desse talentoso cineasta

 
 

Enquanto isso no Porto da Barra o mundo rola na mesma rotação. Lá está Caetano rodeado de jovens, muita gente bonita. Mais perto do mar Gil, as tietes todas ali. Regina Casé em pé conversando, matando nego de rir, igualzinho no palco. Perto das pedras Dedeco Gantois equiibradíssimo, dizendo que Plutão pertence ao assado, é século vivido.De repente, Baby chega com Tetché Trovão e se encaixam no pedaço onde estão Vidente, Marilhona, Pedro. Tetché Trovão com sua voz estridente, óculos gatinho espelhado, todo colorido “o criolo”, desarrumando a praia com a sua  linguagem de “punha”: Pedro, quando você vai deitar, você dorme logo ou leva um pedaço acordado?Pedro, coitado, na sua ingenuidade de moço bem criado: Tetché (ele não fala nem Trovão pra não ferir a sensibi1ida de Tetché), tem dias que eu deito como uma pedra, mas tem outros que eu rolo prum lado e pro outro e levo um pedaço pra poder dormir. . . E Trovão: Vou tirar o time (e com a língua meio enrolada), tint’erro amanhã; Pedro.PEDRO: Até manhã Tetché… vai com Deus…A praia veio abaixo num sorriso só, mas só Caetano não deu importância pro lance.Tuareg freia o fusquinha na porta da casa da família dele e salta, deixando Gaiteiro e Iang no maior love dentro do carro, mas não demorou muito e já chegou: “Desculpem cortar mas tenho boas notícias, Gaiteiro, não vamos mais pro Porto, vamos para o aeroporto, a oportunidade é essa”. No Porto continua o maior barato e com toda aquela zoada a voz de Tetché Trovão soa no ar: “Baby, você quer um sanduíche de queijo ou carne-de-só com ovo”? BABY: Trovão, meu pau na sua mão, pegue aqui.PEDRO: Caiu, caiu feio Trovão, foi mesmo que apanhar de mulher.E até Caetano riu.

BABY: Até você é machão, Pedro? Que papo é esse? Até Caetano, né…

 

Juazeiro da Bahia, terra de João Gilberto e Ivete Sangalo, berço da Bossa, aonde eu levava uma vida bem diferente da registrada pelos anos 70 de contracultura, mas eu prefiro chamá-la de contra sistema, por que como posso ser contra cultura se a faço? Luiz Dias Galvão era um bom moço, como os pais gostam e os outros sonham tê-los como genros, mas quando cheguei no Rio de Janeiro caí na gandaia e troquei o garoto certinho pelo irreverente e anos 70. Hoje muita gente não entende porque o eu atual está careta parecido com o bom, menino da infância em Juazeiro da Bahia.

 

Quando já tínhamos mudado para São Paulo e estávamos morando na Rua Casa do Ator coincidiu que João Gilberto também se mudara para Sampa residindo em um hotel, onde eu ia visitá-lo quase todos os dias. Além de aprender com coisas a beça com o conterrâneo genial, recebi também um auxílio enorme na divulgação do grupo na hora em que o negócio pesou nessa área em razão da nossa ousadia extrapolada ao ponto de brigarmos com a imprensa. Para se ter idéia do fascínio que João exerce sobre as pessoas, cito o caso do jornalista Serginho. Ao fazermos uma temporada no teatro TUCA, em São Paulo, o jornal Última Hora mandara a editora do caderno de cultura fazer uma reportagem com o grupo, mas sua primeira pergunta nos desagradou profundamente. Eis textualmente o desrespeito da repórter para com nossos mestres: “Por que Caetano e Gilberto Gil se venderam?” Não deixei a mesma concluir o seu pensamento nefasto e respondi pelo grupo, sabendo ser a resposta de todos: “Não haverá mais entrevista porque você é muito burra e mal-educada”. Deixamo-la falando sozinha. Do quarto, liguei para João Gilberto, inteirando-o da encrenca criada. Ele disse: “Ligue para um amigo meu, Serginho, o número é esse… Ele fará a reportagem e será publicada. Eu garanto”.

A reportagem foi feita e no dia seguinte, ao lermos o jornal paulista Última Hora, vimos que não faltara uma vírgula do que havíamos declarado

Os “Novos Baianos”, apareceram em São Paulo por volta de 1969 quando então, o grupo era formado por Galvão, Moraes, Paulinho Boca de Cantor e Baby Consuelo. Com o tempo, gravando e fazendo shows por todo o Brasil o grupo firmou-se como uma nova força musical, dedicando-se a uma música aberta, sem pretensões, utilizando-se de instrumentos simples como o cavaquinho, bandolins e [triângulos], pesquisando as mais profundas raízes da MPB.

Sobre seu novo álbum, Galvão é quem fala: “É uma virada, uma explosão… parece mais com a gente quando saímos da Bahia antes de gravar “Acabou Chorare”. As músicas são quase todas de autoria de Moraes, Pepeu e Galvão, os principais compositores do grupo. Apenas Isabel (Bebel) e de João Gilberto. Do lado A, eles gravaram “Fala tamborim”, “Ladeira da praça”, “Eu sou o caso deles”, “miragem”, “Izabel”. Do lado B, “Linguagem do Alunte”, “ao poeta”, “Reis da bola” e “Bolado”.

 

Ao invés de enfrentar o regime militar na base do dente por dente, olho por olho, preferimos ser pacifico, porém com acentuada dose de anarquismo. E assim nos expressamos na imprensa falada e escrita, nas apresentações artísticas e aparições em público de modo geral. Não estávamos sozinhos, tínhamos como parceiros a juventude que estava na rua com sua imagem exótica de homens cabeludos e mulheres às vezes de cabeças raspadas e o faziam apenas pra chocar os que consideravam caretas. A meninada fechava a cena com suas vestes coloridas, criativas, chocantes e aliadas ao brinde do comportamento hippie levantando sem grilo os sovacos cabeludos imitando a nossa Baby, na época Consuelo e atual do Brasil. Agumas coisas aconteceram de forma tão misteriosa, às vezes chegando a parecer um tempo imaginário. Mas agora eu vejo   que tudo ta presente , o jovem de hoje escuta nossas canções comprendendo a mensagem que por ser verdade é atual.

Design a site like this with WordPress.com
Iniciar