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Na quinta dia 02 de junho vai rolar exibição do filme Fihos de João Admirável mundo Novo Baiano… Cinema do Museu na Vitória em Salvador as 20h depois rola um pocket show – Galvao recita e Paulinho Boca canta algumas canções e contam histórias que não estão no filme, apareçam.

 

No outro dia, uma quinta-feira, João me telefonou marcando o nosso encontro para 10 horas da noite. Nada podia ser melhor naquele dia, ele estava alegre e ofereceu-me um banquete com postas de badejo que ele sabe ser meu prato preferido. Ele cantou quase que sem parar e o fez até às 5 horas da manhã. Foi nesse dia que eu senti que ele estava falando fatos históricos para que eu os colocasse aqui. Eu saí feliz, feliz e feliz.

Voltando àquele 18 de outubro, tive a felicidade de ser presenteado com mais um show particular do especial artista João Gilberto, que pegou o violão e começou cantando a música de Tom Jobim e Billy Blanco “Sinfonia do Rio de Janeiro”. Quando chegou ao final e fez-se silêncio, eu falei “João essa música é linda e eu só ouvi assim inteira, duas vezes.” A primeira lá em Juazeiro e já se passaram 40 anos para que eu voltasse a ouvi-la hoje. Naquele dia eu me encantei tanto que pedi para que você gravasse e agora refaço o pedido. João respondeu: “É Luizinho, o Tom faz coisas que só ele. Quanta beleza! O Tom é o açúcar no ponto. O Billy também é bom.”

E João voltou a cantar e dessa vez trouxe uma música que eu acordara pensando nela e durante o dia não me saíra da cabeça. Quando ele cantou, não digo como muito se fala “Veio matar meu desejo mas que veio ao encontro, porque sempre estarei desejando ouvir “Segredo” música de Herivelto Martins e Marino Pinto. É claro, na voz de João. Depois da imprevisível interpretação, falei: O Herivelto Martins além da poesia ele se coloca na história, não como vítima ou acusador mas como conselheiro. O que se fala por aí é que ele a fez para Dalva de Oliveira quando eles se separaram e é tão real e bem feita que quando cantada torna-se um túnel no qual entramos, sentimos o drama e saímos felizes pela poesia vivida. Um amigo meu, o Felipe Guimarães, que por sinal talvez seja quem mais ouve João Gilberto no mundo coloca diariamente na vitrola 5 CDs de João e o faz dentro de um ritual que mesmo que toque o telefone ou a campainha da porta, ele só atende após o término de uma interpretação. Em compensação, ele aprendeu dessa forma a tocar tamborim e para isso veio estudando cerca de 4 anos e diz: ”Acompanhar qualquer um não é fácil, mas João Gilberto requer o máximo de concentração, o mínimo de descuido tira o percursionista da Bossa.” De Herivelto Martins, Felipe disse uma coisa que eu achei interessante “Ele era tão grande e amou tanto Dalva de Oliveira que mesmo separado fez essa música que veio ser sucesso na voz dela e ainda trouxe dinheiro para auxiliá-la no caminho da felicidade.”

O que pude observar de longe é que eles eram assim e expunham travando um bate-boca através da música e do rádio. Ele mandava Segredo e ela respondia cantando uma outra geralmente de Marino Pinto.

Depois da minha fala, João cantou “Que Será?” – de Marino Pinto com Mário Rossi: Que será ? / Da minha vida sem o teu amor/ Da minha boca sem os beijos teus/ Da minha alma sem o teu calor/ Que será ?/ Da luz difusa no abajur lilás/ Que nunca mais/ Irá iluminar/ Outras noites iguais/ Procurar/ Uma nova ilusão/ Não sei/ Outro lar/ Não quero ter além daquele que sonhei/ Meu amor/ Ninguém seria mais feliz que eu/ Se tu voltasses a gostar de mim/ Se teu carinho se juntasse ao meu/ Eu errei/ Mas se me ouvires me darás razão/ Foi o ciúme que se debruçou sobre o meu coração.”

Vale a pena também estudarmos “Segredo”“Segredo”

Quando eu ouvi essa música na gravação de João Gilberto é que me liguei nas imagens contidas na letra, mas fiquei com a pulga atrás da orelha com a frase “A felicidade pra nós está morta”. Isso porque me pareceu extremamente negativa. Examinando todo o contexto da história percebi tratar-se de um alerta, ao contrário do que eu estava pensando ser uma consumação. Explico: A letra na sua Segunda parte é toda um alerta. “Quando o infortúnio nos bate à porta/ E o amor nos foge pela janela/ A felicidade para nós está morta…” Existe um “quando” para indicar uma situação possível. E para cobrir toda a negativa possibilidade, vem a frase providencial: E ao aparecer: “Para o nosso mal não há remédio. Os autores resolvam com o carinho e o amor da palavra coração e nas entrelinhas trás a conformação, deixando claro que é maneira correta de terminar uma relação conjugal, onde permanece o amor mesmo com a separação. “Ninguém tem culpa da nossa desunião.”Uma coisa que eu gosto bem em João é que ele dificulte o encontro, principalmente quando estamos há muito tempo sem vê-lo,  


Em 75, houve a saída de Moraes, que foi uma perda irreparável, mas o grupo resistiu bravamente produzindo ainda quatro discos fantásticos. Talvez pela falta de Moraes, tivemos que desenvolver a música instrumental e foi aí que surgiu o chorinho dentro do trabalho dos Novos Baianos. Da mesma forma, Moraes também fez chorinhos na sua carreira individual. Foi muito importante o trabalho de Pepeu Gomes, desenvolvendo o músico que é, trilhando as influências de Jacób do Bandolim, Waldir Azevedo e Luperce Miranda, misturadas à sua garra de roqueiro; o que culminou com o histórico arranjo de “Brasileirinho”, juntando o acústico e o eletrônico. Para isso Pepeu contou com o apoio do técnico de som Salomão. Ele morava conosco para que os músicos pudessem contar com ele a qualquer momento, como também para realizar estudos e experiências até em transformações de instrumentos. Essa mistura do acústico com os instrumentos elétricos já tínhamos alcançado no tempo de Moraes, em “Samba da Minha Terra” e “Dagmar, gravações realizadas na Continental.

Outro grande trabalho foi realizado por Baby Consuelo, revivendo Ademilde Fonsêca, aceitando o desafio de cantar chorinhos de Waldir Azevedo. Foi importante termos passado para a juventude a existência desse ritmo que corresponde ao jazz brasileiro. Foi assim que Art Blakey, músico da história do jazz americano, classificou, quando ouviu o pessoal tocar e cantar lá na casa onde morávamos na Rua Casa do Ator, em São Paulo . Ademilde falou outro dia na televisão que estão matando o chorinho e que só existem três cantoras de chorinho no Brasil. Ela, Baby e Gal Costa. É um absurdo Ademilde não conseguir gravar um disco. Como é que pode? Só no Brasil existe uma indústria de destruição de astros. Foi assim com Orlando Silva, Ângela Maria, Marlene, Emilinha, Cauby Peixoto. Na safra mais recente o sacrificado é Luis Melodia. Não é possível que um disco de chorinho com Ademilde, Gal Costa e Baby Consuelo não seja sucesso aqui e no exterior. As gravadoras e os condutores da mídia preferem investir no descartável e faturar em cima da morte da arte.

Em 1990 eu estava dirigindo o Centro Cultural João Gilberto um órgão estadual em Juazeiro da Bahia, uma peça de teatro que escrevi, trabalhei de ator ao lado da atriz Regina Dourado, conhecida nacionalmente e dos atores de Salvador Frieda Gutmman e Carlos Queixo os locais Paulão e Odomaria. São Francisco Help foi dirigida por Paulo Dourado e encenada lá em Juazeiro.

A musica tema do espetáculo, fiz inaugurando uma parceria com Geraldo Azevedo, acaba de chegar ao mercado, através da gravadora Biscoito Fino, o CD intitulado “Salve São Francisco” . Nesse trabalho temático, Geraldo lança luzes sobre o rio que aprendeu a conviver e a respeitar desde criança. Gravado entre 2008 e 2009, somente agora o produto está sendo lançado e esse trabalho vem em muito boa hora quando a outrora tão discutida transposição do Velho Chico parece ter sido de certa forma esquecida pela mídia. Composto por doze canções, o CD vem recheado de participações especiais. Cada uma das faixas traz um artista diferente, com exceção de “São Francisco Help” (de Geraldo em parceria com Galvão) que conta com a presença de cinco dos convidados. E em especial Ivete Sangalo com quem ainda menina em juazeiro, marcou sua presença somando comigo no palco abrindo um Show de Geraldinho, cantando Preta Pretinha , e A Menina Dança. Me encanta também escutar a doce Fernanda Takai e Djavan.

Geraldo Azevedo segue na estrada, desta feita cantando o rio da integração nacional. Sua trajetória musical é marcada pela sinceridade e coerência. Vale a pena conhecer!


Undiú


Não se pode falar da passagem do rio S. Francisco em Juazeiro sem incluir Petrolina. As duas cidades formam mais que um par romântico, seja na dança clássica, na gafieira ou na poeira de um terreiro de forró; seja como uma dupla arrasadora de área, no bom sentido de ataque ao gol, ou até como um casal dito perfeito de mãos dadas ao luar. Vejo-as dois pensamentos diversos, dois ângulos opostos de um mesmo vértice. Distintas são, cada uma no seu argumento, no seu talento. Juazeiro ganha em arte, é claro, porque deu João Gilberto; e Petrolina, em progresso, pela organização de seus construtores. Ë o lazer e o trabalho se completando. Memória e pensamento habitando a mesma cabeça. Como hoje é sabido, lazer é trabalho feito para divertir, vira combustível para sensibilizar corações, da mesma forma que trabalho vira lazer quando se faz o que se gosta. E é aí que as duas cidades completam a paisagem que margeia o rio em cujas águas João Gilberto nadou entre os peixes, atirou pedrinhas em sua superfície e colheu inspiração para a música Undiú.

O título original de Undiú é Lamento da Morte de Dalva na Beira do Rio São Francisco, em Juazeiro. Foi composta no final dos anos 50 para integrar a trilha-sonora Seara Vermelha. O filme, baseado no romance de mesmo título de Jorge Amado, foi dirigido por Alberto D’Aversa em 1963. D’Aversa, um italiano que se radicou em São Paulo e trabalhou no Teatro Brasileiro de Comédia, chamou o maestro Moacir Santos para fazer a trilha-sonora. Ele pôs Lamento da Morte de Dalva no filme, João Gilberto a gravou, com o título de Undiú, no seu álbum de 1973. Eu estava la de olho acompanhando o elenco hospedado no predio dos correios.

Geração Baseada

O livro Geração Baseada e uma coletanea de poemas .

http://issuu.com/janetegalvao/docs/palavras_corrigido.2?viewMode=presentation

Um Brasileirinho

Levando meu filho Peu ao aeroporto para seu embarque rumo a Los Angeles, e passando um filme na minha cabeça dos Novos Baianos e de como estávamos musicalmente preparados para ganhar a América ,Carmirandar mostrando o valor dessa gente bronzeada de samba no pe e olho  no choro mas ta tudo ai, o tempo e hoje os filhos estão se preparando e dando continuidade, o jogo ainda ta rolando e o Juiz e o mestre. Boa sorte Peu Marque gols de Placa. volte para  a temporada de Poesia a Língua de Deus e minha , porque o mundo nao e uma Bola que estreia em  10 de Junho em Juazeiro minha terra Bahia, nos festejos dos 80 anos de João Gilberto.

Filhos de João, de Henrique Dantas, venceu o In-Edit 2011, e vai a Barcelona no maior festival do mundo de documentários musicais
Fico feliz com a noticia desse trabalho que vem ganhando o mundo , contando essa  historia onde  eu faco parte , a foto  de um momento filmada la em casa , meu filho Kashi pequeno, hoje com vinte e um anos guitarrista da banda do espetaculo POESIA A LINGUA DE DEUS E MINHA, PORQUE O MUNDO NAO E UMA BOLA, dirigido por Jackson Costa, pronto tambem para girar pelo mundo
O filme Filhos de João, do cineasta baiano Henrique Dantas, foi o grande vencedor do Festival In-Edit Brasil 2011 e agora vai representar a produção cinematográfica brasileira na versão internacional do festival, que acontece em Barcelona (Espanha) entre os dias 28 de outubro e 7 de novembro.

Nos três anos de In-Edit Brasil, essa é a primeira vez que uma produção baiana ganha o prêmio do festival que reúne documentários musicais inéditos no circuito comercial e que este ano aconteceu nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. O filme, que relata a trajetória da banda Novos Baianos, encerra sua participação em festivais da mesma forma que começou: vencendo.

Em 2009, quando estreou no Festival de Cinema de Brasília, o filme de Henrique Dantas ficou com o prêmio do Público. “Agora, a pouco mais de dois meses da entrar em cartaz no circuito comercial, vencemos outra vez. Isso é muito gratificante”, conta o cineasta baiano.

Os Filhos de João mostra a influência de João Gilberto na formação musical dos Novos Baianos, grupo que foi sucesso nacional absoluto nos anos 70 com hits como “Preta Pretinha”, “Brasil Pandeiro” e “Acabou Chorare”. Desde que foi exibido a primeira vez, o documentário já percorreu dezenas de festivais e amostras no Brasil e no exterior e, em breve, estará nas telonas de 10 capitais brasileiras para o público em geral.

“A data para a estreia do filme em circuito comercial ainda está sendo discutida com a distribuidora, mas certamente se dará entre julho e agosto deste ano”, garante Henrique Dantas.

Página do filme baiano no festival: http://in-edit-brasil.com/2011/archives/2057

Novos Baianos Futebol Club

Quero saber como funcionou  as questões legais de autorização. tenho visto na mídia noticias como esta. estou colocando aqui para tornar pública minha interrogação, alô editoras, precisamos renovar contratatos , prevendo novos formatos , Warner, Som Livre, lembrem-se o compositor  existe. e a Ministra da Cultura, Dona Ana de Holanda,  nossa Colega.

4/05/2011 – 17h44
Seu Jorge, Beck, Mutantes e Of Montreal fazem parceria em tributo à Tropicália

Capa da compilação beneficente “Red Hot + Rio 2”, que faz tributo à Tropicália

MÚSICAS, VÍDEO E NOTÍCIAS DE SEU JORGE
MAIS SOBRE BECK
Foi revelada a lista de músicas que compõem “Red Hot + Rio 2”, compilação em tributo à Tropicália produzida pela Red Hot, organização norte-americana de combate à AIDS.

O disco traz parcerias entre Beck e Seu Jorge, que cantam “Tropicália”, de Caetano Veloso, e da banda canadense Of Montreal com Os Mutantes, fazendo uma versão para “Bat Macumba”.

Também se juntaram para “Red Hot + Rio 2” os brasileiros Marisa Monte e Rodrigo Amarante e o norte-americano Devendra Banhart, para interpretar outra música de Caetano, “Nú Com a Minha Música”. O próprio compositor também aparece na compilação ao lado de David Byrne, cantando “Dreamworld: Marco de Canaveses”.

“Acabou Chorare”, dos Novos Baianos, na voz de Bebel Gilberto, e a versão de Beirut para “Leãozinho” também entraram em “Red Hot + Rio 2”. Ouça a banda de Zach Condon interpretando a música de Caetano Veloso:

“Red Hot + Rio 2” será lançado em CD duplo no dia 28 de junho. Confira a relação de músicas do disco:

CD1 (Red):

01 Alice Smith + Aloe Blacc: “Baby”
02 Beck + Seu Jorge: “Tropicália (Mario C 2011 Remix)”
03 Mia Doi Todd + José González: “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”
04 Quadron: “Samba de Verão”
05 Vanessa da Mata + Seu Jorge & Almaz: “Boa Reza”
06 John Legend: “Love I’ve Never Known”
07 Aloe Blacc + Clara Moreno: “Nascimento (Rebirth) – Scene 2”
08 Curumin: “Ela (Ticklah Remix)”
09 Aloe Blacc + Alice Smith: “Baby (Old Dirty Baby Dub Version)”
10 Superhuman Happiness + Cults: “Um Canto de Afoxé Para o Bloco do Ilê”
11 Om’Mas Keith: “Mistérios”
12 Forró in the Dark + Brazilian Girls + Angelique Kidjo: “Aquele Abraço”
13 Mia Doi Todd: “Canto de Iemanjá”
14 Caetano Veloso: “Terra (Prefuse 73 ‘3 Mellotrons in a Quiet Room’ Version)”
15 Marisa Monte + Devendra Banhart + Rodrigo Amarante: “Nú Com a Minha Música”
16 Bebel Gilberto: “Acabou Chorare”
17 David Byrne + Caetano Veloso: “Dreamworld: Marco de Canaveses”

CD2 (Hot):

01 Beirut: “O Leãozinho”
02 Tha Boogie: “Panis et Circensis”
03 of Montreal + Os Mutantes: “Bat Macumba”
04 Phenomenal Handclap Band + Marcos Valle: “Tudo o Que Você Podia Ser”
05 Madlib + Joyce Moreno: “Banana [ft. Generation Match]”
06 Marina Gasolina + Secousse: “Freak le Boom Boom”
07 Money Mark + Thalma de Freitas + João Parahyba: “Tropical Affair”
08 Los Van Van + Carlinhos Brown: “Soy Loco Por Ti, América”
09 Orquestra Contemporânea de Olinda + Emicida: “Roda”
10 Mayra Andrade + Trio Mocotó: “Berimbau”
11 Apollo Nove + Céu + N.A.S.A.: “It’s a Long Way”
12 DJ Dolores + Eugene Hütz + Otto + Fred 04 + Isaar: “A Cidade”
13 Javelin + Tom Zé: “Ogodô, Ano 2000”
14 Atom™ + Toshiyuki Yasuda: “Águas de Março [ft. Fernanda Takai + Moreno Veloso]”
15 Twin Danger: “Show Me Love”
16 Rita Lee: “Pistis Sophia”

                     

  Lembro, qual fosse hoje que, nas poucas vezes em que ele apareceu para o público, os olhos da cidade saíam da expectativa para vê-lo em pessoa e, com a precisão de uma câmara fotográfica registrando o momento para guarda-lo na memória. Vou dar detalhes para esclarecer: Uma vez ele foi à barbearia que ficava na rua d’Apolo, que é a rua principal da cidade, combinar com alguém (não sei se foi com  “Seu Né do Vasco”,  Tonda ou seu xará  João, oproprietário) para cortar-lhe o cabelo em sua casa. A porta da barbearia ficou lotada e, no bilhar de Rodolfo, que ficava em frente, os jogadores de todas as mesas pararam os jogos e vieram juntar-se às pessoas que estava agrupadas na porta da barbearia para ver João Gilberto, o cantor de Juazeiro, filho de Dona  Patu.  Na segunda vez, ele reapareceu numa loja de disco cujo nome, salvo engano, era Credilar ou Noralar. O público entrou na loja e do lado de fora tinha mais gente que na porta da barbearia. Ele pediu para o gerente da loja colocar na vitrola um disco de  Stan Kenton  e mostrou uma faixa para um amigo seu que ,  Walter Sousa (hoje  Walter Santos compositor de  “Azul Contente”  “e Edésio Santos, um violonista da cidade que tinha forte influência sua.

               A mais significativa aparição foi quando chegou ao Cine São Francisco com “Astrud Gilberto”. Faltavam mais ou menos uns 10 minutos para iniciar a projeção, quando o casal entrou. Todos os olhares voltaram-se para os dois artistas, embora “Astrud Gilberto”Astrud ainda cantasse apenas na intimidade. Juazeiro tem seu charme e as pessoas de pé aplaudiram e João, como se estivesse em um show, levantou-se e fez aquele agradecimento tradicional.

         Quando foi lançada aquela série de lendas  no livro sobre bossa nova, eu estava como diretor do Centro de Cultura João Gilberto, lá em Juazeiro, e uma pessoa me disse: “Galvão, se  esse tal mentiroso cair na besteira de vir a Salvador  e eu souber, mando furar os olhos dele.” Por isso, acho bom que não venha, porque  mesmo sendo força de expressão da pessoa  magoada, e não chegue a tanto nem é  nosso  desejo, mas pelo que eu conheço das ações e reações do povo da minha cidade, uma surra ele está sujeito a levar. Lá o pessoal bate é com folha de urtiga e pau de pinhão. Lembro de  quando eu era menino e passava as férias na roça do meu  avô em Carnaíba, distrito de Juazeiro, que havia  um senhor muito respeitado, casado com uma  senhora seriíssima, daquelas que a gente mete a  mão no fogo para atestar a sua fidelidade ao marido. Eles tinham quatro filhos e todos eram muito parecidos com ele. Aconteceu que ele precisou fazer uma cirurgia para retirar um testículo e depois disso sua mulher lhe deu mais um filho. Esse então era a cara dele sem tirar nem botar ou falando na linguagem da roça: Cara de um focinho do outro.  Mesmo assim, um compadre quis brincar com ele e com homem de Juazeiro não se caçoa, nem tira onda. Olha só vacilo do camarada ao falar “Compadre, esse menino que a comadre teve agora é seu mesmo? Você não tem mais dois  ovos…” O homem ficou furioso, pegou um facão, mas para não matar não usou a lâmina, só as laterais que na região é chamada pano de facão e deu uma surra de fazer dó no atrevido. Eu fico imaginando que todo o cuidado é pouco para quem anda procurando ser cordial e ético imagine para quem anda ofendendo atoa aos outros e até a quem não conhece? Cuidado…

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