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Neste 22 de abril

aniversário do Brasil e meu

estou saboreando cada minuto

do presente Divino a “VIDA”

que dentro do corpo estojo

mostra lados opostos

o sofrer, dor, sofredor

que graças a Deus tenho o dom

de transformá-lo em versos

e passo a trocar figurinhas com

e flertar com o lado bom

que teima em passar

disfarçado vestido de faísca, relampago “e já fui “

mas o seu nome expressa a real ALEGRIA

Nesse dia que de todos, mas

mais um pouco meu , permitam-me

por o estar vivendo

como se estivesse chegando

ao planeta nesse agora

e conhecendo, água, árvores, flores

sorvetes, Lep Top, música, poesia e pessoas

Presente melhor não podia

me dar esse dia

e como a manhã que passou,

a tarde que estou e a noite que promete

só as estrelas com suave brilho a todos clare

(palavra que o dicionário teima em dizer que não existe)

e com a luz do silêncio

cantem pra mim Acabou Chorare

Ficou tudo lindo

Globo da Morte

    

Globo da morte (Moraes /Galvão)

 O que me faz bem está

 O que me faz bem está

Nos cantos pra onde pende meu corpo

E eu Do sol Os raio me chamam pro sol

Na terra Cobre o globo do meu raio

Enquanto eu sou o meu corpo

Enquanto cisco os pés no fogo

Ou enquanto risco e arrisco olho ao corte

Em qualquer parte em qualquer parte em do globo da morte

Do globo da morte

O que me faz bem está

O que me faz bem está

Nos cantos pra onde pende meu corpo  eu

O que me faz bem está  que me faz bem está

Nos cantos pra onde pende meu corpo

E eu

O sol

Os raio me chamam pro sol

 Da terra Corre o fogo no meu raio

Enquanto eu sou o meu corpo

 Enquanto cisco os pés no fogo

Ou enquanto risco arrisco olho ao corte

 Em qualquer parte , em qualquer parte

Do globo da morte Do globo da morte

O que me faz bem está

O que me faz bem está

Nos cantos pra onde pende meu corpo  

E eu   O que me faz bem está

O que me faz bem está

O que me faz bem está

O que me faz bem está  

   Cada música nossa é uma página da nossa história vivida e que nos momentos de inspiração registrávamos. Globo da morte é m misto daquele espaço acrobático que circo nos encantou na individual infância e momento que vivíamos contestando a ditadura de 64 que dominava o país e sofríamos as conseqüências, embora nos esquivássemos dos carrinhos desleais, violentos e perigosos dando um pulinho ou aplicando um drible de Garrincha e as vezes de Pelé. O globo era da morte, mas nós éramos os motoqueiros acrobáticos do circo ao vivo. E assim nasceu a letra acima.

Estávamos em julho de 69 e procurávamos uma banda de rock. Ao participar do programa Poder Jovem da TV Itapoan, Moraes cantando e eu sendo entrevistado sobre o nosso trabalho, descobrimos Os Leif’s, grupo de Pepeu e Jorginho Gomes, Pronto! Dissemos um para o outro. Tai o pessoal que buscávamos para fazer o show. No mesmo dia, fizemos amizade com Pepeu, e acertamos a participação dele com sua banda.

Naquele mesmo dia, quando saímos da TV, encontramos Ediane, uma amiga nossa com outra gata de dezesseis anos, trajada com uma originalidade impar, usando calca jeans, rasgada no joelho e um espelho na testa. Aí ficamos conhecendo a Baby, que ali ainda era Bernadete, vinda de Niterói. Baby chamou logo a atenção, a ponto de ser entrevistada para explicar seu estilo super pessoal. Ela respondia afirmando estar na Bahia para reaprender tudo, até escovar os dentes. Só força de expressão para explicar sua identificação com a revolução artística que se processava na Bahia e expressada nas ruas. Baby trazia o sotaque baiano, que aprimorou na seqüência, no convívio com os baianos, embora em sua infância, aos oito anos, tenha feito um “estágio” com seus avôs no interior da Bahia, no município de Poções. Inicialmente, Baby não se ligou a nós porque, ainda anônima, fazia o papel principal feminino de um faroeste italiano contracenando com Giuliano Gemma, que estava sendo rodado na Bahia. Baby, embora com destaque citado, teve poucas aparições porque o filme é do gênero faroeste e toda a brasa foi puxada para a sardinha do astro Giuliano Gemma.

Existia um programa de baixo nível porém, de grande audiência o Quem tem Medo da Verdade. O primarismo e a indiscrição imperavam. Nós demos um banho, respondendo a todas as loucuras dos interlocutores, com músicas que tratavam nos seus textos dos assuntos perguntados. Um, que era terrível e engraçado, que depois foi juiz de futebol e agora comentarista esportivo e famoso pelas gaiatices (como “Pelo amor dos meus filhinhos”), o Sílvio Luis, naquela ocasião teve a cara de pau de perguntar: “Nós somos daqui, todo mundo sabe, e vocês chegaram como bichos sem pai e nem mãe. Eu sou Sílvio, ele Tércio, ali está o Carlos Manga, e você, quem são? E a que vieram?” Nossa resposta foi chocante: cantamos uma música inédita, parceria minha com Moraes, feita para nossas mães Dona Nita, a de Moraes, e Dona Helena, a minha.


ATE XUXA …..

No dia da estréia do Desembarque dos Bichos, apareceu lá na porta do teatro,
o Argentino Edigardos Ramon perguntando se já tínhamos cenógrafo. Embora tivéssemos Ivan Mariotti cuidando dessa parte, o trabalho era muito e por isso o aceitamos. Ele e Ivan se deram muitíssimo bem e a noite tudo funcionou como se estivéssemos há muito tempo transando o cenário. Ramon foi pessoalmente buscar os papelões que ele conseguira nas lojas e preparou um disco voador ao qual Ivan deu acabamento com uma pintura psicodélica. À noite quando as luzes foram acesas surgia no ar o disco voador sobrevoando o palco e aterrissando num canto. Em seguida a portinha do disco foi aberta e o elenco do show saiu por ela pisando o palco como se chegasse pela primeira vez ao nosso planeta. A transa do disco lembra a abertura dos programas de Xuxa . Outra grande criação de Ramon foi o robô que ele confeccionou com papelão e que circulou pelo palco com ele dentro. A certa altura do espetáculo, o robô encostou-se em determinado ponto do palco junto a uma parede de papelão dando condições para que Edigardos Ramon o deixasse sem que a platéia percebesse, para minutos depois todo o elenco do show destruir o robô ante os olhos do público.


Quem passa hoje na Lapa nem desconfia que ali os grandes compositores Wilson Baptista, Geraldo Pereira e tantos outros fizeram sambas e tornaram aquele lugar histórico na vida da música popular brasileira.Alguns desses sambas João não gravou ainda, mas já cantou para mim e outros amigos na intimidade do seu apartamento. Boas Festas e Brasil Pandeiro do seu amigo o baiano Assis Valente, são exemplos disso e Novos Baianos gravou ambas nos anos 70, motivado pelo cantar, sucessivas vezes, lá na cobertura  em Botafogo onde o Maestro freqüentava. E como não captamos sua mensagem, fomos alertados pelo mestre da   a música e da Bossa, para a beleza, o balanço  do samba de Assis Valente e principal para  o previsto sucesso no rádio e que realmente ocorreu. Eu discípulo, fico pensando em algumas músicas que ele as toca já há algum mas aparecem ainda no seu repertório gravado. Tem uma que ele já vem cantando nos shows e qualquer dia desses, ele grava, porque eu já estou sentindo como naquela brincadeira de criança onde um esconde uma coisa e quando um dos brincantes se aproxima do objeto escondido, o escondedor diz: “está quente”. Trata-se da belíssima Que Rei Sou Eu de Claudionor Cruz. O meu pedido tem o forte argumento de que vejo João dentro da letra e porque a música também é sua cara.

Outras bandas

Quando ficamos apenas Moraes, Paulinho e eu, nós éramos acompanhados por algumas bandas. Um deles foi Brasões que acompanhara Tom Zé em “São São Paulo”. Nós, sabedores do potencial artístico de Pepeu como guitarrista, lutávamos para que os produtores o colocassem em nossas apresentações, embora os conjuntos acompanhantes tivessem um guitarrista. Também somava a favor de Pepeu a musicalidade baiana e outras afinidades. Ele criou um conjunto em Ribeirão Pires, que tocava em baile de Clube. O nome era Enigmas e dele, além de Pepeu, participavam Odair Cabeça de Poeta, Pedrão, que depois foi do Som Nosso de Cada Dia, e mais um francês chamado Jean. Passamos um tempo bem acompanhados por esses rapazes. Pepeu antes já acompanhara o grupo no primeiro show, Desembarque dos Bichos, com um conjunto de nome Leif’s, formado quase todo pelos irmãos Gomes. Sem falar nos arranjos das músicas que foram feitas por ele, com o dedo de Moraes.

Os Novos Baianos foi um grupo tão forte que em 1970, ainda no seu início, Baby saiu por cerca de 5 meses para se lançar individualmente, o grupo reduzido naquele momento apenas a Moraes, Paulinho Boca e eu, continuamos vivos e atacando em duas frentes. Graças a Deus, Baby voltou, por sábia opção, antes de gravarmos um LP.
Em 75, houve a saída de Moraes, que foi uma perda irreparável mas, o grupo resistiu bravamente produzindo ainda quatro discos fantásticos. Talvez pela falta de Moraes, naquele momento inicial do grupo sem ele tivemos que desenvolver a música instrumental e foi aí que surgiu o chorinho dentro do trabalho dos Novos Baianos. Da mesma forma, Moraes também fez chorinhos na sua carreira individual. Foi muito importante o trabalho de Pepeu Gomes, desenvolvendo o músico que é, trilhando as influências de Jacó do Bandolim, Waldir Azevedo e Luperce Miranda, misturadas à sua garra de roqueiro; o que culminou com o histórico arranjo de “Brasileirinho”, juntando o acústico e o eletrônico. Para isso Pepeu contou com o apoio do técnico de som Salomão. Ele morava conosco para que os músicos pudessem contar com ele a qualquer momento, como também para realizar estudos e experiências até em transformações de instrumentos. Essa mistura do acústico com os instrumentos elétricos já tínhamos alcançado no tempo de Moraes, em “cadencia do samba” de Ataulfo Alves, “Samba da Minha Terra” de Caymmi e “Dagmar”, Moraes gravações realizadas na Continental.

Apenas quinze dias em São, nós já estávamos conhecidos na cidade através da televisão. Atingíamos toda espécie de público. Íamos tanto a programas populares. Tipo Hebe Camargo e Chacrinha, como também participávamos dos produzidos para uma elite cultural participávamos dos produzidos para uma elite cultural, como o de vanguarda produzido e dirigido por Fernando Faro na TV Tupi. Aparecíamos tanto na televisão que, não conseguíamos nos ver em alguns programas porque no momento em que estavam sendo levados ao ar, nós estávamos gravando outro.
Aconteciam coisas assim: o pessoal da emissora marcava uma externa conosco e na hora da filmagem chovia. Um problema para a produção, que nós resolvemos propondo uma interna, onde colocávamos o Playback de Ferro na Boneca e fazíamos o clipe com o grupo saindo de um lava-carro como se de um túnel de futebol. Você, reparando bem, pode ver a semelhança. Acertamos na mosca, o público adorou de um jeito que nos parava na rua para contar a cena. Um entrou em campo cuspindo no chão, com a câmera pegando o close, o outro, se benzendo e entrando com o pé esquerdo,propositadamente, dando bandeira disso, enquanto outro dava uma cambalhota. A Baby entrou fazendo “pontinhos” com uma bola imaginária e depois a controlando na cabeça, sem deixá-la cair.
Antes mesmo de interar um mês naquela cidade lançamos um compacto simples com as músicas De Vera e Colégio de Aplicação.

Daquela casa, uma das lembranças mais significativas foi a desse balanço acrobático mostrado acima. Vocês podem comprovar pela fotografia a vida de criança que tínhamos quando parávamos as atividades de rua e os ensaios em casa para brincarmos de balanço. Pode alguém argumentar que tal brincadeira não é tão fascinante assim mas, a foto não mente. Nossos balanços estavam armados no alto de dois ciprestes italianos. Era só passar o cinto de segurança improvisado e voar, com a ajuda de alguém que empurrava o passageiro para o balanço ganhar velocidade. Estes funcionavam no ar como se fossem naves espaciais de parque de diversões. Não mostrei ainda o perigo e a emoção que tais brinquedos proporcionavam tanto para os balançados como para os que assistiam a cena. Eu só experimentei uma vez.
Imagine uma casa que ia de uma rua a outra, tendo sua parte principal, onde ficava instalado um balanço, em frente ao cemitério, enquanto o portão dos fundos ia dar numa rua embaixo, em função do declive acentuado do terreno. Em determinado momento passava um ônibus pela rua de baixo e o balanço que vinha da rua de cima sobrevoava o ônibus para espanto e gozo dos passageiros. O tripulante do balanço chegava quase a se esporrar de felicidade. Imagine se uma corda daquelas, por mais nova e testada que fosse, viesse a quebrar? Valeu pelo real e pelo temporal que foram aqueles dias, de outra infância que o tempo não conseguiu apagar.

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