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O fotografo Pedrinho de Moraes, filho do poeta Vinícius e pai da minha amiga atual a atriz Mariana Moraes, fez a capa do citado disco Pedrinho madrugou uns três dias para fotografar uma pomba no ninho e conseguiu uma linda foto. Gravamos o Novos Baianos F. C.
Esse disco é tão bom quanto o Acabou Chorare mas, faltou divulgação bala na agulha da Continental porque a Warner se instalou aqui e a Continental virou pequena.

Sorrir e Cantar Como Bahia – ( Letra= Galvão – Música= Morais )
Mãe é mar/ Mares e não maré/Água e terra/Mãe é mar/Mares e não maré/Água e terra/
O mar amar/Pra saber da árvore/Com galhos pra quebrar/Em secas folhas ao chão/
Secos e duros gravetos/Em lenha pro fogo/Que cozinha esses anos todos/A grande panela
do mundo/Mas mar é mar/Correndo tranqüilo pela terra/Com o som das águas dizendo/
Que mãe só não pode entrar nessa/Muito pelo contrário/É sofrer e chorar como Maria/
Sorrir e cantar como Bahia/E o menino solto como o dia/E aí?/Mãe pode ter e ser bebê/
E até pode ser Baby também


A gravadora RGE. Fermata reservou o estúdio para gravarmos o nosso próximo disco, que seria um compacto duplo, lançado em 1970. Chamamos o Lula Martins, que estava afinado com o nosso trabalho, para fazer a capa. Ele transmitiu o nosso momento e da geração através do colorido, da expressão rebelde que ele colocou no meu rosto e no de Moraes e Paulinho Boca. Baby Consuelo havia nos deixado para tentar pela primeira vez a sua carreira individual, e por isso esteve ausente nesse trabalho. Nós tínhamos prontas as músicas Globo da Morte que tínhamos feito inspirados em Jimmy Hendrix, Psiu que foi baseada na personalidade de Dona Vitória a vizinha que tivemos lá no Rio de Janeiro, na Rua Maria Angélica, no Jardim Botânico. Dona Vitória era uma velhinha nordestina de 70 anos e que dizia: “Eu só mando na minha pessoa”. E apontando para nós, arrematava: “E nas pessoas que eu mais gosto, ninguém manda não”. Colocamos as suas palavras integralmente na letra de Psiu. Tínhamos ainda “Mini-Planeta Íris”, que retratava o movimento da juventude nos anos 70. Observamos que faltava ainda uma música para completarmos o disco. E o pensamento me levou de volta a Juazeiro, minha terra, onde tive um caso de amor com uma garota chamada Socorro. Esse amor deu pano pras mangas. Ela tinha me trocado por outro, quando eu fui numa excursão para a Argentina, e contarei com detalhes mais pra frente, quando contar como fiz a letra da música “Preta Pretinha”. Naquela viagem eu sentira saudade dela e no dia 29 de outubro eu passei um telegrama para ela cujo texto foi: “Socorro! 29 beijos, Luiz Galvão”. A música que completou o disco levou o nome de “29 Beijos” e a letra a seguinte: Eu não quero mais/Preocupation comigo/E nem de leve/Águas assadas/Canto e recanto de lágrimas/No meu coração/Eu não quero não/Espero lhe ver/Lhe encontrar/Tenho 29 beijos/Pra lhe dar. Para nós aquele acontecimento musical teve a importância de dar o pontapé inicial no sucesso da nossa carreira.

Novos Baianos

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Quando fomos ao programa da Hebe, Marcos Lázaro, que era o principal empresário da área, nos viu e no ato nos contratou. Na época, Lázaro empresariava os mais importantes artistas da área da música no Brasil, entre eles estavam Roberto Carlos, Elis Regina, Jorge Ben ( Benjor )e outras estrelas. Nós tínhamos vindo do Rio trazidos por João Araújo, pai de Cazuza, que dirigia a RGE Fermata e nos contratara para gravarmos o primeiro LP. A partir da contratação pelo Marcos Lázaro, mudamos do hotel Paramount, onde ficavam os artistas novos, ou velhos que já não desfrutavam de boa situação financeira e não estavam na alça da mira da mídia, como era o caso do maior cantor do Brasil de todos os tempos, Orlando Silva, que já fora chamado de o “Cantor das Multidões”, e fomos para o Hotel Danúbio, na avenida Brigadeiro Luiz Antônio. Por coincidência, ficamos nos quartos em que antes tinham morado Caetano e Gil; eu, Moraes e Paulinho juntos em um quarto onde Caetano Veloso e Gilberto Gil tinham morado na época do Tropicalismo, enquanto Baby, por ser mulher, ficou em quarto separado. Por coincidência o mesmo em que Gal Costa ficara antes. Íamos de vez em quando visitá-la mas, ela ficava mais tempo no nosso que no dela.. Fizemos amizade com todos no hotel, desde a gerência ao garçom. As camareiras forravam as camas e ainda contavam suas histórias todas. Seu Pedro, o chefe de cozinha, que nas horas vagas era sanfoneiro e tinha uma casa de forró, além das histórias, nos mandava pratinhos especiais e dizia: “É de artista para artista”.

O Festival da Record, enquanto apresentado, revelou grandes artistas, como Edu Lobo, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Elis Regina, Gal Costa e Novos Baianos também. Era o grande acontecimento musical da época. Lá foram lançadas as músicas: Disparada, Ponteio, A Banda, Alegria, Alegria, Domingo no Parque, Arrastão, Um Dia e São Paulo Meu Amor.
Na apresentação da música De Vera quando fomos defendê-la naquele festival, um dos diretores da TV Record, de nome Marcos Rizzo, perguntou: “Como é o nome do grupo?” Ao respondermos, dissemos que Nelson Mota tinha sugerido Baianovos mas, recusamos, por acharmos muito carioca, não o encaixando com o nosso tipo. Ele lançou: “Por que não Novos Baianos?” E dessa forma, com a nossa aprovação, nasceu a criança, ou seja, esse nome com sentido amplo e super polêmico que, visto por um ângulo preconceituoso, pode parecer até pretensioso porém, deu pano pra mangas. O nome filho da Bossa Nova e talvez o mais pródigo. Examinando-o esse podemos ver que “Novos” tem duplo sentido, mas a nossa colocação foi no sentido único de “mais baianos na praça”. Quereríamos incomodar, e até criar uma imagem que refletisse o nosso incomodar. Caetano e Gil entenderam assim, e gostaram do nome a ponto de Caetano ter feito três músicas nas quais cita os Novos Baianos, inclusive na antológica “Sampa”.

Rio Sao Francisco, Foto de Euvaldo Macedo

Foi dentro daquele momento de inspiração que nasceu também Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora, quando por minha cabeça passaram reminiscências da minha infância lá em Juazeiro da Bahia minha terra natal mas, o sentimento que comandou o enredo da letra veio fruto da minha rebeldia, que começara em Juazeiro nas minhas rusgas com os moradores que ficavam P da vida ao ver suas ruas transformadas em campos de peladas e pelas boladas nas janelas de suas casas, algumas acidentais e outras propositais. Calma os leitores não baianos! Pelada de rua, além de rimar pode significar mulher nua, mas no caso trata-se de futebol na praça. Essa língua portuguesa é que tem dessas: manga deliciosa fruta, manga da camisa, a pessoa que manga dos outros quando debocha. Existem algumas outras palavras que têm vários significados. Os cariocas, talvez por isso, chamem de baba o futebol praticado no meio da rua e nós baianos, soteropolitanos ou nativos do interior dizemos pelada, mas deixemos de divagações e voltemos a nossa guerrinha com a vizinhança da minha infância que não era fria nem quente, classifico-a como morna, porque os moradores embora insatisfeitos, não se manifestavam por estar sempre sujeito a existência de um menino parente participando daquelas peladas, porém o inimigo era um soldado enorme, conhecido como Carrasco, o qual cismava com nosso jogo no meio da rua, e tentava acabá-los mas, a meninada o colocava no “bobinho”, só que não podíamos dar o mínimo vacilo, porque ele na nossa frente furava com seu sabre a inocente bola, e vocês não imaginam a fúria do Carrasco estraçalhando-a. Doía tanto em nossos corações meninos e calouros, ao ponto de sentíamos até o sangue sair da bola, junto com o ar.
Nas festas juninas de São João e São Pedro, meus pais, nos fins de semanas e nas férias me levavam para Carnaíba, distrito de Juazeiro da Bahia, onde morava meu avô materno Pedro Dias, e num daqueles São João quando eu já estava com quinze anos, fui premiado com a resposta da vida.
Alguém jogou um busca-pé que veio na minha direção e, quando quase me alcançava, escondi-me atrás do Carrasco, segurando-o, enquanto o busca-pé queimava a sua farda, descontando a dor da bola e da meninada. O Carrasco só não me jantou porque em Carnaíba só tinha dois soldados, e da minha família estavam ali mais de trinta. O homem ficou vermelho mais que a chama da fogueira, e quis me pegar mas, foi impedido por meu pai que além de vereador tinha fama de valente, embora não me lembro de tê-lo visto brigar nem de boca quanto mais na mão. O Carrasco teve que engolir calado o sermão de meu velho com voz alterada e o dedo indicador em riste. Meu pai apesar de durão, nas horas precisas, procurava ser justo, e mandou seu motorista levar furador de bolas para o hospital a fim de fazer os curativos. O ponto central do enredo dessa letra foi a historia do jovem Tadeu, que eu não o conheci, mas era irmão do meu amigo Oseinhas. Tadeu morreu atropelado quando corria atrás de uma bola mo meio da rua. Aquele acidente ficou bem registrado na minha memória por ter ocorrido na Rua 15 de novembro, próxima a casa da minha mãe, naquele campo clandestino onde também joguei muita bola, tanto quando aquela Rua ainda era de areia e sem calçamento de paralelepípedo ou asfalto, e também quando teve uma quadra de esportes onde joguei vôlei, basquete e futsal.
Em Juazeiro também estudei agronomia e depois de concluir o curso universitário trabalhei três anos mas, abandonei a carreira pra tornar-me um novo baiano.

Eis a letra de Só Se Não For Brasileiro Nessa Hora.
Desde lá, quando me furaram a primeira bola/ No meio da rua/Na minha terra/ Quer dizer/ Em Juazeiro onde se dá o mesmo tem Ituaçu/ Desde lá, quando me furaram a primeira bola/ No meio da rua/Na minha terra/ Quer dizer/ Em Juazeiro onde se dá o mesmo tem Ituaçu/ Ô,ô,ô a vizinha tem vidraças/ Tem sim sinhô/ Ô,ô,ô a vizinha tem Vidraças/ Tem sim sinhô/Aos meus olhos bola, rua, campo/ E sigo Jogando/ Porque sei o que sofro/ E me rebolo para continuar menino/ Como a rua que continua uma pelada/ E a vida que há do menino atrás da bola/ Pára carro, pára tudo/ Quando já não há tempo/Para apito, para grito/ E o menino deixa a vida pela bola/ Só se não for/ Brasileiro nessa hora!/ Só se não for brasileiro nessa hora!


Marilhona, como a chamávamos carinhosamente, deu-nos a notícia bem ao seu estilo, sorrindo: “Vocês não sabem da maior. Dançou a operação sinal fechado. Quando abrimos a boca para pedir dinheiro ao primeiro cliente que estava num Karman Ghia, ele nos respondeu que era delegado de polícia e na sua delegacia a comunidade dos Novos Baianos já estava em pauta. E, embora ele gostasse da nossa música, alertou que, se não pararmos com isso, entraremos em cana por vadiagem”. A salvação veio através de João Gilberto que até então não sabia de nada disso estava lá naquele dia não belo mas, em que ele o estava o fazendo azul como o seu canto e acalmou a todos, dizendo: “Não esquente não. Vamos continuar com o som. Vamos continuar com o sonho”. Ele tirou do bolso o equivalente a 50 dólares e entregou para Marilhinha, mulher de Paulinho que administrava a alimentação da casa: “Quero um café da manhã cinco estrelas, com frutas, passas, ameixas, queijo, biscoitos finos e sortidos, ovos, geléia, iogurte, tortas e mel. Arrume a mesa para um banquete”. Alguém tomou a palavra: “Sendo assim, vamos convidar Dona Silvia”. Eu, que já sabia como João é defensor radical da sua privacidade, sendo capaz de desaparecer como um paranormal a fim de não conhecer qualquer Dona Silvia, expliquei: “João, é que temos uma amiga de 65 anos, uma mendiga que divide a comida com os vinte e tantos cachorros vadios que a acompanham”. João aprovou a idéia, e Paulinho Boca sabia onde era o barraco em que ela se escondia e foi buscá-la de carro. A mesa, posta como João pediu. Frutas das mais variadas espécies, biscoitos deliciosos e sortidos, entre eles, bolachinha de goma e fofão, este, de confecção caseira, encontrado apenas na Bahia e adjacências. Não sei como descobrimos a bocada daquela raridade. Uma mesa farta esperava por nossa convidada, e quando Dona Silvia chegou, toda despachada como era, João não resistiu e deu-lhe um carinho especial, beijando-a e abraçando-a. Ela retribuiu dizendo: “Pronto, mais um filho. E como é bonito e delicado. Parece um violão. Eu adoro estes meus filhos cabeludos. Ele também é. Vocês com essas cabeleiras do Zezé cobrindo os olhos não podem ver mais eu estou vendo”. João deu as novas para ela:
– Vovó Silvia, os meninos me convidaram para o café da manhã do seu aniversario.
– E como vocês souberam que eu nasci no dia de hoje? Esta foi sua resposta e apontou para João, dando aquela risada gostosa que só ela sabia. Voltou seguindo o papo:
– Mas não contei nem para os meus cachorros.


Em 97, aprontei o livro Anos 70 Novos e Baianos, e fiz o lançamento em São Paulo na casa de espetáculos Bar Avenida, acompanhado por um show onde eu abria com o meu trabalho solo, acompanhado por uma banda e os Novos Baianos o encerava. Foi um sucesso.
Uma semana depois estava conversando com Moraes lá no estúdio dele no Rio de Janeiro, acertando para fazermos o lançamento na Cidade Maravilhosa, nos mesmos moldes, quando ele atendeu um telefone e contou-me entusiasmado, que acabara de receber uma proposta irrecusável para gravarmos um CD dos Novos Baianos com a gravadora Universal. Telefonamos para Paulinho Boca em Salvador, contatamos com Pepeu e Baby , e logo assinamos contrato em grande estilo.
Como a maioria mora no Rio, eu e Paulinho viemos e ficamos num hotel durante as gravações e o período destinado para as entrevistas que anunciaram a novidade. À noite íamos para o apartamento de Pepeu, onde fazíamos as músicas, preparávamos os arranjos e o pessoal do gogo aprendiam as músicas e letras cantando-as. Tudo dentro de um ritmo de criatividade, festa, esperança e intervalos com conversas relembrando histórias do passado, que agora estão contadas aqui, além do grande número de piadas que rolaram e nos fizeram rolar de rir.

Aquele espetáculo era o primeiro da nossa carreira, o qual eu dirigia do palco, falando “luz aqui”, “luz ali”, e a técnica me atendia prontamente, mas nem eu ou qualquer outro dos Novos Baianos tinha alguma experiência com aquele tipo de atuação. De qualquer forma valeu pelo repertório completamente inédito e com músicas consagradas posteriormente como “Ferro na Boneca”, “De Vera”, “Colégio de Aplicação” e “Swing do Campo Grande”. Valeu pela presença dos futuros destaques dos Novos Baianos, aprovados pelos olhos nacionais, e, principalmente, pela criatividade e improvisação que rolaram do início ao fim. Valeu tanto que lotou o Vila Velha nos três dias de espetáculo.
Merece destaque o grande momento de improvisação. Lá pelas tantas, Seu Vagner, um ator baiano que fez o papel de Chita de Tarzan, no filme Meteorango Kid Herói Intergaláctico, e o repetia no show, falando textos de Oswald de Andrade, desceu por uma corda e, por descuido, tocou com o pé numa ponta cabeça expondo ao ridículo a trama do papel celofanes vermelho que fazia o fogo. No mesmo instante, eu, que dirigia o show do palco saltei sobre a lareira pisando-a, no que fui seguido pelos que estavam no palco. Destruímo-la com os pés num gesto unificado, numa ligação automática e numa comunicação telepática. Na seqüência Super Boy, na coxia perguntou-me: “Posso voar?” E eu sem vacilar disse: “Vá à luta e sorte”.
Pra que eu fiz isso? Super Boy meteu os dois braços e a cabeça entre as cordas de um balanço que estava pendurado na frente do palco, recuou até o fundo para criar o impulso, voando todo durinho que só um avião sobrevoando as cabeças dos presentes na extensão de oito metros da ponta do palco. Quando ele voltava do segundo vôo e ameaçava dar o terceiro, Paulinho Boca me deu um toque, lembrando que Tuzé de Abreu já tinha quebrado o outro balanço. Sem combinação alguma, mas, de forma automática, pegamos, eu e Paulinho, um em cada braço do Super e o retiramos de cena. Aí é que foi: para evitar o buraco e dar uma explicação plausível ao público, saquei uma cabeça de Batman, que estava largada no fundo do teatro, coloquei numa bandeja, e, aludindo às cabeças cortadas dos artistas pelo tempo que vivíamos, enquanto Baby dava uma volta pelo palco, eu subi até a iluminação onde Grandhi trabalhava com o retroprojetor e dei-lhe um texto que ele transcreveu para perplexidade da platéia: Não sobrou nem a cabeça do irmão de Super Boy.

E FERRO NA BONECA


Vou contar a história de uma das primeiras músicas que fizemos na pensão de Dona Maritó e que veio a fazer sucesso. Ferro na Boneca teve como tema a nossa caminhada e a irreverência no encalço do novo e revolucionário. Para torná-la popular usamos no final da letra a linguagem do radialista França Teixeira que era a coqueluche na época em Salvador. Ele fazia um programa que alcançava a maior audiência e nos chamou à atenção a sua criatividade quando ele dizia: “É ferro na boneca. É no gogó neném”. Por outro lado usamos outra influência que foi o termo concretista de Décio Pignatari Produsumo. Ainda recorremos a veloz linguagem de quadrinhos e desenho animado: Pluft, pluft, pluft por Grandhi, um amigo que estava sempre com a gente e dizia: “Vocês são pluft, pluft, pluft”. E Angeli usou como trilha no seu genial longa anima Wood & Stock, Sexo, Oregano e Rock E N`Roll , dando continuidade ao lance e marcando o gol.

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