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. Nós estávamos ainda muito influenciados por Chico Buarque e as músicas Pedro Pedreiro, Quem te Viu Quem te Vê e Carolina, nos colocavam numa racionalidade bem distante do revolucionário Tropicalismo, embora Alegria, Alegria e Domingo no Parque, já flertavam conosco para ficarmos mais para Caetano Veloso e Gilberto Gil que para Chico Buarque, mas Béu foi fundamental quando nos disse: “Levem o disco e em casa mais calmos, ouçam que vocês vão entender porque isso é o que está mais próximo do que vocês estão fazendo”. Não deu outra e ao ouvirmos pela segunda vez ficamos encantados passamos a imitar o Tropicalismo até encontrarmos a nossa identidade como Novos Baianos. O nosso primeiro disco Ferro na Boneca, eu considero um disco tropicalista, mas pela grande influência do trabalho de Caetano, Gil e Tom Zé.
Éramos amigos do pessoal da academia de capoeira Angola, do Mestre Pastinha, e até fizemos um show no salão, no qual os alunos comandados pelo mestre fizeram uma exibição, eu recitei, e o Canto 4, que era o grupo de Moraes, cantou algumas músicas que estavam em evidencia na época, como “Quem Te Viu, Quem Te Vê” de Chico Buarque, “Procissão” ,Gilberto Gil, “Um Dia” ,Caetano Veloso e “Porta Estandarte” Fernando Lona. Genaldo Lemos que chamávamos de Naldinho e seu irmão o capoeirista Gildo Alfinete nos apresentaram a cantora Eliana Pittman, que gravou a minha primeira música de parceria com Edil Pacheco. A revista O Cruzeiro fez uma reportagem, cobrindo o assunto e fizemos a fotografia no forte São Marcelo. Eu e Moraes aparecemos ainda com os cabelos curtos.
Tom Zé foi quem juntou a dupla Moraes e Galvão, e ali quando estávamos iniciando a nossa profissionalização artística foi o nosso principal orientador; e sua palavra teve significativo peso na integração de Paulinho Boca ao grupo. Havia por parte dos intelectuais que conviviam conosco, uma posição radical pedindo a formação da dupla Moraes/Galvão, a exemplo de da dupla Tom e Vinícius, e excluindo Paulinho Boca, que eles não sentiam caber na historia. Falei com Tom Zé que nós gostávamos de Paulinho e sentíamos a sua importância. Tom disse: “É claro, a voz de Paulinho é muito bonita e a desinibição dele vai ser muito importante no palco. Façam um grupo, que é melhor para vencer as barreiras que vocês vão enfrentar”.
Vou contar a história de uma das primeiras músicas que fizemos na pensão de Dona Maritó e que veio a fazer sucesso. Ferro na Boneca teve como tema a nossa caminhada e a irreverência no encalço do novo e revolucionário. Para torná-la popular usamos no final da letra a linguagem do radialista França Teixeira que era a coqueluche na época em Salvador. Ele fazia um programa que alcançava a maior audiência e nos chamou à atenção a sua criatividade quando ele dizia: “É ferro na boneca. É no gogó neném”. Por outro lado usamos outra influência que foi o termo concretista de Décio Pignatari Produsumo. Ainda recorremos a veloz linguagem de quadrinhos e desenho animado: Pluft, pluft, pluft por Grandhi, um amigo que estava sempre com a gente e dizia: “Vocês são pluft, pluft, pluft”.
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Da minha amizade com Glauco e outros cartunista como Angeli e Laerte surgiu a fase “Poemas Cartun” inaugurando parcerias que pontua os trabalhos dos anos 80 quando morei em São Paulo numa convivência intensa com esses talentos , a turma da Tribo . E ta tudo aí, o garoto Raoni nasceu nessa época, brincou com meus filhos; fica a arte contando nossa história…..

Raoni
Raoni é o apelido
De um mulato olhos verdes
Lá do Estácio
Faz parte da tribo
Que curte em frente ao sol de Ipanema
tanto Iang quanto In
Toma coca cola
Usa Jeans
Raoni cheio de Blablablá
Dança na areia e ensina
Peixe a nadar
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Eu sou o caso deles (Morais/ Galvão)
Minha velha é louca por mim
Só porque eu sou assim
Meu pai, por sua vez
Se liga na minha
E nos “butecos” onde passa
Não dá outro papo
Minha velha é louca por mim
Só porque eu sou assim
Meu pai, por sua vez
Se liga na minha
E nos “butecos” onde passa
Não dá outro papo
Eu sou o caso deles
Sou eu que esquento a vida deles
No fundo, no fundo
Coloco os velhos no mundo
Boto na realidade
Mostro a eternidade
Senão eles pensavam
Que tudo era “divino maravilhoso”
Levavam tudo na esportiva
Ficavam com sorte
E não se conformariam com a morte
Minha velha é louca por mim
Só porque eu sou assim
Essa é mais uma homenagem aos meus sempre queridos pais Dona Helena e Alberto Albernaz Galvão fonte de orientações e amor a que eu sempre recorro nessa minha atual função de pai. E pelo visto a Mariza monte tambem….
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DOIS EMPRESÁRIOS AMIGOS
A rebeldia dos Novos Baianos parava diante de empresários sensíveis e rolava uma relação que, não se limitando apenas ao mundo dos negócios, enveredava pelo campo íntimo da amizade. Mesmo hoje, quando não há mais nenhum vínculo contratual entre o grupo e empresas comandadas por Alberto Brighton Neto e João Araújo, esses dois empresários continuam amigos dos Novos Baianos.
João Araújo foi nosso descobridor e produtor do nosso primeiro LP Ferro na Boneca. O bom gosto musical de João se afinava com os caminhos musicais do grupo. Ele nos convenceu a usar maestros nos arranjos de determinadas músicas, deixando outras para que Pepeu as arranjasse, embora nos solos Pepeu ficasse com liberdade para dar nossa cara à música. João foi o responsável também pela colocação de metais no nosso trabalho, e fomos premiados com os violinos regidos pelo maestro Hector Lanha Fictta. Naquela época, João Araújo não se ocupava exclusivamente com a área comercial e produziu Ferro na Boneca cuidando, opinando mas, nos deixando com o poder de decisão em todo o processo do disco. Três anos depois, fizemos o Acabou Chorare, já na gravadora Som Livre. Ele colocou outro produtor, Eustáquio Sena mas, acompanhou de perto as gravações e se entusiasmava com a qualidade das músicas. Ele previu o sucesso de “Besta é Tu” e “Preta Pretinha” e nos animou, dizendo: “Esse vai ser a nossa consagração, venderá mais de cem mil discos, é melhor ainda que o Ferro na Boneca”. Antes de o disco sair, ele levava quase todas as noites Walter Clark e Bonifácio Neto, mais conhecido por Boni, ambos diretores da TV Globo na época, à boate Number One para assistirem nosso show, que utilizava o repertório do disco como base do espetáculo. Nós morávamos em São Paulo mas, quando vínhamos ao Rio de Janeiro, ficávamos algumas vezes em hotel, e em outras, nos levava para sua casa, que virava uma casa de espetáculos. Toda noite fazíamos um showzinho particular para a imprensa amiga de João ou para amigos importantes que ele convidava para conhecer nosso trabalho. Nós não trocávamos o tempero de Cedalha por nenhum restaurante fino. Cedalha, cozinheira da casa de João Araújo, sempre tinha um docinho especial, que ela dizia ter sido feito para nós. Ela mandou nos convidar para seu casamento.
Cazuza, que anos mais tarde se tornou o melhor poeta dos anos 80 na MPB, naqueles dias em que éramos seus hóspedes, não perdia um segundo. Um dia chegamos a Som Livre e nos deparamos com Cazuza trabalhando de recepcionista. Ele nos botou na frente de todo mundo para falar com seu pai, João Araújo, com o argumento, ou melhor, com o artifício de que João Araújo já estava nos esperando há mais de meia hora; e ainda enfeitava a história, dizendo: “Vocês são um barato. Nunca chegam na hora marcada”. E nós, subindo a escada, dizíamos para ele: “Aqui não é seu lugar, você é um artista”. Cazuza respondia: “São coisas do Velho, querendo me colocar na linha”.
Também me lembrei de um encontro que tive com Zé Vitor, que fora diretor comercial da CBS, quando lhe falei de uma jovem cantora baiana ainda desconhecida mas, com muito talento , Sara Jane. E ele me perguntou: “E ela é bonita?”. E respondi: “É uma linda morena de olhos verdes”. “Sendo assim, pode trazer que ela grajva. Cantando bem e bonita é o que o Brasil está precisando”. Eu fui fazer outra coisa em São Paulo e, quando voltei à Bahia, Sara Jane já estava fazendo sucesso na ODEON. Na saída da sala de João Araújo, este me perguntou o que eu achava de Cazuza. Disse-lhe que ouvira “Bete Balanço” e ficara muito feliz por sacar que Cazuza era um bom letrista e filho artístico dos Novos Baianos. João Araújo me disse: “Ele gravou sem a minha interferência mas, agora eu vou prestar atenção, você, que é um poeta que eu respeito muito, está dizendo que Cazuza é bom”.
Alberto Brighton Neto é presidente da gravadora Continental e a sua amizade com os Novos Baianos vem desde 1973, quando a Continental representava Warner no Brasil e ele, Brighton, contratou o grupo com a intenção de lançá-lo no exterior e, principalmente, nos Estados Unidos da América. Tanto o lado acústico desenvolvido pelos Novos Baianos, que tinha um verdadeiro regional, como também o lado elétrico que, com características próprias e a cara de Brasil, poderiam encontrar espaço naquelas bandas. Para isso, pensou-se em associar o futebol, que o grupo brincava com certa categoria, para ser apresentado como um espetáculo em estádio, para difundir o futebol naquele país. Como é do conhecimento público, o Cosmos, o principal Clube de futebol dos Estados Unidos, pertence à Warner e, por isso, houve uma reunião de Brighton com Afonsinho e Nei Conceição, jogadores que pertenceram à seleção brasileira, e que eram muito amigos nossos e politicamente afinados. Brighton propôs a contratação dos dois jogadores e mais Geraldo Mãozinha, outro craque, para o nosso time, que também teria outros reforços. Deste modo, nós, do grupo, jogaríamos apenas um tempo e depois nos apresentaríamos no palco. Afonsinho e os outros dois jogadores aceitaram a proposta. Paquetá, que jogara no Vasco e hoje é médico como Afonsinho, já estava na lista dos reforços. Infelizmente, a gravadora Continental perdera a representação da Warner, que se instalou no país e aquele plano foi desfeito. Anos depois, Pelé foi contratado pelo Cosmos e lançou o futebol nos Estados Unidos da América.
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Dê um role Morais/ Galvão
Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
Enquanto eles se batem
Dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia
Eu não tenho nada
Antes de você ser eu sou
Eu sou eu sou
Eu sou amor
Da cabeça aos pés
E só tou beijando o rosto
De quem dá valor
Pra quem vale mais um gosto
Do que cem mil réis
Fui contando a vida que é boa, apesar dos mementos contrários a felicidade, e para isso deixávamos o confronto para quem tinha tempo para estacionar, e íamos como Glauber sabendo do hoje no amanhã, e naquele hoje nós cantávamos, jogávamos bola e alegrávamos muitos. Dávamos um rolê, gíria da época e éramos amor da cabeça aos pés, porque dávamos mais valor a um gosto do que cem mil réis.E Gal Costa fez esse gol de placa.
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VIRADA PAULISTA 2009
Quem estava no palco como eu, deve ter sentido a mesma sensação de inacreditável ver a sua frente milhares de pessoas, uma esteira de gente, que ia do início da avenida São João, próximo a esquina com a Consolação e indo até o prédio do BANESPA.
Paulinho ganhou a galera com Dê um Rolê e Mistério do Planeta. Na primeira o público cantou o refrão junto e Mistério do o pessoal fez aquele silêncio para ouvir acompanhando passo a passo. Pepeu deitou e rolou com sua guitarra de ouro, prata e diamante. E ainda soltou a voz com balanço em algumas musicas.
Eu venho encontrando pessoas tanto na Bahia, como em Sampa e no Rio de Janeiro que me param e perguntam: Você ainda faz aquelas coisas maravilhosas? Não temo colocar aqui a resposta de que venho dando, mesmo correndo perigo de alguém julgar que estou me achando. Não é nada disso. Digo em português claro: “Não sei se o que fiz e continuo fazendo é maravilhoso, mas sou melhor do que antes. Está interando 17 que deixei de fumar maconha e etc. Os neurônios estão desenferrujados, tenho mais experiência, o cuidado com a palavra é redobrado, e a inspiração é a mesma. Vocês podem ver em três poemas que mostrarei se estou mentido ou falando a verdade. Só não melhor do que foi quem não quer.
Tive a coragem de ousar, inspirado em Castro Alves, e animado pela alta que a poesia está no palco do Show Business,.
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A menina dança (Moraes/galvão)
Quando cheguei
tudo, tudo
tudo estava virado
Apenas viro me viro
Mas eu mesma
Viro os olhinhos
Só entro no jogo porque
Estou mesmo depois
depois de esgotar
o tempo regulamentar
de um lado o olho desaforo
que diz o meu nariz arrebitado
e não levo pra casa
mas se você vem perto
eu vou lá
eu vou lá
no canto do cisco
no canto do olho
a menina ainda dança
dentro da menina
a menina dança
e se você fecha o olho
a menina dança
dentro da menina
ainda dança
até o sol raiar
até o sol raiar
até dentro de nascer
nascer o que há
A HISTORINHA
Através das letras das músicas eu registrava o tempo que estávamos vivendo e algumas músicas foram feitas para Baby cantar e eu colocava alguma coisa da própria Baby Consuelo. Nessa daí ta na cara que tem A Baby e os mistérios dos olhos. A menina Baby e a menina dos olhos. Tanto é que falei: “… Mas eu mesma”. Isso porque a boca a, a caneta e o coração eram meus, mas quem estava falando era a Baby.
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Às vezes estou com João e ele canta uns sambas maravilhosos, e eu fico querendo saber o autor, e João antes de revelar, conta coisas lindas do seu amigo Waldemar que a gente sente ter sido tão genial quanto seus sambas. Creio que hoje só João sabe dessas pérolas musicais e poéticas.
Valdemar é um compositor de Fortaleza que não é citado ainda a nível nacional mas, ouvi na sala do apartamento de João, três sambas dele que são exemplos da coleção de sambas que se possa reunir mas, Como se João não gravá-los serão arquivados na lixeira da memória nacional que talvez, pelo que se espalha por aí sofrendo do mal de alzheimer, e quem perderá é o ouvido que se alimenta com o bom samba nacional, e a história que permanece para atender a futuras gerações.
Em 1971 João Gilberto cantou algumas vezes na intimidade sambas antigos que ficaram na nossa memória. Outro dia lembrei-me da música “Santo Antônio Amigo” um samba encantador da dupla, Wilson Batista e Marino Pinto, Liguei para João, e cantei inteiro pelo telefone. No final disse pra ele que ia gravá-lo. João deu força incentivando-me.,, dizendo que ficara feliz em saber que eu cantava, e quando estive com ele posteriormente em seu apartamento, no Rio de Janeiro, a primeira coisa que ele me disse foi: “Luizinho cante aí aquela música que eu vou acompanhá-lo.” De início a idéia assustou-me mas, obedeci, e ele me deu mais algumas aulas que me encorajaram a gravá-la como fiz no meu primeiro disco solo, Galvão Com A Palavra
Há muita música de compositores antigos que só João os lembra, o acervo dele grande em todos os sentidos dessa palavra. Pedidos meus não faltam para que ele os grave mas, o fazer de João Gilberto é um mistério que nem ele sabe, só mesmo o tempo é quem vai dizer. Vou fazer tudo para aprender o máximo dessas pérolas musicais e poéticas, que habitam na memória de João.
Só os mais chegados por terem o privilégio de saber que junto dele se entra mesmo em alfa. Ali o ambiente vibra suave, a música, o tom das conversas, a sensibilidade das pessoas à flor da pele e à flor do ar, tudo em harmonia favorecendo o aprendizado entre musical e poético vindo do mestre da Bossa para os nossos ouvidos em busca desse manjar artístico.
João Gilberto é para os Novos Baianos mais que mestre, porque, desde que ele começou a freqüentar o nosso apê, os fantasmas e baixos astrais que invadiam nossa intimidade, incomodando-nos por demais, desapareceram como que por encanto. Foi exorcismo por cosmocracia*. E, de quebra, rolaram sambas cinco estrelas que estavam guardados na memória nacional lá no coração João Gilberto. João é o canto vivo da nossa memória e existem músicas que nunca foram gravadas e só ele as sabe. Outro dia o cantor e compositor de Cabo Verde Mário Lúcio me contou que lá na sua terra existem
algumas músicas que ele as aprendeu na infância e pensava serem nativas e só aqui é que ele ficou sabendo que são brasileiras que foram levadas pelos marinheiros e há algumas que já se tornaram cabo-verdenses porque já não há mais ninguém que as conheça aqui mas, quando encontrá-lo vou pedir para ele me dizer quais são para eu pedir para João cantá-las.
Venho contar agora uma de João Gilberto tirada do baú. Às vezes estou com João e ele canta uns sambas maravilhosos, e eu fico querendo saber o autor, e João antes de revelar, conta coisas lindas do seu amigo Waldemar que a gente sente ter sido tão genial quanto seus sambas. Creio que hoje só João sabe dessas pérolas musicais e poéticas.
Valdemar é um compositor de Fortaleza que não é citado ainda nacionalmente mas, ouvi na sala do apartamento de João, três sambas dele que são exemplares da melhor coleção de sambas que se possa reunir. Como é que fica, se João não gravá-los? Não fica, ou melhor dizendo, não ficam, e quem perde é o ouvido nacional e a história.
Em 71 João Gilberto cantou algumas vezes na intimidade sambas antigos que ficaram na nossa memória. Outro dia consegui lembrar “Santo Antônio Amigo” um samba encantador da dupla, Wilson Batista e Marino Pinto, Liguei para João, e cantei inteiro pelo telefone. No final disse pra ele que ia gravá-lo. João deu força incentivando-me.,, dizendo que ficara feliz em saber que eu cantava, e quando estive com ele posteriormente em seu apartamento, no Rio de Janeiro, a primeira coisa que ele me disse foi: “Luizinho cante aí aquela música que eu vou acompanhá-lo.” De início a idéia assustou-me mas, obedeci, e ele me deu mais algumas aulas que me encorajaram a gravá-la como fiz no meu primeiro disco solo, Galvão Com A Palavra
Há muita música de compositores antigos que só João os lembra, o acervo dele grande em todos os sentidos dessa palavra. Pedidos meus não faltam para que ele os grave mas, o fazer de João Gilberto é um mistério que nem ele sabe, só mesmo o tempo é quem vai dizer. Vou fazer tudo para aprender o máximo dessas pérolas musicais e poéticas, que habitam na memória de João.
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